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terça-feira, 26 de novembro de 2013

Mário Cesariny (09/08/1923 § 26/11/2006)

(clique na imagem para a aumentar)


ALEGORIA DO MUNDO NA PASSAGEM DE ARNALDO DE VILLANOVA

Ouro trigo leão e prata e crina
te esperam sob o vaso menstrual
Separarás primeiro a água e a mina
porque a Água não é um mineral

No coágulo te espera areia fina
e sob a areia planta sideral
que ao manto do Rei Verde se combina
porque a Planta não é um vegetal

Ao homem cabe o Ouro de buscá-lo
E a sua cria       morta ou imortal
tirá-la-ás do ventre de cavalo
porque o Homem não é um animal

E se o espelho de cobre te fascina
se te aparece o Monstro do Umbral
que à ígnea terra o astro abismo ensina
e nas trevas afunda       o Bem e o Mal

Reduz expurga fende e ilumina
e com espada de fogo talha e inclina
porque o Fogo não é o seu sinal


Mário Cesariny, in «Uma Grande Razão — os poemas maiores», ed. Assírio & Alvim.


sexta-feira, 9 de agosto de 2013

Mário Cesariny § 09/08/1923 — 26/11/2006

Mário Cesariny em Tenerife. Fotografia de Perfecto Cuadrado



YOU ARE WELCOME TO ELSINORE

Entre nós e as palavras há metal fundente
entre nós e as palavras há hélices que andam
e podem dar-nos morte    violar-nos    tirar
do mais fundo de nós o mais útil segredo
entre nós e as palavras há perfis ardentes
espaços cheios de gente de costas
altas flores venenosas    portas por abrir
e escadas e ponteiros e crianças sentadas
à espera do seu tempo e do seu precípicio

Ao longo da muralha que habitamos
há palavras de vida    há palavras de morte
há palavras imensas, que esperam por nós
e outras, frágeis, que deixaram de esperar
há palavras acesas como barcos
há palavras homens, palavras que guardam
o seu segredo e a sua posição

Entre nós e as palavras, surdamente,
as mãos e as paredes de Elsenor

E há palavras nocturnas palavras gemidos
palavras que nos sobem ilegíveis à boca
palavras diamantes palavras nunca escritas
palavras impossíveis de escrever
por não termos connosco cordas de violinos
nem todo o sangue do mundo nem todo o amplexo do ar
e os braços dos amantes escrevem muito alto
muito além do azul onde oxidados morrem
palavras maternais só sombra só soluço
só espasmo só amor só solidão desfeita

Entre nós e as palavras, os emparedados
e entre nós e as palavras, o nosso dever falar

in «A Única Real Tradição Viva — Antologia de Poesia Surrealista Portuguesa» (organização de Perfecto E. Cuadrado).




segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Textos e poemas de Adolfo Luxúria Canibal e Mário Cesariny ditos por Adolfo Luxúria Canibal [convite para lançamento]

{clicar na imagem para a aumentar}

domingo, 11 de dezembro de 2011

Estilhaços e Cesariny


ESTILHAÇOS E CESARINY
textos e poemas de
Adolfo Luxúria Canibal e Mário Cesariny
ditos por
Adolfo Luxúria Canibal


Adolfo Luxúria Canibal (voz ) / António Rafael ( piano, teclados, programações ) / Henrique Fernandes (contrabaixo eléctrico ) / Jorge Coelho ( guitarra eléctrica )

 
Assírio & Alvim / Fundação Cupertino de Miranda

[ este livro contém um CD com 52’02” ]



                                                                                   ©Eduardo Tomé
Esta edição da Assírio & Alvim 
em colaboração com a Fundação Cupertino de Miranda 
foi publicada propositadamente para

«Mário Cesariny – Encontros V»
organização Fundação Cupertino de Miranda 
comissários Perfecto E. Cuadrado e António Gonçalves

dias 15, 16 e 17 de Dezembro de 2011

[ informação completa aqui ]


terça-feira, 9 de agosto de 2011

Mário Cesariny {Lisboa, 9-VIII-1923 / 26-XI-2006}

Mário Cesariny na Costa da Caparica
[Fotografia de Perfecto Cuadrado]

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Mário Cesariny [9/VIII/1923 - 26/XI/2006]

Ama como a estrada começa
Mário Cesariny, Pena Capital


quinta-feira, 18 de novembro de 2010

O Primeiro Livro de...



ISBN: 978-972-37-1564-4

O primeiro livro publicado por Mário Cesariny é também o início de uma nova colecção na Assírio & Alvim — «O Primeiro Livro de…», que publicará em fac-símile o primeiro livro publicado por diversos autores.

Brevemente na sua livraria.

domingo, 9 de agosto de 2009

Mário Cesariny § 9/8/1923 — 26/11/2006


in Poemas de Mário Cesariny; ditos por Mário Cesariny.

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

Louvor e Simplificação de Álvaro de Campos

Há uma hora, há uma hora certa
que um milhão de pessoas está a sair para a rua
Há uma hora desde as sete e meia horas da manhã
que um milhão de pessoas está a sair para a rua
Estamos no ano da graça de 1946
em Lisboa a sair para o meio da rua

Saímos? mas sim, saímos!

[...]

Mário Cesariny

quarta-feira, 26 de novembro de 2008

Mário Cesariny

«Entre nós e as palavra há metal fundente
entre nós e as palavras há hélices que andam»

Mário Cesariny (9 de Agosto de 1923 — 26 de Novembro de 2006)