Herberto Helder, Ofício Cantante.
terça-feira, 8 de março de 2011
Mulher
Herberto Helder, Ofício Cantante.
domingo, 19 de dezembro de 2010
«O bosque sagrado»
sábado, 20 de novembro de 2010
sábado, 13 de novembro de 2010
Voando de folha para folha
Vou buscar o meu formidável Atlas das Aves Nidificantes em Portugal e aqueles três quilos cheios de vida portuguesa pesam-me como uma tonelada de ignorância. Abro-o e o livro fica leve, soltando o oxigénio da curiosidade, voando de folha para folha.»
Miguel Esteves Cardoso, Público, 31-X-2010
quinta-feira, 11 de novembro de 2010
Desejo vinho e ser amado
Embora pecador, vil e infeliz,
Não desespero e não corro para o templo como os idólatras.
Embriagado, levanto-me de novo de manhã,
Desejo vinho e ser amado e não mesquita e paraíso.
Umar-i Khayyam, Ruba' iyat - in Diário Assírio & Alvim 2010, no dia de S. Martinho.
segunda-feira, 6 de setembro de 2010
Repentina trovoada de Setembro...
SETEMBRO
Repentina trovoada de Setembro
e depois chuvas exaustas;
ainda na praia a corrida
juvenil das ondas;
o abandono dos medronhos caídos
e um súbito olhar grave dum filho de dois anos;
vinhas que sangram,
uvas caminhando para o seu fim;
algumas folhas que descem
e as árvores, como as flores, esperando
a partida silenciosa dos insectos
e o sopro de uma breve chegada.
António Osório, A Luz Fraterna, Assírio & Alvim, 2009, pp. 29-30.
sábado, 27 de fevereiro de 2010
Montesquieu, por Ruy Belo
Ruy Belo
Montesquieu, Considerações sobre as Causas da Grandeza e Decadência dos Romanos
Texto integral, seleccionado, traduzido, apresentado e anotado por Ruy Belo
quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010
«Gato Maltês» - A colecção de livros de bolso Assírio & Alvim desde 1981
João Bénard da Costa, in Crónicas: Imagens Proféticas e Outras.
(brevemente nas livrarias, juntamente com O Livro Branco, de Jean Cocteau e Bartleby, de Herman Melville, ambos da «Gato Maltês»).
segunda-feira, 11 de janeiro de 2010
«Soneto para Cesário», de Dinis Machado
SONETO PARA CESÁRIO
Se te encontrasse, agora, na paisagem
nocturna dos fantasmas da cidade,
contava-te dos nossos pobres versos
no teu rasto de sombra e claridade.
Contava-te do frio que há em medir
a distância entre as mãos e as estrelas,
com lágrimas de pedra nos sapatos
e um cansaço impossível de escondê-las.
Contava-te — sei lá! — desta rotina
de embalarmos a morte nas paredes,
de tecermos o destino nas valetas...
Duma história de luas e de esquinas,
com retratos e flores da madrugada
a boiarem na água das sarjetas.
Dinis Machado
In «Diário Ilustrado», de 20 de Abril de 1957, p. 9.
Com ilustração assinada «K.»
Transcrição: Cortesia de Vasco Rosa.
sexta-feira, 8 de janeiro de 2010
Perfeita como um livro

incomparável, cobre tudo com a sua distracção vermelha.
Por detrás da noite de pendidas
rosas, a carne é triste e perfeita
como um livro.
domingo, 20 de dezembro de 2009
Tigre Tigre, brilho em brasa
O Tigre
E qual ombro, & qual arte,
Quando estrelas dardejaram
Tigre Tigre brilho em brasa,
sábado, 19 de dezembro de 2009
Chegou sem ser esperado...
domingo, 13 de dezembro de 2009
«Vamos andando» e «Depois se verá»
«CURIOSAS FIGURAÇÕES Um bom indício do modo como nos relacionamos com Portugal são as nossas autofigurações, as feitas e as por fazer. Quanto às feitas, reparemos em duas, uma popular e outra erudita.quarta-feira, 11 de novembro de 2009
Peter Handke
quando, na criança,
que já não é criança nenhuma
– talvez já seja um ancião –,
volto a encontrar os olhos da criança.
A duração não existe na pedra
antiquíssima e eterna,
mas sim no transitório,
no que é brando e sensível.
Lágrimas da duração, tão raras!,
lágrimas de alegria.
Impulsos inconstantes da duração,
que não se podem pedir
nem numa prece implorar:
estais agora reunidos e articulados
para formar o poema.
Peter Handke, Poema à Duração [tradução de José A. Palma Caetano]
Peter Handke está hoje em Portugal, no âmbito do Estoril Film Festival.
quinta-feira, 5 de novembro de 2009
«Da morte livre»
[...]
Jean Améry, esse, ultrapassa toda a metafísica. Está aquém dela, como quem prepara serenamente a morte livre, escrevendo sobre ela (em 1976) como se estivesse já a «pôr a mão em si» (a suicidar-se com uma overdose de barbitúricos em 1978, num hotel de Bruxelas). Na abertura do seu livro, notável testemunho de uma morte anunciada, escreve: «Sou eu aquele que “põe a mão em si”, que morre depois de tomar barbitúricos, de os levar “da mão à boca”». O corpo assume a inevitabilidade da sua morte (não importa agora com que motivação, ou a partir de que causa), a consciência «cai em si» e traça a linha divisória entre morrer e escolher a morte. De um lado, é a morte que vem vindo e chama, e eu respondo e vou (passivamente, sem saber como). Do outro, é o agente (actor?) da morte livre que grita: «Vou saltar!». Age, é ele a falar, e a morte é a resposta. O salto é o salto para o abismo e para fora de toda a «lógica da vida» (é este momento antes do salto que, para Améry, «igualiza» todos aqueles que se decidem pela morte livre).
Ninguém que esteja «de fora» pode arrogar-se a pretensão de compreender, muito menos o direito de condenar, este salto do corpo para o além de si. Nem sequer aquele que o dá é senhor dele e o domina. «Nós somos o nosso corpo, não temos o nosso corpo», escreve Améry. Imagine-se esse «ser o corpo» em situações-limite. No limite, a mão age e o corpo, que ela não «tem», explode. É por isso que quem está de fora não pode entender o gesto livre da morte livre.»
sábado, 24 de outubro de 2009
Adília Lopes na Assírio & Alvim
quinta-feira, 24 de setembro de 2009
As árvores e os livros
terça-feira, 22 de setembro de 2009
Poema
Até o jade se parte,
até o ouro se dobra,
até a plumagem de quetzal se despedaça...
Não se vive para sempre na terra!
Duramos apenas um instante!
(poemas mudados para português por Herberto Helder)
sexta-feira, 27 de março de 2009
FRAGILPOESIA - FIM
Fim
faz-se tarde
e eu deixei de esperar-te.
todos os portos se fecham sobre mim
e a floresta adensa-se — nenhuma clareira se abre à passagem dos animais
e do homem antigo.
são 4 horas na manhã de todos os relógios.
José Agostinho Baptista, «Eu jeremias criador dos céus e infernos», FragilPoesia, 3ª edição, 26 de Março de 2009.
domingo, 22 de março de 2009
Dia Mundial da Água
«Chove. Chove. Tudo se desfaz. Tudo se dilui. O céu e a terra. O sol goteja. Estende-se nas nuvens negras em debandada e cai com elas na lama. Vemos os seus raios decomporem-se nas gotas de água e arco-íris minúsculos fecundarem a terra.»
Blaise Cendrars, O Fim do Mundo Filmado pelo Anjo N.-D. (tradução, apresentação e notas de Aníbal Fernandes)





