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sábado, 23 de novembro de 2013

Herberto Helder (23/11/1930)


Fotografias do espólio de Alberto Lacerda



até cada objecto se encher de luz e ser apanhado
por todos os lados hábeis, e ser ímpar,
ser escolhido,
e lampejando do ar à volta,
na ordem do mundo aquela fracção real dos dedos juntos
como para escrever cada palavra:
pegar ao alto numa coisa em estado de milagre: seja:
um copo de água,
tudo pronto para que a luz estremeça:
o terror da beleza, isso, o terror da beleza delicadíssima
tão súbito e implacável na vida administrativa


Herberto Helder, in «Servidões», Assírio & Alvim, 2013.

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Ofício Cantante


e tu viras vibrantemente a cabeça
e entre a tua cabeça e a minha cabeça a luz é tratada
segundo a maravilha


domingo, 5 de junho de 2011

O rio passa, passa


O rio passa, passa
e nunca cessa.
O vento passa, passa
e nunca cessa.
A vida passa:
nunca regressa.



América, Aztecas, 
Versão de Herberto Helder, in Rosa do Mundo - 2001 poemas para o futuro

domingo, 15 de maio de 2011

Herberto Helder - poema inédito

 {para ler poema, clicar na imagem}

«Público», 15 de Maio de 2011

terça-feira, 8 de março de 2011

Mulher

Começa o tempo onde a mulher começa

Herberto Helder, Ofício Cantante.

terça-feira, 23 de novembro de 2010

Herberto Helder

Photomaton & Vox, 4ª edição, Julho de 2006; Ofício Cantante - poesia completa, Janeiro de 2009; Os Passos em Volta, 10ª edição, Novembro de 2009; As Magias. Alguns exemplos - poemas mudados para português, Outubro de 2010; O Bebedor Nocturno - poemas mudados para português, Outubro de 2010.

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

2 «Gato Maltês» + 2 «Alfinete»


Brevemente na sua livraria.

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

«Os Passos em Volta», de novo nas livrarias

«Era uma vez um pintor que tinha um aquário com um peixe vermelho. Vivia o peixe tranquilamente acompanhado pela sua cor vermelha até que principiou a tornar-se negro a partir de dentro, um nó preto atrás da cor encarnada. O nó desenvolvia-se alastrando e tomando conta de todo o peixe. Por fora do aquário o pintor assistia surpreendido ao aparecimento do novo peixe.»

Herberto Helder, Os Passos em Volta, 2009 (1oª. edição, encadernada)

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Herberto, os índios Guaranis, a literatura e o cinema


–Instruções–
(Guaranis)


«Quando está prestes a nascer uma criatura que alegrará
quem ostenta a insígnia da masculinidade,
o emblema da feminilidade,
envia à terra uma palavra-alma para nela encarnar»,
disse o Pai Primeiro
aos pais verdadeiros das palavras-almas dos filhos.
«Então à boa palavra-alma que enviares à terra, para nela encarnar,
dirás:
enfrenta com muita força a morada terrestre;
mesmo que todas as coisas se ergam contra ti,
enfrenta-as com muita força.
Guarda-me no teu coração.
Farei com que a minha palavra circule em ti e te inspire.
Guarda-me no teu coração.
Farei com que os meus inúmeros e secretos filhos excelsos
digam palavras inspiradoras.
No tamanho do coração, no dom de esconjurar os malefícios,
não haverá na terra ninguém como os meus inúmeros e
secretos filhos excelsos.
Então, quando estiveres com muita força na morada terrestre,
inspirado pelas palavras-almas,
nada te alcançará com tanta força na morada terrestre,
nada contra a tua palavra-alma inspirada com muita força.»

Poemas Ameríndios, poemas mudados para português por Herberto Helder, Assírio & Alvim, 1997.


«Birdwatchers, seleccionado para a competição no Festival de Veneza, chama a atenção para a luta dos índios Guarani-Kaiowá do Brasil, cujas terras estão a ser destruídas para a produção de bio-combustíveis para automóveis e outros veículos.»

Herald Tribune

«[...] a questão era “como” fazer o filme, com que linguagem cinematográfica, com que estratagemas. Sabia que o problema principal seria escolher os actores que interpretariam aquelas histórias. Mas que actores profissionais poderiam fazê-lo? Depois encontrei a resposta a esta pergunta numa tarde, durante uma reunião com uma autoridade do governo: aqueles homens e mulheres indígenas que observavam enquanto falavam em voz alta com as autoridades de Brasília possuíam uma arte retórica sofisticada, sabiam falar num modo convincente, com grande controlo das palavras e do corpo. A partir daquele momento tive a certeza absoluta de que o filme existiria apenas se conseguisse tornar aqueles indígenas os seus protagonistas. Sem eles não faria sentido. A fim de confirmar aquela minha primeira intuição pedi a um jovem indígena de nome Osvaldo, da comunidade de Ambrósio, se lhe interessava ser actor num filme. Perguntou-me o que queria dizer ser actor num filme, e eu respondi-lhe que ser actor significava representar uma personagem, que tinha necessidade de aprender a recitar. Ele pensou nisso durante um segundo e respondeu-me “mas eu já recito todos os dias”. “E quando?”, perguntei: “Todos os dias, quando rezo” respondeu. Os seus rituais são representações “teatrais”, manifestações e diálogos com Nhanderu, o seu Deus. Recitar está presente na sua tradição milenar.»
Marco Bechis, realizador de Birdwatchers – A Terra dos Homens Vermelhos (fotos acima), em exibição numa sala perto de si.


Também na Assírio & Alvim: Colecção «Coisas de Índios»

sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

Inéditos de Herberto Helder


Para esclarecer as dúvidas de alguns leitores e livreiros que nos têm chegado nos últimos dias, reproduzimos a seguir a estrutura fundamental do índice de Ofício Cantante, «título escolhido para a primeira publicação, em 1967, de poemas reunidos do autor [...] agora recuperado para a sua poesia completa», conforme reza a nota editorial de abertura desta edição.
A COLHER NA BOCA [pp. 7-102], POEMACTO [103-124], LUGAR [125-182], COMUNICAÇÃO ACADÉMICA [183-186], A MÁQUINA LÍRICA [187-214], A MÁQUINA DE EMARANHAR PAISAGENS [215-221], HÚMUS [223-239], CINCO CANÇÕES LACUNARES [241-257], OS BRANCOS ARQUIPÉLAGOS [259-269], ANTROPOFAGIAS [271-296], ETC. [297-302], EXEMPLOS [303-316], O CORPO O LUXO A OBRA [317-328], DEDICATÓRIA [329-347], FLASH, [349-367], A CABEÇA ENTRE AS MÃOS [369-396], ÚLTIMA CIÊNCIA [397-438], OS SELOS [439-467], OS SELOS, OUTROS, ÚLTIMOS [469-482], DO MUNDO [483-531], A FACA NÃO CORTA O FOGO [533-618].
Para além de poemas retrabalhados e aumentados, refira-se ainda que A Faca Não Corta o Fogo, agora parte integrante dos poemas reunidos em Ofício Cantante, acrescenta 10 poemas inéditos à edição súmula & inédita de 2008.


quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

do saibro irrompe a flor do cardo

do saibro irrompe a flor do cardo,
flor amarela,
entre o cascalho estelar amadurece a lua,
mãe há só uma:
que pela mesma vulva expulsa
mijo, mênstruo e filho
herberto helder, Ofício Cantante - poesia completa.

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

Aos amigos

Amo devagar os amigos que são tristes com cinco dedos de cada lado.
Os amigos que enlouquecem e estão sentados, fechando os olhos,
com os livros atrás a arder para toda a eternidade.
Não os chamo, e eles voltam-se profundamente
dentro do fogo.
— Temos um talento doloroso e obscuro.
Construímos um lugar de silêncio.
De paixão.

Herberto Helder