sexta-feira, 31 de maio de 2013
Almeida Faria e Gastão Cruz na Feira do Livro de Lisboa
segunda-feira, 8 de agosto de 2011
Ruy Belo [27/ II/1933 - 8/VIII/1978]
PLANTA ALTA E TRIGUEIRA
As plantas acenavam ao vento de agosto, nas suas hastes finas e verdes. E disse-me a mais faladora de todas, alta e trigueira:
— Dás-me dez anos da tua vida?
Eu só tinha cinco anos, pus-me a contar pelos dedos, vi que ia ficar com muito pouco.
— Dou — disse eu.
E ainda hoje, que nunca mais soube de mim, vou com o vento, balouçando. E agosto é todo o ano para mim.
in Todos os Poemas
quinta-feira, 24 de março de 2011
domingo, 13 de fevereiro de 2011
Gérard Castello-Lopes (6/VIII/1925 - 12/II/2011)
«Ah, o olhar! [...] o olhar é o utensílio privilegiado da libertação, é a espada que corta o nó, a mão que parte o ovo, a asa que sobrevoa o dédalo. Apliquei-me a olhar com "olhos de ver" e menos para corroborar maquinalmente certas ideias alienadas do real. Não é tão fácil tarefa quanto parece; o olhar de um adulto é diferente do de uma criança: perdeu-se a pureza, a inteireza, a inocência. [...]
[...] Munido da Leica, calcorreei as ruas de muitas cidades, as veredas de muitos campos para aprender a "ver" os outros. Intercalar uma objectiva entre os olhos e o sujeito foi excelente pedagogia e, se os resultados não trouxeram fama ou notoriedade, é certo que a fotografia me ensinou a ver melhor. Se as minhas imagens são medíocres, constato hoje, com alguma emoção, que o fio condutor da maioria delas se prende com o olhar das centenas de pessoas que agredi com aquele impiedoso olho de vidro.»
Gérard Castello-Lopes, Reflexões Sobre Fotografia - Eu, a fotografia, os outros, Lisboa, Assírio & Alvim, 2004, p. 39
quinta-feira, 28 de outubro de 2010
Sérgio Godinho é o Poeta convidado
terça-feira, 26 de outubro de 2010
Sérgio Godinho nas «Quintas de Leitura»
«Sérgio Godinho é o Poeta convidado da 108ª sessão das "Quintas de Leitura", ciclo poético promovido pela Câmara Municipal do Porto, através da Fundação Ciência e Desenvolvimento, a acontecer já na próxima Quinta-feira.Relembramos que o espectáculo, intitulado "O sangue por um fio", para além de Sérgio Godinho conta com Isabel Fernandes Pinto, Rute Miranda e Miguel Ramos a lerem poemas do livro que dá nome à sessão, publicado em 2009 pela editora Assírio & Alvim.
Anabela Mota Ribeiro conversará com o Autor sobre este pequeno grande livro onde, segundo ela, "muitas coisas são ditas com uma exactidão e precisão de lâmina".
Tiago Manuel, responsável pela imagem da sessão, também participará nesta viagem de "fora para dentro dos olhos", surpreendendo-nos e emocionando-nos com as suas imagens microscópicas de corpos dissecados.
O habitual momento de performance será assinado pela "repetente" Sónia Baptista. Uma visão sensível e inesperada do universo poético de Sérgio Godinho.
A abrir a sessão, cumplicidades musicais pelo Ensemble Vocal Pro Musica - mais de 40 elementos em cena -, superiormente dirigido pelo maestro José Manuel Pinheiro.»
Obras de Sérgio Godinho na Assírio & Alvim: O Pequeno Livro do Medos [2000] (ilustrações de Sérgio Godinho), 55 Canções de Sérgio Godinho - Partituras, letras, cifras [2007], O Sangue Por Um Fio - Poemas [2009] (desenhos de Tiago Manuel). Sobre Sérgio Godinho: Retrovisor - Uma biografia musical de Sérgio Godinho [2006], de Nuno Galopim.
domingo, 24 de outubro de 2010
«Um chá no Sahara»
No momento em que acabou de se realizar, em Lisboa, uma iniciativa internacional - Do You Bowles? - celebrativa do centenário do nascimento de Paul Bowles [30/XII/1910 - 18/XI/1999), julgamos oportuno recordar o texto «Um chá no Sahara», de António Costa, que também participou naquele evento, publicado n' A Phala nº 19, de Julho / Agosto / Setembro / 1990. Na introdução a este texto podemos ler: «"Exilado" há mais de quarenta anos em Marrocos, Paul Bowles, escritor americano, oitenta anos de idade, começa a ser redescoberto nos Estados Unidos e na Europa. Bernardo Bertolucci acaba de filmar o seu romance The Sheltering Sky (tradução portuguesa: O Céu que nos Protege, Assírio & Alvim, 1989), a estrear no início da nova temporada. As traduções das suas obras multiplicaram-se, assim como as entrevistas. Vamos agora publicar o volume de contos A Missa do Galo, com tradução de José Agostinho Baptista. "Os seus contos estão entre os melhores que alguma vez se escreveram", disse Gore Vidal. António Costa procurou e encontrou o escritor na sua casa em Tânger. Do chá, da conversa e do ambiente, o testemunho...»
Obras de Paul Bowles na Assírio & Alvim: O Céu que nos Protege (Tradução de José Agostinho Baptista, colecção «O Imaginário»); A Missa do Galo (Tradução de José Agostinho Baptista, colecção «O Imaginário»); Deixa a Chuva Cair (Tradução de Ana Maria de Freitas, colecção «O Imaginário»); Por Cima do Mundo (Tradução de David Antunes e Sara E. Eckerson, colecção «O Imaginário»); Poemas (Tradução de José Agostinho Baptista, colecção «Documenta Poetica»); Memórias de Um Nómada (Tradução de José Gabriel Flores, colecção «Testemunhos»).
quinta-feira, 17 de junho de 2010
António Franco Alexandre
Já a luz se apagou do chão do mundo,
Duende, Assírio & Alvim, 2002, p. 38
Obras de António Franco Alexandre na Assírio & Alvim
terça-feira, 13 de abril de 2010
Samuel Beckett [13/IV/1906 - 22/XII/1989]
segunda-feira, 12 de abril de 2010
«Mal Nascido», de Carlos Alberto Machado
O Júri foi constituído por Leonor Xavier, José Carlos Vasconcelos, Miguel Real, José Cortez em representação da DGLB e Guilherme d’Oliveira Martins, em representação do CNC. Foi seleccionado um candidato português – Carlos Alberto Machado – com o projecto “Mal Nascido”, a desenvolver em Moçambique e uma candidata sãotomense – Alice Goretti Pina – com o projecto “No Dia de São Lourenço”, a desenvolver em São Tomé e Portugal.
O programa Criar Lusofonia foi criado em 1995 e tem por objectivo a atribuição de bolsas no domínio da escrita para estadas em países da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, pretendendo-se criar oportunidades de contacto aprofundado com outros países lusófonos aos criadores/investigadores de língua portuguesa a fim de produzirem uma obra destinada à divulgação no espaço lusófono.
De Carlos Alberto Machado a Assírio & Alvim publicou recentemente Registo Civil - poesia reunida.
quarta-feira, 24 de março de 2010
«Ruben A. In memoriam de bolso», de Alexandre O'Neill
Nem na vida, nem na literatura Ruben A. conseguia estar quieto.
Tinha pressa. E às vezes até parecia que o quotidiano era para ele simples matéria de criação. Com isto, ganhou a literatura memorialista portuguesa umas quantas páginas bem singulares. Desordenado e original na escritura, Ruben não podia sujeitar-se a outra disciplina que não fosse essa, toda exterior, de se sentar, dia a dia, à máquina, pelas oito da manhã, e de bater 5, 10, 15 páginas de seguida, apenas apoiado ao bordão da memória e a uma verve sem limites. Mas ao coro das rãs, respondeu Ruben A. com algumas arreliantes dissonâncias, enfim, com o que nele era o vivo pressentimento de que uma obra se faz a contrapeso do gosto mediano, desse que está sempre a reclamar, em nós, vigência, estatuto e rebuçados.
Paz à sua tecla!
Diário de Notícias, 22 Janeiro 1976. Suplemento cultural, n.º 3, 2.ª série, p. 1.
quinta-feira, 4 de março de 2010
Lewis Carroll
sábado, 27 de fevereiro de 2010
Montesquieu, por Ruy Belo
Ruy Belo
Montesquieu, Considerações sobre as Causas da Grandeza e Decadência dos Romanos
Texto integral, seleccionado, traduzido, apresentado e anotado por Ruy Belo
Ruy Belo - Coisas de Silêncio
Há poetas que sempre foram lidos e amados por um grupo mais ou menos devotado de seguidores. Ruy Belo é um desses poetas de culto que não parou de crescer desde os começos dos anos 60. A sua vida “reabilitou” e engrandeceu o quotidiano. Previu, poeticamente e com o coração, deslocações sociais e mesmo políticas. Procurou que a sensibilidade redimisse as pequenas entorses de um país de gente “com pouco jeito para os negócios”. Talvez por tudo isto, e muito mais, parece finalmente ter chegado a hora grande de Ruy Belo, isto é, do reencontro com o país puro que ele mesmo procurou até ao íntimo de si mesmo. O livro de fotografias e, principalmente, de amor de Duarte Belo inclui belos textos, entre eles o fundamental ensaio do poeta Manuel Gusmão acompanha a exposição bibliográfica de Ruy Belo. Este livro, juntamente com a exposição, constituem dois contributos complementares para melhor conhecer o homem envolto na integridade da sua poesia. Edição Encadernada ISBN: 972-37-0585-0 quarta-feira, 9 de dezembro de 2009
Encontro com... António Osório

Dando continuidade ao programa Encontro com…, organizado conjuntamente pela Biblioteca Nacional de Portugal e pela Direcção-Geral do Livro e das Bibliotecas, a edição do quarto trimestre centra-se na personalidade e na obra de António Osório. A sessão conta com a presença do Escritor, as intervenções de Ana Marques Gastão e de Fernando Pinto do Amaral e a leitura de textos pelo actor Luis Lucas.
Nascido em Setúbal em 1933, o Escritor António Osório advoga em Lisboa. Bastonário da Ordem dos Advogados entre 1984 e 1986, administrou a Comissão Portuguesa da Fundação Europeia da Cultura e presidiu à Associação Portuguesa para o Direito do Ambiente. Foi director da revista Foro das Letras, da Associação Portuguesa de Escritores Juristas. Está publicado no Brasil e traduzido em inglês, francês, italiano, espanhol e catalão. Tem participado em recitais de poesia no país e no estrangeiro.
Desde 1954 colaborador de Anteu/Cadernos de Cultura, só em 1972 António Osório fez a sua estreia poética com A Raiz Afectuosa. Alinhada com a inspiração antiga (à semelhança de Sophia de Mello Breyner, de David Mourão-Ferreira ou de Ramos Rosa, também eles iluminados pela ascética claridade de Dante) já então a sua lírica se destacava da modernidade formalista que animou alguma poesia portuguesa das décadas de sessenta e setenta, vindo a desenhar, nas palavras de Eduardo Lourenço, “uma das nossas constelações poéticas mais inequivocamente originais”, “um canto enraizado no ritmo imemorial do coração” indutor da amorosa auscultação da realidade quotidiana e do “ser das coisas” que fidelizam a consciência de si.
Tendencialmente aforística a escrita deste autor lírico é discipular dos ritmos do hai-ku, da inscrição poética e do poema em prosa.
Principais publicações monográficas:
A Raiz Afectuosa, 1972; A Mitologia Fadista, ensaio 1974; A Ignorância da Morte, 1978; O Lugar do Amor, 1981; Décima Aurora, 1982 (Prémio Município de Lisboa, 1983); Adão, Eva e o Mais, 1983 (Prémio Município de Lisboa); António Osório por Eduardo Lourenço, antologia, 1984; Aforismos Mágicos, 1985; Planetário e Zoo dos Homens, 1990 (Prémio do Pen Club Português, 1991); Ofício dos Touros, 1991; Antologia Poética, 1994; Crónica da Fortuna, 1997; Bestiário, 1997; Aforismos Mágicos. D. Quixote e os Touros (reúne Aforismos Mágicos e Ofício dos Touros), 1998; Barca do Mundo I (reúne A Raiz Afectuosa e A Ignorância da Morte, 1999; Obra Poética II (reúne O Lugar do Amor e Décima Aurora), 2001; Casa das Sementes, 2006.»
domingo, 15 de novembro de 2009
Coppola, Artaud, Vincent Gallo
Antonin Artaud na Assírio & Alvim: Heliogabalo ou o Anarquista Coroado (tradução de Mário Cesariny), 1991; Van Gogh - O Suicidado da Sociedade (tradução de Aníbal Fernandes), 2004; Eu, Antonin Artaud (tradução de Aníbal Fernandes), 2007.
quarta-feira, 11 de novembro de 2009
Peter Handke
quando, na criança,
que já não é criança nenhuma
– talvez já seja um ancião –,
volto a encontrar os olhos da criança.
A duração não existe na pedra
antiquíssima e eterna,
mas sim no transitório,
no que é brando e sensível.
Lágrimas da duração, tão raras!,
lágrimas de alegria.
Impulsos inconstantes da duração,
que não se podem pedir
nem numa prece implorar:
estais agora reunidos e articulados
para formar o poema.
Peter Handke, Poema à Duração [tradução de José A. Palma Caetano]
Peter Handke está hoje em Portugal, no âmbito do Estoril Film Festival.
sábado, 24 de outubro de 2009
Adília Lopes na Assírio & Alvim
quinta-feira, 22 de outubro de 2009
terça-feira, 1 de setembro de 2009
Blaise Cendrars [1/IX/1887 - 21/I/1961]
Estava muito feliz despreocupado
Julgava estar a brincar aos bandidos
Tínhamos roubado o tesouro de Golconda
E íamos, graças ao transiberiano, escondê-lo no outro lado do mundo
Devia defendê-lo dos ladrões dos Urais que tinham atacado os saltimbancos de Júlio Verne
Dos «Khoungouzes», dos boxers da China
E dos enraivecidos pequenos mongóis do Grande Lama
De Ali Babá e os quarenta ladrões
E dos fiéis do terrível Velho da Montanha
E, principalmente, dos mais modernos
Os ratos de hotel
E os especialistas dos expressos internacionais.
Blaise Cendrars, Poesia em Viagem















