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terça-feira, 16 de outubro de 2012

«5 Livros, 5 Autores», no Centro Nacional de Cultura

(clique na imagem para a aumentar)


Hoje no Centro Nacional de Cultura, pelas 19h00, fala-se de «Tempo da Música, Música do Tempo», de Eduardo Lourenço e de «De Amore», de Armando Silva Carvalho. Com Gilda Oswaldo Cruz, João Barrento, Ana Marques Gastão, Guilherme d'Oliveira Martins e a presença dos autores. Não falte!

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

«Observação do Verão», de Gastão Cruz

978-972-37-1608-5


ANOITECER EM BUENOS AIRES

As longas avenidas talvez imaginárias
demonstram-me a existência de lugares
que poderiam ter-me pertencido
numa idade passada; é irreal

agora percorrê-las: tê-lo-ia
sido sempre, não poderia haver
motivo para dor num tempo que com este
presente se divide; é um espectro tardio

o espaço finalmente criado pelo olhar:
aí estás olhando-me nos olhos
cidade sob a forma de jovem ser unívoco

ainda inexistente no tempo de uma vida
vivendo no espaço que não teve o seu tempo,
e tarde volta do tempo onde não esteve

«Tentativa e Erro - Poemas escolhidos e inéditos», de José Alberto Oliveira

978-972-37-1588-0

A REGRA DO JOGO


Adivinham-se tempos difíceis:
a obsessão apoderou-se das tribos;
uma vírgula pode ser um crime,
a ameaça esconde-se numa frase incompleta.
Os jornais encheram-se de notícias peregrinas,
os editoriais ponderam. Murmura-se
nas fileiras, a especulação prospera.
Com um salário que é como mau tecido,
depois da primeira lavagem, o funcionário público
poupa na fruta, no tabaco, no queijo. Amanhã,
de comboio, a História enfrentará o seu destino,
ou, pelo menos, uma cópia, que levará tempo
(medido em lustros) a rasurar.



«Dos seis livros que publiquei (excluindo traduções) Bestiário
fica de fora desta selecção, por ser um artefacto de natureza diferente. Em Por Alguns Dias incluí um poema («Natureza morta»), que foi publicado no Anuário de Poesia, e não encontrou, na altura, lugar naquele livro. A versão actual resultou de mudanças substanciais. Os poemas de Saídas Precárias são inéditos, à excepção de «Elizaveta Delibash», publicado, com outro título, num número da revista Margem, de homenagem a José Agostinho Baptista.»
José Alberto Oliveira

«Caminharei Pelo Vale da Sombra», de José Agostinho Baptista

978-972-37-1594-1


Nos tímpanos,
como um acorde desmedido,
a cava respiração dos desertos assola-te.
Contorces-te, quando me aproximo,
e benditos são os frutos do teu ventre, no oásis onde
amadurecem.
Mas não temos tempo.
Envelhecemos,
vamos e voltamos,
e ao irmos e virmos, somos a errância dos pés, entregues
à sua mecânica,
indiferentes aos pesares,
desfalecendo, retomando a marcha,
a estrada tantas vezes percorrida por uns olhos abertos
que já não vêem,
tão habituados a reter nas suas órbitas as paisagens do
desalento.

sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

Poesia Inédita Portuguesa - colheita de 2010