Mostrar mensagens com a etiqueta Aniversários. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Aniversários. Mostrar todas as mensagens

terça-feira, 18 de novembro de 2014

Manuel António Pina — 18/11/1943 § 19/10/2012

(© António Sabler. Clique na imagem para a aumentar)



MATÉRIA DE ESTRELAS


Porque é tudo para sempre, mesmo a efémera morte,
encontrar-nos-emos eternamente
e nunca mais nos veremos.
O impossível volta a ser impossível. Para sempre.

Impossível é cada manhã aberta,
um deus sonha consigo através de nós.
Às vezes quase posso tocá-lo, ao deus,
surpreendê-lo no seu sono, também ele real e efémero.

Matéria, alma do nada,
os mortos ouvem a tua música sólida
pela primeira vez, como uma respiração de estrelas.
A sua intranquilidade transforma-se em si mesma, música.


Manuel António Pina, in «Todas as Palavras - poesia reunida (1974-2011)», ed. Assírio & Alvim.



ESTA NOITE, NO PORTO:

(clique na imagem para a aumentar)



quinta-feira, 6 de novembro de 2014

Sophia de Mello Breyner Andresen — 06/11/1919 § 02/07/2004

(clique na imagem para a aumentar)


INICIAL

O mar azul e branco e as luzidias
Pedras — O arfado espaço
Onde o que está lavado se relava
Para o rito do espanto e do começo
Onde sou a mim mesma devolvida
Em sal espuma e concha regressada
À praia inicial da minha vida


in «Dual», prefácio de Eduardo Lourenço, edição Assírio & Alvim

sábado, 1 de fevereiro de 2014

Fernando Assis Pacheco (01-02-1937 § 30-11-1995)

(clique na imagem para a aumentar)

3.

O dia em que nasci meu pai cantava
versos que inventam os pastores do monte
com palavras de lã fiada fina
cordeiro lírio neve tojo fonte

esta é uma velha história de família
para dizer como ele e eu chegámos
à raiz mais profunda do afecto
da qual nunca jamais nos separámos

nem Deus feito menino teve um pai
que o abraçasse e lhe cantasse assim
desde a primeira hora até ao fim

fui vê-lo ao hospital quando morria
olhos parados num sorriso leve
tojo cordeiro lírio fonte neve

Lisboa
28-XII-93

in «Respiração Assistida»

sábado, 23 de novembro de 2013

Herberto Helder (23/11/1930)


Fotografias do espólio de Alberto Lacerda



até cada objecto se encher de luz e ser apanhado
por todos os lados hábeis, e ser ímpar,
ser escolhido,
e lampejando do ar à volta,
na ordem do mundo aquela fracção real dos dedos juntos
como para escrever cada palavra:
pegar ao alto numa coisa em estado de milagre: seja:
um copo de água,
tudo pronto para que a luz estremeça:
o terror da beleza, isso, o terror da beleza delicadíssima
tão súbito e implacável na vida administrativa


Herberto Helder, in «Servidões», Assírio & Alvim, 2013.

terça-feira, 15 de outubro de 2013

Álvaro de Campos § 15/10/1890 — 30/11/1935


Arre, que tanto é muito pouco!
Arre, que tanta besta é muito pouca gente!
Arre, que o Portugal que se vê é só isto!
Deixem ver o Portugal que não deixam ver!
Deixem que se veja, que esse é que é Portugal!
Ponto.

Agora começa o Manifesto:
Arre!
Arre!
Oiçam bem:
ARRRRRE!


in Álvaro de Campos, «Poesia». Edição de Teresa Rita Lopes. Assírio & Alvim.

sexta-feira, 9 de agosto de 2013

Mário Cesariny § 09/08/1923 — 26/11/2006

Mário Cesariny em Tenerife. Fotografia de Perfecto Cuadrado



YOU ARE WELCOME TO ELSINORE

Entre nós e as palavras há metal fundente
entre nós e as palavras há hélices que andam
e podem dar-nos morte    violar-nos    tirar
do mais fundo de nós o mais útil segredo
entre nós e as palavras há perfis ardentes
espaços cheios de gente de costas
altas flores venenosas    portas por abrir
e escadas e ponteiros e crianças sentadas
à espera do seu tempo e do seu precípicio

Ao longo da muralha que habitamos
há palavras de vida    há palavras de morte
há palavras imensas, que esperam por nós
e outras, frágeis, que deixaram de esperar
há palavras acesas como barcos
há palavras homens, palavras que guardam
o seu segredo e a sua posição

Entre nós e as palavras, surdamente,
as mãos e as paredes de Elsenor

E há palavras nocturnas palavras gemidos
palavras que nos sobem ilegíveis à boca
palavras diamantes palavras nunca escritas
palavras impossíveis de escrever
por não termos connosco cordas de violinos
nem todo o sangue do mundo nem todo o amplexo do ar
e os braços dos amantes escrevem muito alto
muito além do azul onde oxidados morrem
palavras maternais só sombra só soluço
só espasmo só amor só solidão desfeita

Entre nós e as palavras, os emparedados
e entre nós e as palavras, o nosso dever falar

in «A Única Real Tradição Viva — Antologia de Poesia Surrealista Portuguesa» (organização de Perfecto E. Cuadrado).




quinta-feira, 1 de agosto de 2013

António Maria Lisboa § 01/08/1928 — 11/11/1953

(clique na imagem para a aumentar)



RÊVE OUBLIÉ

Neste meu hábito surpreendente de te trazer de costas 
neste meu desejo irreflectido de te possuir num trampolim 
nesta minha mania de te dar o que tu gostas 
e depois esquecer-me irremediavelmente de ti 

Agora na superfície da luz a procurar a sombra 
agora encostado ao vidro a sonhar a terra 
agora a oferecer-te um elefante com uma linda tromba 
e depois matar-te e dar-te vida eterna 

Continuar a dar tiros e modificar a posição dos astros 
continuar a viver até cristalizar entre neve 
continuar a contar a lenda duma princesa sueca 
e depois fechar a porta para tremermos de medo 

Contar a vida pelos dedos e perdê-los 
contar um a um os teus cabelos e seguir a estrada 
contar as ondas do mar e descobrir-lhes o brilho 
e depois contar um a um os teus dedos de fada 

Abrir-se a janela para entrarem estrelas 
abrir-se a luz para entrarem olhos 
abrir-se o tecto para cair um garfo no centro da sala 
e depois ruidosa uma dentadura velha 
E no CIMO disto tudo uma montanha de ouro 

E no FIM disto tudo um Azul-de-Prata. 


António Maria Lisboa, in «Poesia».


quinta-feira, 30 de maio de 2013

Antonio Gamoneda § 30/05/1931





Por trás da escuridão estão os rostos que me abandonaram.

Vi a sua pele trabalhada por relâmpagos. Agora

já só vejo, no instante amarelo,

o resplendor das suas pálpebras longínquas.


in «Oração Fria — antologia», de Antonio Gamoneda (organização e tradução de João Moita); 
ed. Assírio & Alvim, 2013.

quinta-feira, 14 de março de 2013

Secretário da Alma


A memória é o túmulo dos meus versos.
Haverá sempre mausoléus
Para a língua
Enquanto a boca invocar a palavra húmida de sangue,
Cálida de tempo, de breves alegrias e de humores
Onde a voz possa correr, livre,
Sem ser apunhalada pela industriosa mão,
Vazia, maquinal, da morte.

Todos temos corpos que os séculos hão-de consumir.
Mas a fala produz o pensamento,
A mão desenha a letra, o poema enaltece,
No leito sensual feito de frases
Adormece a beleza.
E a inocente, esquiva música das sílabas,
Enlouquecida,
Desperta.

Secretário da alma, o coração
Não descansa na laje da morada em que sossega.
Estremece nos seus sonhos,
E volve em seu redor o olhar desmesurado:
É dia de além sol, além lua, além distância,
Rasgadas as palavras de abandono
E luta. Mas a Terra é a escrita,
E o livro o Universo.


in «Anthero, Areia & Água» de Armando Silva Carvalho (14-03-1938)

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

Ruy Belo — 27/02/1933 § 08/08/1978


O poema «Muriel», dito por Luís Miguel Cintra.

sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

11 de Janeiro 1984 / quarta — 23h. / Sines, R. do Forte

(Clique na imagem para a aumentar)

[…]
[Cada vez escrevo / produzo menos, mas o pouco que produzo requer tempo. Requer toda a minha disponibilidade, toda a minha paixão. Não posso continuar com coisas exteriores à minha escrita a perturbarem-me. Tenho de avançar rapidamente com o projecto que me obceca há muito. O tempo faz-se escasso.
Faz um frio de partir os ossos. Os dias cheios dum sol espantoso, uma limpidez que se vê a costa até ao Cabo Sardão. Às vezes desejaria ter sido pastor, homem transumante. Ir e regressar, com o sol e com as chuvas, ir e regressar sempre com o ciclo das estações…
Fiz 36 anos, hoje, acabaram-se para sempre algumas coisas, outras iniciam-se agora, só a juventude não se recomeça nem tem início hoje… Tenho de começar a habituar-me à grande desolação dos dias, sempre mais vazios, sem ninguém, porque assim o quis.
A partir de hoje tenho o tempo todo para escrever, para não fazer nada, envelhecerei calmamente. Tenho a certeza. Não há tempo, ainda bem!]

in «Diários», de Al Berto (11-01-1948 § 13-06-1997)

sábado, 24 de novembro de 2012

Marque na sua agenda - mais informações em breve...

(clique na imagem para a aumentar)

quarta-feira, 14 de novembro de 2012

125 anos do nascimento de Amadeo de Souza-Cardoso

(clique na imagem para a aumentar)

Hoje comemora-se o 125.º aniversário do nascimento de Amadeo de Souza-Cardoso. Um excelente pretexto para revisitar a obra deste genial artista português, precocemente desaparecido. Por exemplo, através dos livros que publicámos na Assírio:

http://www.assirio.pt/livros?palavra=amadeo


sexta-feira, 9 de novembro de 2012

40 anos de livros e de imaginação

(clique na imagem para a aumentar)

sexta-feira, 7 de setembro de 2012

Camilo Pessanha § 07/09/1867 — 01/03/1926


AO LONGE OS BARCOS DE FLORES

Só, incessante, um som de flauta chora,
Viúva, gracil, na escuridão tranquila,
— Perdida voz que de entre as mais se exila,
— Festões de som dissimulando a hora.

Na orgia, ao longe, que em clarões cintila
E os lábios, branca, do carmim desflora…
Só, incessante, um som de flauta chora,
Viúva, gracil, na escuridão tranquila.

E a orquestra? E os beijos? Tudo a noite, fora,
Cauta, detém. Só modulada trila
A flauta débil… Quem há-de remi-la?
Quem sabe a dor que sem razão deplora?

Só, incessante, um som de flauta chora…

Camilo Pessanha in «Clepsydra» (posfácio e fixação do texto de António Barahona)


terça-feira, 3 de julho de 2012

Franz Kafka § 03-07-1883 | 03-06-1924

(clique na imagem para a ampliar)

A Assírio & Alvim celebra o  aniversário de Kafka com a publicação de «Os Contos, 2.º Volume — textos não publicados em vida do autor», traduzido do alemão por José Maria Vieira Mendes, Manuel Resende, Teresa Seruya e Álvaro Gonçalves, este último também responsável pela coordenação, selecção, introdução, notas e cronologia. Um livro que estará disponível nas livrarias ainda durante o mês de Julho: Kafka publicou apenas sete pequenos livros, todos incluídos n’Os Contos – 1.º volume – textos publicados em vida do autor. Paralelamente escreveu dezenas de contos, uns, mais ou menos «completos», outros, fragmentários, outros ainda em versão de esboço. O volume que aqui se apresenta traça um limite na selecção de textos que recai no ano de ruptura de 1917, marcado pelo diagnóstico da doença pulmonar de Kafka, que o obriga a uma longa estada no campo (do Outono de 1917 até à Primavera de 1918), na localidade histórica de Zürau, numa quinta de sua irmã Ottla, e que representa uma viragem na sua produção literária.

Franz Kafka nasceu em 1883 em Praga, de uma família pertencente à pequena burguesia judia de expressão alemã. Frequentou o liceu alemão e posteriormente a Universidade Alemã de Praga, onde terminou os estudos jurídicos, obtendo o título de Doutor em Direito, em 1906. Começou a escrever os primeiros textos em 1907, enquanto trabalhava como assessor jurídico em companhias de seguros, onde ficou até à sua aposentação por motivos de doença. Em 1917 sofreu os primeiros sintomas de uma tuberculose de que viria a falecer a 3 de Junho de 1924.





terça-feira, 5 de junho de 2012

Federico García Lorca § 05/06/1898 — 19/08/1936



quinta-feira, 31 de maio de 2012

Walt Whitman § 31/05/1819 — 26/03/1892


quinta-feira, 10 de maio de 2012

Luiza Neto Jorge § 10/05/1939 — 23/02/1989


segunda-feira, 26 de março de 2012

Tennessee Williams § 26/03/1911 — 25/02/1983


Ver aqui «A Noite da Iguana e Outras Histórias»