terça-feira, 18 de novembro de 2014
Manuel António Pina — 18/11/1943 § 19/10/2012
quinta-feira, 6 de novembro de 2014
Sophia de Mello Breyner Andresen — 06/11/1919 § 02/07/2004
INICIAL
O mar azul e branco e as luzidias
Pedras — O arfado espaço
Onde o que está lavado se relava
Para o rito do espanto e do começo
Onde sou a mim mesma devolvida
Em sal espuma e concha regressada
À praia inicial da minha vida
in «Dual», prefácio de Eduardo Lourenço, edição Assírio & Alvim
sábado, 1 de fevereiro de 2014
Fernando Assis Pacheco (01-02-1937 § 30-11-1995)
sábado, 23 de novembro de 2013
Herberto Helder (23/11/1930)
terça-feira, 15 de outubro de 2013
Álvaro de Campos § 15/10/1890 — 30/11/1935
Arre, que tanto é muito pouco!
Arre, que tanta besta é muito pouca gente!
Arre, que o Portugal que se vê é só isto!
Deixem ver o Portugal que não deixam ver!
Deixem que se veja, que esse é que é Portugal!
Ponto.
Agora começa o Manifesto:
Arre!
Arre!
Oiçam bem:
ARRRRRE!
in Álvaro de Campos, «Poesia». Edição de Teresa Rita Lopes. Assírio & Alvim.
sexta-feira, 9 de agosto de 2013
Mário Cesariny § 09/08/1923 — 26/11/2006
quinta-feira, 1 de agosto de 2013
António Maria Lisboa § 01/08/1928 — 11/11/1953
quinta-feira, 30 de maio de 2013
Antonio Gamoneda § 30/05/1931
quinta-feira, 14 de março de 2013
Secretário da Alma
A memória é o túmulo dos meus versos.
Haverá sempre mausoléus
Para a língua
Enquanto a boca invocar a palavra húmida de sangue,
Cálida de tempo, de breves alegrias e de humores
Onde a voz possa correr, livre,
Sem ser apunhalada pela industriosa mão,
Vazia, maquinal, da morte.
Todos temos corpos que os séculos hão-de consumir.
Mas a fala produz o pensamento,
A mão desenha a letra, o poema enaltece,
No leito sensual feito de frases
Adormece a beleza.
E a inocente, esquiva música das sílabas,
Enlouquecida,
Desperta.
Secretário da alma, o coração
Não descansa na laje da morada em que sossega.
Estremece nos seus sonhos,
E volve em seu redor o olhar desmesurado:
É dia de além sol, além lua, além distância,
Rasgadas as palavras de abandono
E luta. Mas a Terra é a escrita,
E o livro o Universo.
in «Anthero, Areia & Água» de Armando Silva Carvalho (14-03-1938)













