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quarta-feira, 23 de setembro de 2015

Já nas livrarias


segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Livro Rosé

O destino que me leva a vir a ser, mais tarde ou mais cedo, presidente de Portugal, é a convicção de que os assuntos melindrosos do Estado e dos seus ridículos protocolos exigem alguém mais esclarecido quanto ao que se pode fazer por este conjunto de partes que são os Portugueses, e com o fantasma, por um lado, e a máquina, pelo outro, que é «Portugal». Tem faltado um bom ponta-de-lança na Presidência para que este estimado público a que presunçosamente chamamos cidadãos se sinta estimulado a fazer o mesmo na sua vida passional e profissional. Chega de miséria sexual!

Recolha, selecção de textos, conspiração e edição: Pedro Proença
ISBN: 978-972-37-1559-0

domingo, 19 de dezembro de 2010

Tomás de Aquino na colecção «Teofanias»


«Assim como se pode considerar São Francisco o protótipo dos aspectos romanescos e emotivos da vida, assim São Tomás é o protótipo do seu aspecto racional, razão por que, em muitos aspectos, estes dois santos se completam. Um dos paradoxos da história é que cada geração é iluminada pelo santo que se encontra mais em contradição com ela. E, assim como São Francisco se dirigia ao século XIX prosaico, assim São Tomás tem uma mensagem especial para a nossa geração, inclinada a desacreditar da razão.»

G.K. Chesterton

«Neste longo caminho, S. Tomás ocupa um lugar absolutamente especial, não só pelo conteúdo da sua doutrina, mas também pelo diálogo que soube instaurar com o pensamento árabe e hebreu do seu tempo. Numa época em que os pensadores cristãos voltavam a descobrir os tesouros da filosofia antiga, e mais directamente da filosofia aristotélica, ele teve o grande mérito de colocar em primeiro lugar a harmonia que existe entre a razão e a fé.»

João Paulo II, «Fides et Ratio»

Tradução e prefácio: Artur Morão / ISBN: 978-972-37-1533-0

Vidas Imaginárias


«Em geral os biógrafos acreditaram, infelizmente, que eram historiadores. E assim nos privaram de retratos admiráveis. Acharam que só a vida dos grandes homens podia interessar-nos. A arte é estranha a estas considerações. Aos olhos do pintor, o retrato que Cranach fez de um homem desconhecido tem tanto valor como o retrato de Erasmo. Não é graças ao nome de Erasmo que esse quadro é inimitável. A arte do biógrafo seria dar o mesmo preço à vida de um pobre actor e à vida de Shakespeare.»

Marcel Schwob

Tradução e apresentação de Aníbal Fernandes
ISBN: 978-972-37-1553-8

domingo, 12 de dezembro de 2010

Muitas e maravilhosas surpresas


Quer espreitar?
Vá à sua livraria habitual, peça para ver e... embarque numa maravilhosa viagem, feita de construções de cartão que se erguem das páginas, por mitos e lendas de todo o mundo. Boa viagem!

Enciclopédia Mitológica - Deuses & Heróis
Matthew Reinhart e Robert Sabuda
Tradução e adaptação: Helder Moura Pereira
Colecção Assirinha / 27
ISBN 978-972-37-1466-1

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Se as Coisas não Fossem o que São


Apagaram-se as luzes azuis da ambulância
e mais ficou na nossa imagem a cor do sangue.
No trajecto vi mais o teu ser do que à mesa,
na cama, no trabalho, o que vi deixou-me
descansado: humano, demasiado humano.
Tudo podia ter sido mais fácil, eis o que pode
dizer qualquer um, e mesmo que quase não
haja dinheiro para o táxi e te sintas à beira
do precipício, levanta a garganta e berra
para aí até já não haver quem te oiça.
Da missa metade não soube em tua história
e também não é preciso, todos nós já corremos
para um hospital e viemos de lá a cheirar
a doença e a morte. Por nós ou por outros,
nessa grande casa da tristeza e do alívio,
democracia total o acaso que dispara
e acerta ou não acerta em quem vai a passar.
Alguém te segura à beira da derrocada
e te pergunta saberás se lá no fundo há
algo que valha a pena? Pode ser que sim,
pode ser que não, ninguém sabe.

O mais recente livro de Helder Moura Pereira, já disponível nas livrarias.

Porquê e Para Quê? - Pensar com esperança o Portugal de hoje

O melhor de Portugal pouco aparece e não abre geralmente os noticiários. Mas existe e por ele mesmo continuamos nós a existir. Apesar de tudo, mas não apesar de nós.


Porquê e Para Quê? — Pensar com esperança o Portugal de hoje
reúne as principais intervenções de D. Manuel Clemente no campo plural que é o da cultura, entre 2009 e 2010. Conservam-se as referências temporais, mas não são elas a determinar a sequência. Antes, ousamos sublinhar afinidades e correspondências entre os textos, sem contudo forçar uma compartimentação.
De facto, um traço maior do pensamento do actual Bispo do Porto é precisamente o contrário: ele coloca em relação passado e presente, comum e singular, religioso e profano, as verdades penúltimas que seguimos e aquelas que se desenham misteriosamente últimas.
Neste tempo português carregado de incertezas, esta antologia pretende documentar a vivacidade de um pensamento rigoroso e polifónico que se abre, e nos abre, à esperança.

Manuel Clemente Nasceu em Torres Vedras a 16 de Julho de 1948. É licenciado em História e Teologia e doutorado em Teologia Histórica. Em 1975 começou a leccionar na Universidade Católica Portuguesa, tornando-se depois director do Centro de Estudos de História Religiosa dessa instituição. Em Junho de 1979 foi ordenado presbítero; vinte anos depois, em Novembro de 1999, foi nomeado Bispo Auxiliar de Lisboa, com o título de Pinhel, e em de Janeiro de 2000, ordenado na Igreja de Santa Maria de Belém (Jerónimos). Em 2007, o Vaticano nomeou-o Bispo do Porto. Publicou na Assírio & Alvim Portugal e os Portugueses e 1810-1910-2010 — Datas e Desafios.

domingo, 28 de novembro de 2010

José Afonso - Todas as Canções



«"José Afonso é o nosso maior cantor de intervenção!"
Este elogio tão consensual e aparentemente tão generoso é a forma mais eficaz de liquidar a obra do grande mestre da música popular portuguesa no que ela tem de universal e de artisticamente superior.
Não é sequer uma meia verdade. É, de facto, uma «falsa» verdade.
Reduzir José Afonso ao cantor de intervenção, que ele também foi, é induzir no grande contingente de distraídos a ideia de menoridade artística, (mal) associada à canção política.
É claro que, numa análise larga, podemos considerar cada cantiga de José Afonso uma canção de intervenção, na medida em que todas elas reflectem a sua forma de estar na vida e de a observar. Desse ponto de vista, cada uma das suas cantigas foi concebida deliberadamente à revelia da ideologia dominante e contra ela.
Na realidade, porém, as canções de conteúdo expressamente político são até minoritárias no conjunto da sua obra.
Arrumar José Afonso na gaveta da canção de intervenção, é não compreender que a dimensão da sua obra está ao nível do que de mais importante se fez na música popular universal do século XX. E se não teve o impacto mundial que merecia, foi tão-somente porque ele nasceu onde nasceu.
Além disso, essa etiqueta é um óptimo álibi para que os divulgadores musicais o possam banir com toda a tranquilidade. Porque "a música de intervenção já teve o seu tempo e já não interessa ao grande público".
Mas sejamos justos: se a rádio e a televisão ignoram a obra de José Afonso, esse facto não se deve apenas ao analfabetismo musical e ao mau gosto de muitos dos seus directores de programas. Deve-se também às imposições do mercado, para o qual e com o qual esses directores trabalham.
Sintomaticamente, essa marginalização não tem hoje reflexo no meio musical. Pelo contrário, de há uns anos a esta parte, José Afonso passou a ser o autor mais cantado por todas as gerações e diferentes escolas de músicos.
Este facto atesta bem a sua importância na história da música popular portuguesa. Graças ao seu talento excepcional, renovou a nossa canção popular a partir da tradição musical coimbrã em que se iniciou, integrando novas influências e marcando decisivamente as gerações seguintes. A esse papel não são estranhos três factores resultantes da sua própria vivência: o meio universitário coimbrão, culto e boémio, onde estudavam jovens oriundos de zonas rurais ou semi-rurais, que integrava já, na tipicidade das suas baladas, fortes influências da poesia e da música tradicionais de várias regiões do país, sobretudo das Beiras e dos Açores; a instabilidade, pouco normal para a época, da sua infância e da sua adolescência, que muito cedo o levou a contactar com meios socioculturais muito diferentes; uma cultura literária acima da média, adquirida sobretudo em Coimbra, que contribuiu para elevar os seus padrões de qualidade no uso da palavra cantada.
Mestre incontestado da canção popular portuguesa, simultaneamente um genial autor e intérprete de canções, cidadão exemplar e incansável lutador pela liberdade e pela justiça no contexto da ditadura salazarista, mas também no pós 25 de Abril, a sua vasta obra discográfica, iniciada em 1953 e terminada em 1985, constitui um manancial inesgotável de inspiração e de aprendizagem.
José Afonso deixou-nos em 1987. Num país tremendamente desculturado e desatento foi preciso esperar quase um quarto de século para ver aparecer o presente trabalho, que reúne as partituras de todas as 159 canções que gravou, com as respectivas letras e cifras, exceptuando apenas os fados de Coimbra de autoria alheia que interpretou.
Para que este livro possa constituir um complemento de alguma utilidade para quem pretender conhecer e estudar a sua obra, optámos pela transcrição fidedigna do que está registado nos fonogramas, independentemente de pensarmos, num ou outro caso, que poderia haver outras soluções ao nível da estrutura ou da harmonia. Pela mesma razão, não sugerimos qualquer hipótese de harmonização, quando a harmonia não é evidente no arranjo.
Apenas nos permitimos alterar a tonalidade de algumas canções na transcrição, nos seguintes três casos:
— Para que a partitura reflicta a digitação utilizada, nas situações em que a afinação habitual das violas foi alterada;
— Quando os instrumentistas utilizaram um transpositor;
— No limite, quando a tonalidade da gravação, com pequena diferença de tessitura, poderia dificultar desnecessariamente a leitura e a execução.
A autoria das letras e das músicas é de José Afonso, excepto quando são indicados outros autores.
Esperamos que este José Afonso — Todas as canções possa contribuir para um melhor conhecimento e estudo deste precioso património.»

Guilhermino Monteiro
João Lóio
José Mário Branco
Octávio Fonseca

Brevemente na sua livraria, onde já pode reservar o seu exemplar.

ISBN: 978-972-37-1567-5; 352 páginas; PVP: 22,00



quarta-feira, 24 de novembro de 2010

40 Canções de Tozé Brito

(clique na imagem para a aumentar)

«Para ser rigoroso, teria que levar esta história ao princípio: a 25 de Agosto de 1951. Foi nesse dia que nasceu — em Cedofeita, Porto — António José Correia de Brito. Para ser prático, permito-me saltar alguns anos e passar em claro a aprendizagem familiar do piano, depressa trocado pela guitarra e, finalmente, pelo baixo, deixando à vista um músico que começa pelos grupos que a geografia de adolescente lhe permite. Outro salto e eis-nos chegados ao ponto de referência, uma canção chamada “You’ll See”, um dos hinos da banda Pop Five. Hoje, como compositor e/ou autor, o mesmo rapaz, amigavelmente rebaptizado como Tozé, tem registadas mais de 250 canções na Sociedade Portuguesa de Autores. A solo também cantou, mas preferiu sempre os grupos, como o Quarteto 1111, os Green Windows (ambos com José Cid, ao menos na génese) ou os Gemini. Foi abrindo o talento e o trabalho a muitas das vozes mais marcantes do panorama musical português e ficou como um dos mais assíduos criadores para o Festival RTP da Canção. Foi produtor e editor, bateu recordes de vendas e de exposição radiofónica com Carlos do Carmo e Adelaide Ferreira, com as Doce e Vítor Espadinha, com Ana Moura e Simone. Nunca parou de compor e a passagem do tempo permite-nos perceber que as suas canções o atravessam, sem desgaste nem erosão. Já sabíamos — ou tentávamos — cantá-las de cor. Agora, com este Songbook em que qualidade e variedade formam a rima perfeita, vamos aprender a tocá-las. E não vai custar nada, porque — tal como o seu autor — são simples e deixam marcas. Mãos à obra.»

João Gobern

Lançamento e sessão de autógrafos: 25 de Novembro, quinta-feira, às 19h00, na Livraria Assírio & Alvim, Rua Passos Manuel, 67b, em Lisboa. Apresentação por João Gobern.

domingo, 21 de novembro de 2010

Flores da Arrábida - guia de campo

[Convite]

[clicar na imagem para a aumentar]

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

O Primeiro Livro de...



ISBN: 978-972-37-1564-4

O primeiro livro publicado por Mário Cesariny é também o início de uma nova colecção na Assírio & Alvim — «O Primeiro Livro de…», que publicará em fac-símile o primeiro livro publicado por diversos autores.

Brevemente na sua livraria.

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Uma novela académica

Uma novela académica cuja intriga não se centra na Universidade. Uma acção que decorre em cerca de vinte minutos e que, todavia, abarca mais de quarenta anos da História portuguesa recente. Um protagonista com a solene graça de Francisco de Villa-Verde que os outrora companheiros de armas tratavam por Xico-Xicão. Um académico quase nada respeitado que acaba por ser indigitado Presidente do Instituto Camões. Uma esposa praticante de espartanos jejuns sexuais que, na juventude, fora uma imaginativa sedutora. Um autarca, fugaz universitário, que sonhava ser consiglieri. Uma bela e esbelta russa recentemente designada leitora de português em Sevilha. Um neófito adepto do Acordo Ortográfico, incapaz de ler um jornal brasileiro. Um cantor de charme francês destronado por uma cantora pop inglesa. Um parágrafo que nunca mais acaba!
Surpreendido? Bem, muito mais ficará depois de ler tudo isto e muito mais em Inveja - uma novela académica, novo livro de Mário Avelar que é lançado hoje, segunda-feira, às 18h30 na livraria Assírio & Alvim, R. Passos Manuel 67B, em Lisboa. Contamos com a sua presença.


«Entre o começo e o fim desta narrativa, que em pinceladas fortes nos dá a ver tudo o que de pior vai acontecendo na esfera da política, uma outra lição nos é proposta: a de lermos nas entrelinhas os autores da grande literatura que frequentemente são citados ou evocados, e nos lembram que há mais mundo para além do apertado mundo do espesso e caricato Villa-Verde.
Mário Avelar demonstra, enquanto ironiza, uma cultura musical que a muitos especialistas faria inveja, uma formação literária e artística que a todos os que de verdade amam a literatura e a arte devolvem a esperança. Foi o meu caso, e será o caso de muitos outros leitores como eu. Terá esta novela chegado a tempo? Não apenas de nos divertir, de nos instruir sobre o teatro do mundo, mas também de obrigar os responsáveis a que emendem a mão?»

Yvette K. Centeno, Colóquio Letras, nº 175, 2010.

ISBN: 978-972-37-1477-7. Nas livrarias até ao fim desta semana.

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

José Augusto Mourão apresenta «A Noite Abre Meus Olhos»

(clique na imagem para a aumentar)

Leitura de poemas por Jorge Vaz de Carvalho (barítono, tradutor do livro Canções de Inocência e de Experiência, de William Blake, Assírio & Alvim, 2009).

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

João Barrento* apresentou «Anthero, Areia & Água»

(clique na imagem para a aumentar)

Por impedimento de José Tolentino Mendonça, inicialmente anunciado (conforme convite acima), coube a João Barrento a apresentação do novo livro de Armando Silva Carvalho. A sessão contou com a presença de muitos leitores e amigos que encheram a sala da Assírio & Alvim Livros, no Chiado. O nosso obrigado a todos. Um obrigado muito especial a João Barrento.

domingo, 17 de outubro de 2010

Aves de Portugal

Aves de Portugal — Ornitologia do território continental pretende constituir-se como uma referência incontornável na ornitologia portuguesa. Este trabalho, que é simultaneamente o mais abrangente e o mais exaustivo alguma vez feito sobre a avifauna de Portugal Continental, é o resultado de décadas de experiência de campo dos autores e de uma pesquisa dirigida de mais de 10 anos. Essa pesquisa permitiu recolher informação sobre a ocorrência de mais de 450 espécies de aves. A situação passada e presente de cada uma delas é descrita em pormenor ao longo das 943 páginas que compõem a obra, que é suportada por mais de 1500 referências bibliográficas.
O livro contém ainda uma descrição dos principais habitats do país, bem como uma resenha histórica da ornitologia nacional que apresenta grande quantidade de dados inéditos e que constitui a primeira abordagem global a este assunto alguma vez escrita. Disponibiliza também a primeira compilação exaustiva de aves anilhadas recapturadas em Portugal, com um total de mais de 9000 registos.
Para ilustrar a obra foram elaboradas 50 ilustrações, na sua maioria inéditas, de grande qualidade estética. Foram incluídas também 154 imagens da autoria de diversos fotógrafos portugueses, tendo ainda sido elaborados vários gráficos que permitem sintetizar informação relevante sobre algumas espécies.

Autores: Paulo Catry, Helder Costa, Gonçalo Elias e Rafael Matias
Colecção: Deméter 9 /
Formato: 17 x 24 cm /edição encadernada / 944 páginas
ISBN: 978-972-37-1494-4 / PVP: 38,00


Chegada prevista às livrarias: final da semana de 18-22 de Outubro de 2010.

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

2 «Gato Maltês» + 2 «Alfinete»


Brevemente na sua livraria.

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

«Um Arco Singular»

«_____________ a primeira imagem do Diário não é, para mim, o repouso na vida quotidiana, mas uma constelação de imagens, caminhando todas as constelações umas sobre as outras. Qualquer aprendiz imagético, quando sobe ao meu quarto e atravessa o meu escritório, tem o sentimento de que “um belo lixo de imagens se criou aqui”. Se for menos inocente dirá: “que belo luxo de imagens”. Eu diria: aqui está a raiz de qualquer livro.»


«[…]
Uma palavra ainda sobre o título encontrado para este segundo volume: o “arco singular” que nele se traça (sugerido pela leitura de Rilke) é múltiplo, e será decisivo para o resto da vida e da escrita de Maria Gabriela Llansol. Esse arco vai do entusiasmo inicial da experiência cooperativa de trabalho e ensino à desilusão final dessa vivência, tão típica de uma época de ideais alternativos e de contradições. É o arco da tensão crescente entre as imposições da sobrevivência e a “sobrevida” que só a escrita demais dois livros pode trazer, os que ocupam grande parte destes cadernos e deste período (A Restante Vida e Na Casa de Julho e Agosto). É o arco que vai da matéria medieval, e fascinante, do universo de beguinas, cátaros, gnósticos e alquimistas à descoberta da escrita e da existência de outras mulheres, escritoras do mesmo século XX, e grandes revelações, como Virginia Woolf e Katherine Mansfield. É, em termos de quotidiano estrito, o arco que vai da saída de Lovaina e do seu mundo mais cosmopolita à aparente felicidade da vida mais tranquila na casa de Jodoigne (que evoca vagamente a da infância, e por isso é objecto de tanta atenção) e ao anúncio da saída para o isolamento ainda maior de Herbais, que proporcionará finalmente uma existência quase exclusivamente preenchida pela escrita. O “arco singular” que este livro dá a ver é, enfim, o de uma linha parabólica sempre bidireccional e tensa, com um vórtice em cima e outro em baixo, entre os quais se desenrola o percurso de um ser de escrita que, como dirão mais tarde as últimas palavras de O Senhor de Herbais, sendo como poucos singular, nunca seria “uma singularidade vã”.»

João Barrento e Maria Etelvina Santos, na «Introdução»


Brevemente na sua livaria
Selecção, Transcrição, Introdução e Notas: João Barrento e Maria Etelvina Santos
Colecção: Arrábido 8 / Formato e acabamento: 14,5 x 20,5 cm, edição brochada / 288 páginas
ISBN: 978-972-37-1544-6 / PVP: 18,00

domingo, 3 de outubro de 2010

Anatomia do ensaio e do fragmento


«Em cada ensaio genuíno há bolsas de silêncio, suspensões da significação, bolhas em que o leitor pode respirar, interrogar, espantar-se, adivinhar. É “o texto inesgotável das nossas contradições” (Diderot), eterno preâmbulo que abre o apetite, cria o desejo – e o suspende.»


«Arrumo os fragmentos segundo uma ordem possível, afino a escrita, aparo a acutilância do conceito, tento um princípio organizativo que evidencie a progressão da experiência, do fenómeno – disseminado, anárquico – para a ideia –, concisa, fulguração a caminho de uma síntese. Acorrem primeiro imagens, metáforas produtivas, a palavra-maná que alimenta o delírio conformável a uma qualquer tecitura. Depois, pouco a pouco, o aglomerado informe poderá ir-se consolidando, convergindo para definições lapidares, provisórias, feixe de energia irradiante que permite ao pensamento ir progredindo. No acto de fruição dessas imagens – como alguém disse de um praticante do ensaio tão especial como Walter Benjamin – o sujeito vive-se já como ensaísta que soberanamente domina o mundo e que, no caleidoscópio do seu texto, faz fulgurar sempre novas conexões.
(Poderá o ensaio sobre o ensaio ser, ele próprio, uma demonstração viva de uma teoria ou fenomenologia do ensaio? Pode pelo menos, a cada momento, dar a ver ao leitor o lugar onde está, o patamar a que acedeu, o caminho que segue.)»

João Barrento

Brevemente na sua livraria.
Colecção: Peninsulares 96 / 14,5 x 20,5 cm, edição brochada / 160 páginas
ISBN: 978-972-37-1495-1 / PVP: 14,00

sábado, 2 de outubro de 2010

«O Anjo da História»


«[…]
Há um quadro de Klee intitulado Angelus Novus. Representa um anjo que parece preparar-se para se afastar de qualquer coisa que olha fixamente. Tem os olhos esbugalhados, a boca escancarada e as asas abertas. O anjo da história deve ter este aspecto. Voltou o rosto para o passado. A cadeia de factos que aparece diante dos nossos olhos é para ele uma catástrofe sem fim, que incessantemente acumula ruínas sobre ruínas e lhas lança aos pés. Ele gostaria de parar para acordar os mortos e reconstituir, a partir dos seus fragmentos, aquilo que foi destruído. Mas do paraíso sopra um vendaval que se enrodilha nas suas asas, e que é tão forte que o anjo já as não consegue fechar. Este vendaval arrasta-o imparavelmente para o futuro, a que ele volta costas, enquanto o monte de ruínas à sua frente cresce até ao céu. Aquilo a que chamamos o progresso é este vendaval.»

Walter Benjamin


Brevemente na sua livraria.
Tradução: João Barrento / Colecção: Obras de Walter Benjamin 4 / 224 páginas /
ISBN: 978-972-37-1361-9 / PVP: 17,00

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Poesia Chinesa

«O que entende a China de si mesma hoje, e o que abandona, consome e recicla a partir dos séculos XIX e XX? O que será deste famigerado “encontro” entre um Ocidente — mas não só — e a única civilização que radicalmente difere de nós e se mantém continuada e eficazmente viva?»

«Esta antologia é panorâmica e representativa, embora pessoal. A poesia chinesa é uma massa gigantesca: tem aqui uma gota de água, um breve leque para podermos ver-lhe a grandeza. Optamos por escolher poetas mas também poemas, embora não se tivessem explorado áreas que só recentemente no Ocidente foram mais trabalhadas (referimo-nos à poesia posterior ao século XVII).
[…]
Partindo do Livro dos Cantares e terminando com um dos últimos grandes poetas da China, Nara Singde [Nalan Xingde], a antologia cobre os principais géneros, autores e modos. Excluíram-se nomeadamente o fu e o poema longo (li sao) por questões de espaço. Figuram vários poemas anónimos e canções populares, que são um dos tesouros mais vivos desta poesia. A decisão de terminar com Nalan Xingde poderá parecer controversa. Ela deve-se, no entanto, a uma opção. É que, e embora conheça a poesia deste período relativamente mal, ela entra efectivamente em declínio, passando a vitalidade desta cultura para a pintura, um Shitao (1641-c.1710 ou 1720) por exemplo, para o romance, Shitouji (A História da Pedra), mais conhecido por o Sonho do Pavilhão Encarnado (Hongloumeng), ou para a historiografia, caso de Zhang Xuesheng (1738-1801). Além de que o poeta manchu é um digno fecho, e um certo romantismo seu anuncia aquele outro que a Europa, em breve, veria. Mas este encontro fica para outra vez.»

Gil de Carvalho [selecção e tradução]


Brevemente na sua livraria.

Colecção: Assíria 3 / 16 x 23 cm, edição brochada com badanas / 440 páginas

ISBN: 978-972-37-1341-1 / PVP: 22,00