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segunda-feira, 14 de março de 2011

Catálogo Assírio & Alvim

Basta clicar na imagem, ou aqui mesmo ao lado, para consultar o Catálogo Assírio & Alvim. Agora com as capas e com actualizações à medida que forem saindo novidades. Também pode fazer download.

sexta-feira, 4 de março de 2011

Alento

Jorge Pires

fotografias de Duarte Belo

ISBN 9789723708226

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

Colheita «Assírio & Alvim 2008»

Chegam hoje às livrarias as primícias de 2009. Um bom momento para recordar a colheita «Assírio & Alvim 2008»:

fernando calhau - desenho 1965-2002; livro-guia do alentejo; mil planaltos - capitalismo e esquizofrenia 2; frágua de amor/floresta de enganos; poesia - de guilherme ix de aquitânia; pentâmetros jâmbicos; as cantinas e outros poemas do álcool e do mar; desenhos a lápis com fala - amar um cão; último minuete em lisboa; cartoons do ano 2007; moradas; era na velha casa - a ode marítima de álvaro de campos/fernando pessoa; olga roriz; qual é a minha ou a tua língua? - cem poemas de amor de outras línguas; esteves!; poemas - paul bowles; viagens - 1978-2008; o amante japonês; vozes íntimas; final feliz - novas crónicas para pais sobre filhos; o cavalo e o sentimento; pessoana - 2 volumes; gosto de ti como és; objectivos do milénio - vencer os medos; já cá não está quem falou; a leitura infinita - bíblia e interpretação; portugal e os portugueses; diário 1941-1943; livro vermelho dos vertebrados de portugal; anónimo transparente - uma interpretação gráfica de fernando pessoa; sabores judaicos - trás-os-montes; se não puder dançar esta não é a minha revolução - aspectos da vida de emma goldman; bartleby, escrita da potência seguido de bartleby, o escrivão; desenho, a transparência dos signos; estudos do labirinto seguido de a ideia religiosa do não-ser; quaresma, decifrador - as novelas policiárias; correspondências - vieira da silva por mário cesariny; filho pródigo; joão abel manta - caprichos e desastres; o heresiarca & c.ª; o inútil da família; mão direita do diabo; em portugal não se come mal; gatos comunicantes - correspondência entre vieira da silva e mário cesariny 1952-1985; a minha escola não é esta; o sentido da vida é só cantar; o marinheiro que perdeu as graças do mar; por cima do mundo; história da etiópia; a faca não corta o fogo; poemário 2009; diário 2009; culinário 2009; Diário 2009 fernando pessoa; caderno fernando pessoa; poemário 2009 fernando pessoa; aquilo sou eu/that is me; myra; requiem para d. quixote; aforismos - kafka; o festim da aranha; sob um falso nome; só o amor é digno e fé; fogo frio - o vulcão dos capelinhos; segredos culinários de maria callas - histórias, receitas e sabores; atlas das aves nidificantes em portugal; lapinha do caseiro.

domingo, 31 de agosto de 2008

Novidades IV

Também a partir de 15 de Setembro nas livrarias, o novo livro de crónicas de Miguel Esteves Cardoso:

Em Portugal Não Se Come Mal
Miguel Esteves Cardoso




Edição brochada (448 pp)
Classificação: Crónicas; Gastronomia
Colecção: Peninsulares
24 €
(disponível a partir de dia 15)




A vida come-se quando é boa; come-nos quando é má. E às vezes, quando menos esperamos, também comemos com ela.
Em Portugal, antes de todas as coisas, está o tempo. Este tempo. Este que ninguém nos pode tirar e a que os povos com tempos piores chamam, à falta de melhor, clima.
Depois, há coisas que crescem por causa do tempo. Como o tempo é bom, são boas. E como as coisas são boas, os portugueses querem comê-las. E comem-nas bem comidas, o mais perto que possam ficar da nascença. Ou da cozinha.
O resto bem pode ser do pior que pode haver no mundo. Não é.
Mas pode ser, à vontade do freguês, conforme se quiser.
Que se lixe esse resto. Quando se come bem – quando se come a vida à nossa volta, com Portugal inteiro à nossa volta, a comer connosco – esse resto também não parece grande por aí além.
Que fique por saber como realmente se vive em Portugal. Mas que fique claro que comer, não se come mal. Que sirva este meu livro de gordo desmentido.
E o resto é como o resto. Ah, Portugal, nosso restaurante! Mas, quando se come bem e se está com a barriga cheia, o resto que está mal é como o resto de um bom almoço.
Alguma coisa há-de fazer-se com ele.
Porventura deliciosa, se faz favor.
Miguel Esteves Cardoso

sábado, 30 de agosto de 2008

Novidades III

Mais uma novidade...

Gatos Comunicantes — Correspondência entre Vieira da Silva e Mário Cesariny, 1952-1985
Maria Helena Vieira da Silva; Mário Cesariny
(apresentação de
José Manuel dos Santos; edição e textos de Sandra Santos e António Soares)

Edição brochada (200 pp)
Classificação: Correspondência
Colecção: Testemunhos
20 €
(disponível a partir de dia 15)



«Página a página, linha a linha, palavra a palavra, este livro ergue as figuras reais de Maria Helena Vieira da Silva e de Mário Cesariny de Vasconcelos. Ergue-as, assim cada um foi inventando o outro, num frente a frente perpétuo, sem intervalo ou traição. Este diálogo de vozes e de silêncios-entre-as-vozes, de palavras e de sem-palavras-entre-as-palavras, levanta estas figuras sobre (e contra) um chão de pequenez, hostilidade e escuridão, dando-as como elas são. E como elas se olharam, se representaram, se admiraram, se amaram uma à outra: únicas, grandiosas e magnificadas. Ao fundo, aparece Arpad, com uma elegância longa, a saudá-los, a saudar-nos, na sua doçura inquieta, na paciência e sabedoria do seu estar. Um pouco atrás, ouve-se, vê-se Guy Weelen a anotar, a preparar, a cuidar, a tramitar, a transmitir. Este livro prova que “os encontros são proporcionais aos destinos” e que o amor pode ser um relâmpago contínuo, livre, invencível.» — José Manuel dos Santos (excerto da apresentação)

sexta-feira, 29 de agosto de 2008

Novidades II

Também a partir de dia 15 nas livrarias, o novo livro de Pedro Strecht:

A Minha Escola Não É Esta — Dificuldades de aprendizagem e comportamento em crianças e adolescentes
Pedro Strecht

Edição brochada (256 pp)
Classificação: Pedagogia; Pediatria; Psicologia
Colecção: Pelas Bandas da Psicanálise
18 €
(disponível a partir de dia 15)




Há demasiadas crianças e adolescentes que fazem da escola um problema para si e para os outros: pais, família, professores, sociedade em geral. São rapazes e raparigas que, mesmo possuindo capacidades cognitivas suficientes para progredirem mais e melhor, não conseguem aprender, e expressam o seu mal-estar interior em múltiplos problemas de comportamento, desde a hiperactividade à agressividade, ao desinteresse e ao abandono escolar.
[...]
Este livro de Pedro Strecht, com prefácio de John Diamond, CEO da Mulberry Bush School, Oxford, fornece uma visão psicodinâmica destas dificuldades, através de uma abordagem teórica sistematicamente ilustrada por múltiplos exemplos práticos e organiza-se como uma ajuda a todos aqueles que se interessam por temas da infância e adolescência e suas problemáticas escolares, como pais, educadores, professores, psicólogos, assistentes sociais ou médicos.

quinta-feira, 28 de agosto de 2008

Novidades

Em Setembro, na Assírio & Alvim, lançamos, entre outros:


O Sentido da Vida É só Cantar
António Barahona




Edição brochada (352 pp)
Classificação: Poesia (antologia)
Colecção: Documenta Poetica
24 €
(disponível a partir de dia 15)



I

O poeta vive só,
livre, peremptório, claro,
em estreita unidade com o corpo:
barro plástico para o Todo-Poderoso
esculpir a alma e o espírito

O poeta avança sobre o caos e as trevas,
contraditório, puro, sábio,
a sua vida está envolta em beleza:
o lustre opalino do pescoço das pombas,
os amigos imprevistos,
uma família espalhada plo mundo,
o Sol, a Lua, os gatos e as árvores

O poeta embriaga-se com água,
hidromel, chá de menta, ou súbito perfume
E inspira-se no ar d’atmosfera sagrada:
relê Moisés, Cristo Jesus e Muhammad

quarta-feira, 23 de julho de 2008

«Mão Direita do Diabo»

Disponíveis on-line, as primeiras 23 páginas da obra Mão Direita do Diabo, de Dennis McShade (pseudónimo do escritor português Dinis Machado). Na barra lateral esquerda ou aqui.

Relembramos que também está disponível on-line a introdução do livro O Inútil da Família (esta semana nas livrarias), do chileno Jorge Edwards. Leia-a aqui.

quinta-feira, 17 de julho de 2008

Descontos nos meses de Verão, na Livraria Assírio & Alvim...

Se for à nossa livraria (Rua Passos Manuel, 67 B — Lisboa) durante os meses de Julho e Agosto, encontrará descontos de 20% e 30% nos nossos livros de arte e de viagens.
Agora, juntamos uma nova promoção: nas próximas sextas-feiras e também nos sábados deste mês (dias 18 e 19 e 25 e 26 de Julho), todos os livros destas duas feiras têm um desconto de 50%. Aproveite!

terça-feira, 15 de julho de 2008

Poemário

Poema de E.E. Cummings, no dia 15 de Julho de 2008 do Poemário Assírio & Alvim.
(clique na imagem para aumentar)

quarta-feira, 9 de julho de 2008

Novidade Assírio & Alvim para o Verão


Mão Direita do Diabo
Dennis McShade (Dinis Machado)



Edição brochada (176 pp)
Classificação: Romance policial
14 €



O livro que é uma porta aberta para o mundo secreto do crime organizado
, podia ler-se na capa da primeira edição desta Mão Direita do Diabo (nº 56 da Colecção Rififi, Editorial Ibis). Não era bem verdade, já que Peter Maynard podia ser um assassino profissional, mas trabalhava sozinho. Podia usar uma Beretta como qualquer outro, mas depois ouvia Mozart e Debussy. E lia Céline e Dos Passos. E citava John Huston e Howard Hawks. E até tinha uma consciência a quem tratava por tu em prolongados monólogos. Contudo, Dennis McShade também não era nada americano. Era o bem português Dinis Machado, o mesmo que, dez anos depois, surpreenderia a literatura com O Que Diz Molero. De maneira que, no fim, bate tudo certo.

Em menos de um ano, entre 1967 e 68, e sob o disfarce deste seu quase homónimo americano, publicaria ainda Requiem Para D. Quixote e Mulher e Arma com Guitarra Espanhola, livros que a Assírio & Alvim tem agora o prazer de reeditar, pela primeira vez para o público em geral, quarenta anos depois.

Um bom assassino profissional, Maynard, é como um bom actor, um bom político ou um bom vendedor de pentes. Importante é que se saiba o que se está a fazer, com eficiência. E, no teu caso, com sobriedade.

Dos monólogos maynardianos

segunda-feira, 7 de julho de 2008

«Portugal e os Portugueses» em Torres Vedras

No próximo dia 8 de Julho, terça-feira, D. Manuel Clemente, Bispo do Porto, estará na Livrododia - Centro Histórico (Torres Vedras), pelas 18 horas, para apresentar o seu último livro, Portugal e os Portugueses, uma edição da Assírio e Alvim.






Edição brochada (160 pp.) / Classificação/Tema: História; Geografia; Religião — Ensaio / Preço: 10 €

«É habitual insistir-se na nossa infinita capacidade de adaptação, seja aonde for. Pergunto-me se não se trata antes do contrário. Se não devíamos falar até da impossibilidade de deixarmos de ser quem somos, tal a densidade interior que acumulámos. Não temos de nos adaptar por aí além, porque já temos dentro e acumulados os infinitos aléns que nos formaram. Aqui, neste recanto ocidental do continente, sedimentaram-se, milénio após milénio, os variados povos que, do Norte de África ou do Leste da Europa, tiveram forçosamente de parar numa praia que só no século XV se transformou em cais de embarque. Aqui chegaram outros, que depois vieram e continuam a vir das mais diversas procedências. Tanta gente em tão pouco espaço só pode espraiar-se numa geografia universal. Assim foi e assim é.»
(excerto do primeiro capítulo)

Sobre o autor:
Nasceu em Torres Vedras a 16 de Julho de 1948. É licenciado em História e Teologia e doutorado em Teologia Histórica. Em 1975 começou a leccionar na Universidade Católica Portuguesa, tornando-se depois director do Centro de Estudos de História Religiosa dessa instituição.
Em Junho de 1979 foi ordenado presbítero; vinte anos depois, em Novembro de 1999, foi nomeado Bispo Auxiliar de Lisboa, com o título de Pinhel, e em de Janeiro de 2000, ordenado na Igreja de Santa Maria de Belém (Jerónimos). Em 2007, o Vaticano nomeou-o Bispo do Porto.
Publicou, entre outras, as obras Nas origens do apostulado contemporâneo em Portugal. A Sociedade Católica (1843-1853) [UCP, 1993], Igreja e Sociedade Portuguesa do Liberalismo à Republica [Grifo, 2002] e História e Religião em Torres Vedras [Grifo, 2004]

sexta-feira, 4 de julho de 2008

«Crónicas Portuguesas/Chroniques Portugaises»

Crónicas Portuguesas/Chroniques Portugaises (160 pp.)
Autor: Georges Dussaud
Prefácio de Christine Dussaud
Colecção: Livros de Fotografia


Edição bilingue (português/francês)
40 €
Encadernado


As reportagens internacionais de Georges Dussaud, desde 1975 — Grécia, Portugal, Irlanda, Índia, Cuba, França — tornaram conhecidas as suas imagens daquele humanismo fotográfico tardio que a Magnum soube realizar e recolher e que revela na Agência RAPHO, de Paris, a que pertence desde 1986. São fotografias de um fotógrafo flanneur, viajante e vagabundo da fotografia directa mas profundamente subjectiva e, naturalmente a preto e branco. Fixou em Portugal a paisagem e os homens no seu modo peculiar, (que já foi comparado a Koudelka), onde cada imagem é enquadrada com o que a cultura do olhar sugere ao fotógrafo, geometrizante, dinâmica ou estática, emotivamente centrada na estranheza dos lugares e das expressões.


O autor
Fotógrafo e repórter, trabalha para a agência parisiense RAPHO desde 1986. Ficou conhecido pelas reportagens internacionais que começou a fazer em 1975, e que o levaram a países como Grécia, Índia e Cuba. Acompanhado da máquina fotográfica, capta, a preto e branco, os lugares e a estranheza que os habita. Expõe com regularidade o seu trabalho em França, Irlanda, Portugal, Brasil, México e Itália, fazendo parte de inúmeras colecções nestes países. Editou em Portugal os livros O Trás-os-Montes, Portugal e Índia, Portugal terra fria, Douro de cepas e fragas e Crónicas Portuguesas/Chroniques Portugaises.

terça-feira, 1 de julho de 2008

Clara Queiroz (entrevista para a Antena 1)

Ana Aranha, jornalista da Antena 1, entrevistou Clara Queiroz, autora do livro Se Não Puder Dançar, Esta Não É a Minha Revolução — Aspectos da vida de Emma Goldman, para a rúbrica «À Volta dos Livros», transmitida no dia 26 de Junho de 2008 (5:12).



segunda-feira, 30 de junho de 2008

Jorge Edwards — O Inútil da Família

Disponibilizamos online as primeiras páginas da obra O Inútil da Família, de Jorge Edwards (brevemente nas livrarias). Aceda através da barra lateral esquerda ou deste link

sábado, 28 de junho de 2008

Novidades Assírio & Alvim para este Verão

Brevemente disponíveis nas livrarias (a partir de dia 10 de Julho), dois novos livros:


O Inútil da Família
Jorge Edwards
tradução de Helder Moura Pereira



Edição brochada (416 pp.)
Classificação: Biografia com factos ficcionados
Preço: 25 €


Quando Jorge Edwards começou a escrever, em plena adolescência, num mundo que estava muito longe de o destinar à literatura, teve conhecimento de um parente próximo que ninguém referia na família, um fantasma, um marginal, um maldito da sua época: Joaquín Edwards Bello. Joaquín recebeu o Prémio Nacional de Literatura de Chile em 1943 mas a sua vida acidentada e aventureira, a sua paixão pelo jogo, o seu inconformismo e rebeldia social, naqueles anos escandalosa, já o tinham convertido numa lenda viva.
Jorge Edwards seguiu apaixonadamente a história deste seu tio avô. Joaquín, o tio Joaquín, conheceu os palacetes da América e da Europa mas cedo desceu ao fundo da noite: aos bares e tabernas de má sorte, aos prostíbulos e aos albergues clandestinos. Viveu uma vida acidentada entre Madrid, Paris, Valparaíso e Santiago. Porém, descobrindo semelhanças e contiguidades, tanto de origem como de biografia, o livro acaba por construir uma teia de múltiplas relações em que as duas vidas — e as duas obras — se fundem e entrelaçam.
O Inútil da Família é um extraordinário desfile de personagens, uma caixa de surpresas que nos transporta a mundos extremos e nos leva a assistir, por dentro, a um destino fora do comum, belo mas pleno de riscos e, sem dúvida, trágico.
Sobre o autor:
Jorge Edwards nasceu em 1931, no Chile. Estudou Direito e Filosofia, primeiro na Universidade de Santiago do Chile e depois em Princeton. Trabalhou como diplomata durante o governo de Salvador Allende, e como secretário de Pablo Neruda. Viveu no exílio em Espanha após o golpe de estado de Pinochet, regressando ao Chile no princípio dos anos 80. Actualmente Edwards dedica-se à escrita, ao ensaio e ao jornalismo, assinando uma coluna no El País. Tem vindo a receber diversos prémios pela sua obra literária, entre eles o Prémio Cervantes e o Prémio Nacional de Literatura de Chile. Já em 2008 foi galardoado com o prestigiante Prémio Planeta Casa América pela sua novela A Casa de Dostoiévskii, a publicar brevemente.



O Heresiarca e C.ª
Guillaume Apollinaire
tradução de Aníbal Fernandes



Edição brochada (224 pp.)
Classificação: Contos
Preço: 14 €


Guillaume Apollinaire: audacioso nos temas, na versificação, na sintaxe, «primeiro poeta moderno» — afirmou-se muitas vezes sem contestação.
Mas também escreveu prosa: frequentou as margens do erotismo pornográfico, do romance histórico com os brilhos do exotismo, livros de género inclassificável, como L'Enchanteur Pourrissant, La Femme Assise, Le Poète Assassiné. Quando publicou O Heresiarca & C.ª, o seu mais logrado livro de contos, incomodou as realidades do quotidiano com visões fantásticas e cruéis, leu os dogmas católicos de forma irónica e traiçoeira, tudo dissolveu em atmosferas turvas para um desfile de assassinos candidatos à canonização, falsos messias, devotos blasfemos, bêbados luxuriosos, santos heterodoxos…
Supôs-se, em 1910, que este livro destiná-lo-ia ao Prémio Goncourt, mas naufragou nas últimas
voltas da votação. De vida, iam restar-lhe oito anos: os que viveu como era de há muito seu hábito, em mansardas de Paris, fogoso nos amores, inovador em versos, até à guerra que lhe pôs na cabeça trepanada uma estrela, até à gripe fatal, a «espanhola», a «pneumónica», que o matou e enterrou no Père-Lachaise em Novembro de 1918.

sexta-feira, 27 de junho de 2008

«Desenho, A Transparência dos Signos»


Pedro A. H. Paixão
Desenho, A Transparência dos Signos
Assírio & Alvim, 2008, 120 págs., 10 €







«Estes estudos sobre a teoria do desenho, embora rigorosos, não são apenas um mero ensaio técnico, mas uma incursão ilustrada sobre o "desenhável" (do desenho da infância à "ciência" de desenhar), num percurso de transparência e magia que conduz o leitor a Aristóteles e a Dante ("Vita Nuova"), assim como à arte renascentista, para afirmar o desenho como "a anunciação de uma terra ou matéria que eternamente, em nós, nos espera".»



in Expresso, 13 de Junho de 2008.

quarta-feira, 25 de junho de 2008

João Abel Manta — Caprichos e desastres

Disponível nas livrarias a partir de dia 10 de Julho, o novo livro da Assírio & Alvim:


João Abel
Manta — Caprichos e Desastres
autores: João Abel Manta / João Paulo Cotrim


Edição encadernada (208 pp.)
Tema: Desenho; Caricatura
Preço: 35 €



Depois de Rafael Bordalo Pinheiro, Stuart Carvalhais e André Carrilho, dedicamos este volume à obra de João Abel Manta (Lisboa, 1928). O texto é, como nos volumes anteriores, de João Paulo Cotrim, que aponta «a força das imagens» como critério decisivo na selecção das reproduções que aqui figuram. Formado em arquitectura pela Escola Superior de Belas Artes de Lisboa, começou desde cedo a publicar desenhos em órgãos de imprensa. Desenhou para O Século Ilustrado, Gazeta Musical e de Todas as Artes, Seara Nova, Eva e sobretudo para o Diário de Lisboa, ficando conhecido maioritariamente pelas caricaturas que fez da sociedade portuguesa, e cujo traço grosso e simples é ainda hoje reconhecido.
Actualmente, João Abel Manta dedica-se à pintura.

«Em João Abel Manta cruzam-se, além das disciplinas da pintura e do design, que convoca amiúde para o seu labor de livre comentador, um agudo sentido de observação, o desejo de intervir muito para além do acto criativo, a persistência na abordagem de questões-chave como a condição humana, tocada pelo absurdo, e uma obsessão com as questões da nacionalidade, no que constitui uma relação bastante dúbia com os acontecimentos. Além de uma rara capacidade para traduzir interpretações em imagens poderosas, que o foram em datas concretas, contribuindo em muito para um imaginário colectivo da sociedade portuguesa do pós 25 de Abril.»
(excerto)

© João Abel Manta

sábado, 21 de junho de 2008

Novidades

Ficarão disponíveis no fim da próxima semana dois novos títulos:

— Correspondências — Vieira da Silva por Mário Cesariny, com reproduções de obras e cartas de Mário Cesariny, Maria Helena Vieira da Silva e Arpad Szenes;

— Filho Pródigo, de José Agostinho Baptista.


Edição brochada (80 pp.)
Temas: Arte; Literatura; Poesia; Correspondência
Preço:18 €








Assinala-se este ano o centenário do nascimento da pintora portuguesa Maria Helena Vieira da Silva (1908-1992). Com este livro, procuramos fornecer uma visão (até agora pouco conhecida) desta artista: a de Mário Cesariny. Assim, o presente volume vem dar conta da amizade que uniu o surrealista e o casal Arpad Szenes – Vieira da Silva. Por meio de fotografias, obra pictórica e correspondência trocada entre os três artistas, é testemunhado o grande afecto e admiração que trocaram. O casal e a sua produção artística estão fortemente presentes na obra de Cesariny: este pintou-os, estudou-os, escreveu-lhes poemas e até uma obra: Vieira da Silva – Arpad Szenes ou o Castelo Surrealista.
Correspondências assume-se como precioso testemunho desta amizade, mas também documento de estudo desta parte mais íntima da obra dos três artistas.


Edição brochada (112 pp.)
Classificação: Poesia
Preço: 13 €








«MENSAGEM

Levo-te pela mão, meu filho triste,
e assim havemos de abrir um sulco perfeito,
no coração desta terra.
No teu coração,
há uma ferida sem fim,
eu sei,
e sei que encontrarás nos desertos do mundo,
nas cidades do mundo,
os sinais da tua mágoa.
Agora, onde estou, é sempre tarde.
Vejo-te a entrar na grande noite dos teus mares,
e acendo,
com a minha saudade,
uma luz intensa sobre os recifes.
Não penses que neste alto alpendre não velo o
teu sono,
enquanto espero por ti.»

sexta-feira, 20 de junho de 2008

Diário (1941-1943), de Etty Hillesum

Etty Hillesum, Diário 1941-1943, Assírio & Alvim
6 estrelas


«Passaram mais de quatro décadas até que os Diários de Etty Hillesum, holandesa, judia e intelectual morta em Auschwitz, em 1943, fossem publicados na Holanda, iniciando-se a sua tradução para várias línguas nos anos seguintes. A Assírio & Alvim publica-os agora em português, na colecção Teofanias, tornando acessível um texto que merece inúmeras releituras, não só pela saúde daquilo a que chamamos memória, como pelo abismo de questões e reflexões que cada página convoca.
A capacidade premonitória com que faz uma análise, sempre nítida, do momento histórico que vive tem tanto de assombroso como de angustiante. Etty prepara-se para o campo de concentração como quem sabe, sem espaço para dúvida, que esse passo será inevitável, e ainda assim não o faz de modo resignado ou desistente, ainda que todo o edifício teórico e espiritual que sustenta tal estado de alma seja, em muitos passos da leitura, de difícil assimilação: "'Quando uma pessoa leva uma vida interior, talvez nem haja assim tanta diferença entre estar fora ou dentro dos muros de um campo.' Será que irei conseguir justificar a mim mesma estas palavras mais tarde? Será que as conseguirei pôr em prática?" (p.175). E quando, perto do fim do Diário, esse momento se prefigura para breve, a leitura dos registos dos últimos dois anos torna-se mais clara, como se toda a aprendizagem de si que Etty fez ao longo desse tempo tivesse sido também uma espécie de lucidez crescente, um conjunto de passos cada vez mais seguros para a vivência que se seguiria, e que os leitores já não poderão acompanhar. Apesar disso, a lucidez com que Etty afirma a necessidade de uma memória futura do momento histórico que vive é constante, ainda que a sua opção tenha sido a de construir essa memória menos pela descrição dos factos ("«Não quero ser a cronista dos horrores. Há-de haver outros em número suficiente.", p.326) do que pela análise, levada às últimas consequências da indagação e do auto-enfrentamento, da humanidade e da sua condição.»

Sara Figueiredo Costa (texto publicado na revista Time Out)