segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

PRÉMIO LUÍS MIGUEL NAVA PARA JOSÉ BENTO


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O Prémio de Poesia  Luís Miguel Nava 2013, da Fundação Luís Miguel Nava, actualmente bienal e referente aos livros de poesia editados em 2011e 2012, foi atribuído ao livro Sítios, de José Bento, publicado pela editora Assírio & Alvim.
No valor de cinco mil euros, o prémio, que, nas doze anteriores atribuições, foi concedido aos poetas Sophia de Mello Breyner Andresen, Fernando Echevarría, António Franco Alexandre, Armando Silva Carvalho, Manuel Gusmão, Fernando Guimarães, Manuel António Pina, Luís Quintais, António Ramos Rosa, Pedro Tamen, A. M. Pires Cabral e Helder Moura Pereira,  correspondeu à decisão unânime de um júri constituído, como habitualmente, por quatro membros da direcção da Fundação Luís Miguel Nava, Carlos Mendes de Sousa, Fernando Pinto do Amaral, Gastão Cruz e Luís Quintais, e um elemento convidado, desta vez o professor, poeta e ensaísta Fernando J B Martinho.

quarta-feira, 27 de novembro de 2013

Lançamento do livro «A Papoila e o Monge», de José Tolentino Mendonça

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Contamos com a sua presença!

terça-feira, 26 de novembro de 2013

Mário Cesariny (09/08/1923 § 26/11/2006)

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ALEGORIA DO MUNDO NA PASSAGEM DE ARNALDO DE VILLANOVA

Ouro trigo leão e prata e crina
te esperam sob o vaso menstrual
Separarás primeiro a água e a mina
porque a Água não é um mineral

No coágulo te espera areia fina
e sob a areia planta sideral
que ao manto do Rei Verde se combina
porque a Planta não é um vegetal

Ao homem cabe o Ouro de buscá-lo
E a sua cria       morta ou imortal
tirá-la-ás do ventre de cavalo
porque o Homem não é um animal

E se o espelho de cobre te fascina
se te aparece o Monstro do Umbral
que à ígnea terra o astro abismo ensina
e nas trevas afunda       o Bem e o Mal

Reduz expurga fende e ilumina
e com espada de fogo talha e inclina
porque o Fogo não é o seu sinal


Mário Cesariny, in «Uma Grande Razão — os poemas maiores», ed. Assírio & Alvim.


sábado, 23 de novembro de 2013

Herberto Helder (23/11/1930)


Fotografias do espólio de Alberto Lacerda



até cada objecto se encher de luz e ser apanhado
por todos os lados hábeis, e ser ímpar,
ser escolhido,
e lampejando do ar à volta,
na ordem do mundo aquela fracção real dos dedos juntos
como para escrever cada palavra:
pegar ao alto numa coisa em estado de milagre: seja:
um copo de água,
tudo pronto para que a luz estremeça:
o terror da beleza, isso, o terror da beleza delicadíssima
tão súbito e implacável na vida administrativa


Herberto Helder, in «Servidões», Assírio & Alvim, 2013.

sexta-feira, 15 de novembro de 2013

Lançamento do livro «O Senhor Pina» e apresentação do Clube dos Amigos à Espera do Pina

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A Assírio & Alvim e o Clube dos Amigos à Espera do Pina convidam-no(a), no dia do aniversário de Manuel António Pina, a assistir a uma sessão de apresentação do livro «O Senhor Pina». Inês Fonseca Santos estará à conversa com Álvaro Magalhães e Luiz Darocha a propósito deste livro, recentemente publicado pela Assírio & Alvim. Mais tarde, Germano Silva e João Luiz apresentarão o recém fundado Clube dos Amigos à Espera do Pina. Haverá ainda leituras, a cargo de Rui Spranger, e será projectado o vídeo «À Espera do Senhor Pina», da autoria de Joana Rodrigues.

Contamos com a sua presença na Biblioteca Municipal Almeida Garrett, no Porto, no próximo dia 18 de novembro, pelas 21:30. Não falte!


terça-feira, 15 de outubro de 2013

Álvaro de Campos § 15/10/1890 — 30/11/1935


Arre, que tanto é muito pouco!
Arre, que tanta besta é muito pouca gente!
Arre, que o Portugal que se vê é só isto!
Deixem ver o Portugal que não deixam ver!
Deixem que se veja, que esse é que é Portugal!
Ponto.

Agora começa o Manifesto:
Arre!
Arre!
Oiçam bem:
ARRRRRE!


in Álvaro de Campos, «Poesia». Edição de Teresa Rita Lopes. Assírio & Alvim.

sexta-feira, 11 de outubro de 2013

Maria Gabriela Llansol — Lançamento

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O Espaço Llansol e a Assírio & Alvim convidam-no(a) para o lançamento do livro Numerosas Linhas — Livro de Horas III (Jodoigne-Herbais, 1979-1980), de Maria Gabriela Llansol, que decorrerá no próximo sábado, dia 12 de outubro, pelas 16:30, no Palácio Valenças, em Sintra, no decurso das Quintas Jornadas Llansolianas de Sintra. A apresentação estará a cargo de Paula Morão, professora da Faculdade de Letras de Lisboa. Contamos com a sua presença.

quarta-feira, 9 de outubro de 2013

Lançamento de «Cortes», de Almeida Faria

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O escritor Almeida Faria regressa ao Fórum FNAC para apresentar a edição revista da sua obra literária, Cortes. Neste livro, que será apresentado por Pedro Mexia, a acção decorre durante o sábado de aleluia de abril de mil novecentos e setenta e quatro, pouco antes do dia que mudará Portugal. Ao longo das vinte e quatro horas deste segundo painel da chamada Tetralogia Lusitana, sonhos e premonições anunciam cortes profundos no mundo das suas personagens.

Dia 10 de outubro, pelas 18:30, na Fnac Chiado, em Lisboa.

segunda-feira, 23 de setembro de 2013

Álvaro Mutis — 25/08/1923 § 22/09/2013


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«UN BEL MORIR…»

De pé numa barca parada no meio do rio
cujas águas passam em lento remoinho
de lodos e raízes,
o missionário abençoa a família do cacique.
Os frutos, as jóias de vidro, os animais, a selva,
recebem os breves sinais da bem-aventurança.
Quando descer a mão
terei morrido no meu quarto
cujas janelas vibram à passagem do eléctrico
e o leiteiro virá em vão pelas garrafas vazias.
Para esse momento ficará bem pouco da nossa história,
alguns retratos em desordem,
umas cartas guardadas não sei onde,
o que foi dito naquele dia ao despir-te no campo.
Tudo se irá desvanecendo no esquecimento
e o grito de um macaco,
o fluir esbranquiçado da seiva
pela ferida casca do látex,
o chapinhar das águas contra a quilha em viagem,
serão assunto mais memorável do que os nossos longos abraços.



Álvaro Mutis in «Os Versos do Navegante — antologia poética», selecção e prólogo de Lauren Mendinueta e tradução de Nuno Júdice; ed. Assírio & Alvim, 2013. Fotografia de Daniel Mordzinski.

sexta-feira, 9 de agosto de 2013

Mário Cesariny § 09/08/1923 — 26/11/2006

Mário Cesariny em Tenerife. Fotografia de Perfecto Cuadrado



YOU ARE WELCOME TO ELSINORE

Entre nós e as palavras há metal fundente
entre nós e as palavras há hélices que andam
e podem dar-nos morte    violar-nos    tirar
do mais fundo de nós o mais útil segredo
entre nós e as palavras há perfis ardentes
espaços cheios de gente de costas
altas flores venenosas    portas por abrir
e escadas e ponteiros e crianças sentadas
à espera do seu tempo e do seu precípicio

Ao longo da muralha que habitamos
há palavras de vida    há palavras de morte
há palavras imensas, que esperam por nós
e outras, frágeis, que deixaram de esperar
há palavras acesas como barcos
há palavras homens, palavras que guardam
o seu segredo e a sua posição

Entre nós e as palavras, surdamente,
as mãos e as paredes de Elsenor

E há palavras nocturnas palavras gemidos
palavras que nos sobem ilegíveis à boca
palavras diamantes palavras nunca escritas
palavras impossíveis de escrever
por não termos connosco cordas de violinos
nem todo o sangue do mundo nem todo o amplexo do ar
e os braços dos amantes escrevem muito alto
muito além do azul onde oxidados morrem
palavras maternais só sombra só soluço
só espasmo só amor só solidão desfeita

Entre nós e as palavras, os emparedados
e entre nós e as palavras, o nosso dever falar

in «A Única Real Tradição Viva — Antologia de Poesia Surrealista Portuguesa» (organização de Perfecto E. Cuadrado).




quinta-feira, 1 de agosto de 2013

António Maria Lisboa § 01/08/1928 — 11/11/1953

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RÊVE OUBLIÉ

Neste meu hábito surpreendente de te trazer de costas 
neste meu desejo irreflectido de te possuir num trampolim 
nesta minha mania de te dar o que tu gostas 
e depois esquecer-me irremediavelmente de ti 

Agora na superfície da luz a procurar a sombra 
agora encostado ao vidro a sonhar a terra 
agora a oferecer-te um elefante com uma linda tromba 
e depois matar-te e dar-te vida eterna 

Continuar a dar tiros e modificar a posição dos astros 
continuar a viver até cristalizar entre neve 
continuar a contar a lenda duma princesa sueca 
e depois fechar a porta para tremermos de medo 

Contar a vida pelos dedos e perdê-los 
contar um a um os teus cabelos e seguir a estrada 
contar as ondas do mar e descobrir-lhes o brilho 
e depois contar um a um os teus dedos de fada 

Abrir-se a janela para entrarem estrelas 
abrir-se a luz para entrarem olhos 
abrir-se o tecto para cair um garfo no centro da sala 
e depois ruidosa uma dentadura velha 
E no CIMO disto tudo uma montanha de ouro 

E no FIM disto tudo um Azul-de-Prata. 


António Maria Lisboa, in «Poesia».


quinta-feira, 27 de junho de 2013

Porto de Encontro — Fernando Pessoa

O 125º aniversário do nascimento de Fernando Pessoa vai ser celebrado já no dia 30, às 17 horas, na edição de junho do ciclo literário "Porto de Encontro", na Biblioteca Almeida Garrett. Richard Zenith, Fernando Cabral Martins, João Botelho e Manuela Nogueira vão ser os oradores numa sessão que conta ainda com leituras de Pedro Lamares e uma performance do coletivo Sindicato do Credo, intitulada "Desassossegada mente".

Na noite anterior, dia 29, terá lugar uma sessão especial no Teatro do Campo Alegre onde, pela módica quantia de 4 €, poderemos assistir à projeção de «Conversa Acabada» e da curta «Oh Lisboa, Meu Lar!», de João Botelho, com apresentação do próprio e de Fernando Cabral Martins. Esperamos por si!


Recapitulando, no sábado:

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E no domingo:



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quarta-feira, 26 de junho de 2013

Hoje, a terceira Tertúlia Almadiana

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segunda-feira, 24 de junho de 2013

TERTÚLIAS ALMADIANAS — 3.ª Sessão § O Público em Cena II





Na próxima quarta-feira a partir das 18:00, as Tertúlias Almadianas estão de regresso ao Jardim de Inverno do São Luiz. Passe por lá!


TERTÚLIAS ALMADIANAS
Conversas intergeracionais e interdisciplinares.

Conversas com um painel de convidados de várias gerações: académicos, artistas plásticos, escritores, etc., com a presença de um moderador. Em cada sessão haverá uma ou mais leituras de textos de Almada Negreiros por actores/actrizes convidados.

3 ª Sessão:

O Público em Cena II

26 de Junho de 2013 às 18:00
Jardim de Inverno, São Luiz Teatro Municipal

Para Almada Negreiros “o teatro é essencialmente espectáculo”. Mas a palavra teatro amplifica-se em Almada: «é o escaparate de todas as Artes», «é impressão digital do autor», «não é senão necessidade».
O teatro perpassa a vida artística de Almada, afirmando-se de diferentes maneiras. 
Nesta tertúlia, sobe a palco uma conversa sobre o teatro de Almada Negreiros. 

Moderação : Paula Moura Pinheiro

Convidados:

Duarte Ivo Cruz
Fernanda Lapa
João Brites
Sílvia Laureano Costa

Leituras:
João Grosso / Miguel Loureiro

sexta-feira, 31 de maio de 2013

Almeida Faria e Gastão Cruz na Feira do Livro de Lisboa

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Amanhã, dia 1 de junho, Almeida Faria e Gastão Cruz estarão presentes na Feira do Livro de Lisboa, no Espaço do Grupo Porto Editora. Passe por lá!

quinta-feira, 30 de maio de 2013

Antonio Gamoneda § 30/05/1931





Por trás da escuridão estão os rostos que me abandonaram.

Vi a sua pele trabalhada por relâmpagos. Agora

já só vejo, no instante amarelo,

o resplendor das suas pálpebras longínquas.


in «Oração Fria — antologia», de Antonio Gamoneda (organização e tradução de João Moita); 
ed. Assírio & Alvim, 2013.

segunda-feira, 27 de maio de 2013

Hoje, «Manifesto Anti-Dantas» no Jardim de Inverno do São Luiz Teatro Municipal

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Hoje, um lançamento a não perder: a novíssima edição do «Manifesto Anti-Dantas» que inclui uma gravação inédita e surpreendente do próprio Almada Negreiros a ler o seu mais célebre manifesto.

Pelas 18:30 no Jardim de Inverno do São Luiz Teatro Municipal, com Anabela Mota Ribeiro, Sara Afonso Ferreira, Fernando Cabral Martins, Nuno Artur Silva, Pedro Santos Guerreiro e Manuel João Vieira. Contamos com a sua presença!

terça-feira, 14 de maio de 2013

Apresentação do livro «Pela Parte que me Toca», de Helder Moura Pereira

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Se estiver em Setúbal ou puder passar por lá, não deixe de assistir à apresentação do livro de poesia «Pela Parte que me Toca», de Helder Moura Pereira.

Apresentação do livro por Fernando J.B. Martinho e conversa com o autor.

Pelas 22:00 na Casa da Cultura — Sala José Afonso, em Setúbal.

Contamos com a sua presença!

terça-feira, 23 de abril de 2013

FELIZ DIA MUNDIAL DO LIVRO!

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segunda-feira, 22 de abril de 2013

UM TESOURO CHAMADO LIBERDADE


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Na próxima quinta-feira lançamos «O Tesouro», um livro de Manuel António Pina para os mais pequenos sobre a ditadura, o 25 de Abril de 1974 e um grande tesouro: a liberdade.

O livro será apresentado por Germano Silva e de seguida será projectado o filme «Se a Memória Existe», de João Botelho a partir de «O Tesouro».

Junte-se a nós em Santo Tirso, no Átrio dos Paços do Concelho, a partir das 17h00 e venha celebrar o 25 de Abril.