
Hoje, segunda-feira 9 de Junho, Mário Avelar estará na Feira do Livro para autografar o seu livro, Pentâmetros Jâmbicos.
Das 18 às 19 horas, junto dos nossos stands (21, 33 e 34).
segunda-feira, 9 de junho de 2008
Feira do Livro — Sessão de autógrafos
Catálogo B.I. online
Disponível online, o catálogo da B.I. (Biblioteca dos editores Independentes).
Na barra lateral direita (depois do catálogo Assírio & Alvim 2008) ou aqui.
Feira do Livro — Livros do dia
Segunda-feira, 9 de Junho de 2008
Pavilhão 34 Mírgorod
Nikolai Gógol
P.V.P.: 20 €
Preço de Feira: 12 €
Mírgorod, editado pela primeira vez em 1835, é constituído pelas «histórias que são a continuação de Noites na Granja ao pé de Dikanka», como diz o autor numa epígrafe. Inclui três contos famosos: «Um casal à antiga», «Víi» e «História de como se zangaram
Ivan Ivánovitch e Ivan Nikiforovitch», e a não menos famosa novela «Tarás Bulba».
Este livro de Gógol revela com grande simplicidade a arte do grande escritor russo em formular os mais contraditórios e, ao mesmo tempo, inseparáveis aspectos da vida: o triste e o cómico, o medíocre e o grandioso, o estúpido e o comovedor, o real e o fantástico.
Pavilhão 21
Prosa Publicada em Vida
Fernando Pessoa
P.V.P.: 22.50 €
Preço de Feira: 14 €
«O presente volume oferece duas grandes vantagens. Por um lado, traça um retrato do Pessoa “público”, em diálogo e eventual controvérsia com outros críticos, poetas e pensadores políticos. Por outro lado, é constituído por textos acabados – sem lacunas ou leituras duvidosas – e “sancionados” pelo autor, já que resolveu publicá-los.»
Richard Zenith, no prefácio a este livro.
domingo, 8 de junho de 2008
Feira do Livro — Livros do dia
Domingo,
8 de Junho de 2008
Pavilhão 31
O Processo
Franz Kafka
P.V.P.: 20 €
Preço de Feira: 12 €
Um belo dia, Joseph K., um bem sucedido gerente bancário, é subitamente preso no seu próprio quarto, sem saber porquê nem por quem. Vê-se então envolvido num labiríntico e absurdo processo que decorre secretamente algures nas secretarias instaladas nos sótãos e é conduzido por juízes menores, que têm a mera incumbência de o inquirir.
Concebido em 1914 (na sequência do doloroso rompimento do noivado com Felice Bauer), de uma forma fragmentária, com capítulos completos e outros por completar, passíveis de serem facilmente deslocados dentro de uma estrutura circular, o romance O Processo — que é em si também um fragmento — constitui para Kafka a forma ideal para expressar a fragmentação do mundo e da realidade em que vive o homem moderno. Nesta perspectiva, O Processo representa um marco na história do romance moderno.
A versão que se apresenta aqui é a tradução directa do texto alemão baseado nos manuscritos de Kafka, que anula todas as alterações introduzidas pelo amigo e testamenteiro Max Brod, na sua primeira edição de 1925.
Pavilhão 24
Livro do Desassossego
Bernardo Soares (Fernando Pessoa)
P.V.P.: 36 €
Preço de Feira: 22 €
«O Livro do Desassossego é para nós, hoje, um manual de sobrevivência. (...) É um livro de sonhos e, completamente, uma apologia do sonhador. Em toda a sua grande diversidade e fragmentação existe, ainda assim, um refrão constante: mais vale viver na imaginação do que no mundo real. O génio do Livro reside, em parte, no que tem de fragmentário, de hesitante e de (recorrendo agora ao léxico de Pessoa) "intervalar". É um livro que não o é, e, como tal, reflecte perfeitamente a alma de quem o escreveu. Pessoa, um pós-modernista "avant la lettre", deixou-nos o livro, ou anti-livro, mais emblemático do final deste século». As palavras são de Richard Zenith, investigador pessoano responsável pela organização da mais completa edição do Livro do Desassossego, na qual se apresentam algumas alterações textuais e o preenchimento de várias lacunas, que não tinham sido lidas até à data.
sábado, 7 de junho de 2008
Feira do Livro — Sessões de autógrafos
Hoje (sábado, 7 de Junho), pelas 17 horas, estarão na Feira do Livro, a autografar os seus livros, os autores:
Armando Silva Carvalho,
José Alberto Oliveira,
José Tolentino Mendonça e
Manuel Afonso Costa
E pelas 18.30 horas,
António Torrado
Na zona dos nossos stands (21, 33 e 34).
«Coro das Velhas»
Com o destaque das 55 Canções de Sérgio Godinho, aqui fica «Coro das Velhas», ao vivo no CCB.
Feira do Livro — Livros do dia
Sábado, 7 d
e Junho de 2008
Pavilhão 34
55 Canções de Sérgio Godinho
Sérgio Godinho
P.V.P.: 18 €
Preço de Feira: 11 €
«Foi há tantos anos que ainda me lembro: adolescente, eram livros como este que me levaram a experimentar as primeiras (e rudimentares) formas de escrita; e, desde aí, nunca me têm largado. Ou seja, tenho-os à mão e eles têm-me à perna.
O acesso prático aos mecanismos que outros usaram para criar (ou criaram para usar) nunca deixou de me trazer luzes e dicas importantes, neste ofício intermitente da feitura de canções.
Imitamos, transformamos, inventamos, emperramos e solucionamos, mas nunca a partir do nada — há sempre, num ponto de partida, de percurso ou de chegada, o que nos foi sugerido por outros saberes. Com livro ou sem livro.
Mas é destes manuais que falamos: sabemos como em Portugal, são ainda, infelizmente, aves raras. Começam agora algumas a pousar, e serão cada vez mais bem-vindas.
Que prenda para todos que praticam estas coisas, ter um dia acesso a toda a música portuguesa (enfim, não exageremos) neste formato, ou formatos afins. Estatisticamente, o meu contributo passaria a ser muito menor, e eu com isso no maior contentamento.»
Sérgio Godinho
Pavilhão 21
Cozinha de Lisboa e seu Termo
Alfredo Saramago
P.V.P.: 60 €
Preço de Feira: 30 €
Inserida na colecção «Coração, Cabeça e Estômago / Especial», o livro Cozinha de Lisboa e seu Termo enquadra-se no conjunto de volumes dedicados à gastronomia das várias regiões de Portugal que tem deliciado os apreciadores da boa culinária.
Esta completíssima obra sobre a gastronomia da região de Lisboa apresenta em primeiro lugar uma extensa introdução de Alfredo Saramago, intitulada «Enquadramento e perspectivas históricas da alimentação em Lisboa e seu termo», na qual o autor se dedica ao estudo da história da alimentação e da gastronomia na região, desde a pré-história até aos dias de hoje, terminando com uma série de notas finais sobre o futuro da gastronomia dita tradicional. Segue-se depois um imenso e variado conjunto de receitas tradicionais da região de Lisboa, desde sopas a ovos, passando por carnes de caça, peixes de rio ou doces e bolos de fruta. Para aguçar mais o apetite dos leitores, muitas receitas vêm acompanhadas pelas lindíssimas fotografias de Inês Gonçalves, habitual colaboradora desta colecção.
sexta-feira, 6 de junho de 2008
Feira do Livro — Pins
Este ano, uma das grandes novidades nos nossos stands da Feira do Livro são os pins.
Com fotografias dos autores da Assírio & Alvim, divertidos ou sérios, a preto e branco, sépia ou com fundos de cores berrantes, mas também com pedaços de livros e de capas, os nossos pins estão a fazer sucesso.
Preço por unidade: 1 €
Imagem: pin de Mário Cesariny
«Momento de Poesia»
Poemas de Almada Negreiros está hoje em destaque. Aqui deixamos um desses poemas, «Momento de Poesia», pela voz de Germana Tânger.
(Retirado do livro Poemas ditos por Germana Tânger, © Assírio & Alvim, herdeiros de Almada Negreiros (2004))
Feira do Livro — Livros do dia
Sexta-feira,
6 de Junho de 2008
Pavilhão 34
A Minha Andorinha
Miguel Esteves Cardoso
P.V.P.: 19 €
Preço de Feira: 11 €
«Não há nada pior que um ajuntamento espontâneo de populares. Juntam-se muito neste país. É para ver quem morreu ou para espancar um desgraçado que matou os filhos e as galinhas. É para jogar à vermelhinha ou para comprar Lacostes da treta que, em vez de um crocodilo, têm um sardão das Berlengas. À mínima desculpa os populares, que estão maçados e anseiam distracção, juntam-se. Deveria ser proibido, fora de feiras e romarias. Bem vistas as coisas, também deveriam ser proibidas as feiras e as romarias, porque já está demonstrado que encorajam o contacto entre as pessoas. […]
Mas não divaguemos porque há muito para desbastar. Por exemplo, aqueles pedintes que, em vez de apresentar oralmente o seu apelo, no estilo tradicional, produzem um extenso texto miserabilista, escrito em português ilegível, a dizer que já estiveram melhor e que praticamente estão como hão-de ir. Aquelas senhoras que sabem os nomes de todos os bolos e fazem gala disso. Em vez de apontar com o dedo, para a montra, como os mortais comuns que têm mais que fazer, começam a recitar as suas cabalas maçónicas: “Um jesuíta, uma margarida, um charleston, um torno-mecânico-de-seis-bicos, um berimbau, um gonzaguinha e dois pastéis de nata.”»
Miguel Esteves Cardoso

Pavilhão 21
Poemas
Almada Negreiros
P.V.P.: 21 €
Preço de Feira: 13 €
Iniciou-se a obra completa de José de Almada Negreiros com a publicação de Poemas, numa edição exemplarmente organizada por Luís Manuel Gaspar, Mariana Pinto dos Santos e Fernando Cabral Martins. Incluem-se, neste volume, treze poemas inéditos como «Chez Moi», que nunca havia sido publicado em Portugal, e uma secção com poemas variantes que, por vezes, assumem a forma de fragmentos, como «O Menino d’Olhos de Gigante».
Poesia, pintura e desenho entrecruzam-se, naquilo que Fernando Cabral Martins descreveu como sendo uma «singularidade única na moderna história cultural portuguesa, das suas práticas artísticas, que têm a poesia e a pintura como faces mais visíveis e o teatro como referente último».
quinta-feira, 5 de junho de 2008
«Vencer os Medos»
no Centro de Congressos de Lisboa (antiga FIL) a partir de amanhã (sexta-feira, 6 de Junho), por ocasião de «Os Dias do Desenvolvimento»,
evento que se estreia este ano e é organizado pelo IPAD.
Veja aqui a animação feita a partir dos desenhos do livro.
Animação realizada por Miguel Rocha e Tiago Albuquerque, com música de João Bastos.
Vencer os Medos é uma história em banda desenhada, contada a muitas vozes: escrita por João Paulo Cotrim, é ilustrada por João Fazenda, Susa Monteiro, Maria João Worm, Pedro Burgos, Tiago Albuquerque, Miguel Rocha, Rui Lacas e Alex Gozblau. Maria é a protagonista. Ela, uma bicicleta e a música. Esta personagem atravessa as ruas e o mundo, para descobrir os grandes problemas com que nos deparamos actualmente: desigualdades, epidemias, doenças contagiosas, fome, guerra... Mas Maria também descobre que é possível ultrapassar as crises; antes de mais, é preciso fazer uma lista dos medos e vencê-los.
Vencer os Medos procura dar-nos conta dos oito Objectivos de Desenvolvimento do Milénio, que a Organização das Nações Unidas traçou, e que espera ver cumpridos até 2015:
- Erradicar a pobreza extrema e a fome;
- Alcançar o ensino primário universal;
- Promover a igualdade entre os géneros;
- Reduzir a mortalidade infantil;
- Melhorar a saúde materna;
- Combater o VIH/SIDA, a malária e outras doenças;
- Garantir a sustentabilidade ambiental;
- Fortalecer uma parceria mundial para o desenvolvimento.
«Correspondências»
Maria Helena Vieira da Silva,
é hoje inaugurada a exposição «Correspondências»
(Praça das Amoreiras, 56/58 — Lisboa)
Em exposição, estará a correspondência trocada entre o casal de artistasVieira da Silva / Arpad Szenes e Mário Cesariny
(até 4 de Outubro)
Feira do Livro — Livros do dia
Quinta-feira, 5 de Junho de 2008
Pavilhão 34
René Leys
Victor Segalen
P.V.P.: 12 €
Preço de Feira: 7 €
René Leys é um livro póstumo de Victor Segalen e o mais alto dos seus momentos literários. Um francês na cidade de Pequim, em 1911, interessa-se pelos mistérios da Família Imperial. Procurando alguém que pudesse ter acesso ao palácio, encontra a solução para os seus sonhos no seu tutor, René Leys, um jovem belga que aprendeu a falar fluentemente chinês e tem um lugar supreendentemente privilegiado na corte.
Neste romance fascinante, o leitor deparar-se-á com descrições notáveis da vida em Pequim, com os misteriosos círculos de poder em redor do Imperador e, não menos importante, com a resolução de um assassinato intrigante.
Pavilhão 21
Cartas
Fernando Pessoa
P.V.P.: 22.50 €
Preço de Feira: 14 €
«Lisboa 4-5-1916
Meu querido Cortes-Rodrigues:
Não lhe tenho escrito. Tenho atravessado uma enorme crise intelectual. E agora estou muito pior, com a enorme tragédia que nos aconteceu a todos.
O Sá-Carneiro suicidou-se em Paris no dia 26 de Abril.
Não tenho cabeça para lhe escrever, mas não quero deixar de lhe comunicar isto.
Claro está que a causa do suicídio foi o temperamento dele, que fatalmente o levaria àquilo. Houve, é claro, uma série de perturbações que foram as causas ocasionais da tragédia.
Ele suicidou-se com estricnina. Uma morte horrorosa. Já tencionara suicidar-se três vezes – em 3 de Abril a primeira.
Uma grande desgraça!
Naturalmente Orpheu publicará uma plaquette, colaborada só pelos seus colaboradores, à memória do Sá-Carneiro. Logo que você puder, portanto - quanto antes melhor - você mande-me qualquer coisa breve (o mais esmerado possível) á memória dele. Não se esqueça. O bom era se o mandasse pelo próximo vapor.
[...]»
quarta-feira, 4 de junho de 2008
«Portugal», de Jorge Sousa Braga
Vídeo-poema apresentado no dia 15 de Maio de 2008 nas Quintas da Leitura, no Teatro do Campo Alegre.
imagem de Pedro Guimarães
sonorização de Paulo Sousa
locução de António Durães
com o poema «Portugal», de Jorge Sousa Braga.
Feira do Livro — Livros do dia
Quarta-feira, 4 de Junho de 2008
Pavilhão 34
O Poeta Nu [poesia reunida]
Jorge Sousa Braga
P.V.P.: 19 €
Preço de Feira: 11 €
«Adão e Eva
Adão era polícia numa esquadra vizinha. Nos intervalos dos giros, subia duas a duas as escadas do atelier de Lempicka, despia a farda e o seu corpo nu e musculado pisava o soalho, como se pisasse o chão do paraíso.
Tal como o outro Adão, desconhecia o chão que pisava e seria incapaz de reconhecer esse corpo nu que arrancava na tela um frémito de prazer a uma Eva desprevenida.»
Pavilhão 21
Prosa Íntima e de Autoconhecimento
Fernando Pessoa
P.V.P.: 22.50 €
Preço de Feira: 14 €
«Interessar-nos pela vida íntima de Pessoa, longe de ser um acto de voyeurismo, com o intuito de descobrir o artista escondido por detrás da sua arte, é aprofundar o nosso conhecimento dessa arte na sua globalidade. Ler o homem é ler a obra, ou parte dela. Os textos recolhidos neste volume não servem para entender ou apreciar melhor “A Tabacaria” (não sendo sequer útil, para esse efeito, saber que é da autoria de Álvaro de Campos); valem por si, como outras peças – algumas “menores”, mas mesmo assim interessantíssimas – da obra literária chamada Pessoa.»
Richard Zenith, no prefácio a este livro.
terça-feira, 3 de junho de 2008
M.H.M. [1952-2001]

«Gosto de pensar que edito livros como quem trata de uma vinha.»
Manuel Hermínio Monteiro
[10-Setembro-1952 / 3-Junho-2001]
Feira do Livro — Livros do dia
Terça-feira, 3 de Junho de 2008
Pavilhão 34
Rosa do Mundo — 2001 poemas para o futuro
P.V.P.: 35 €
Preço de Feira: 20 €
Rosa do Mundo — 2001 Poemas para o Futuro é o título daquele que será o mais interessante projecto editorial e poético realizado entre nós. Dizemo-lo sem falsas modéstias e com a convicção que deriva de um vasto trabalho colectivo de mais de uma centena de intervenientes que, ultrapassando um ano de trabalho, conseguiram reunir muita da mais bela poesia do mundo. Um livro que nos mostra que em todos os tempos e por toda a parte sempre palpitou a energia poderosa da mais pura emoção humana que hoje podemos experimentar nas duas mil e uma pétalas que formam esta Rosa.
Pavilhão 21
Cozinha de Lisboa e seu Termo
Alfredo Saramago
P.V.P.: 60 €
Preço de Feira: 30 €
Inserida na colecção «Coração, Cabeça e Estômago / Especial», o livro Cozinha de Lisboa e seu Termo enquadra-se no conjunto de volumes dedicados à gastronomia das várias regiões de Portugal que tem deliciado os apreciadores da boa culinária.
Esta completíssima obra sobre a gastronomia da região de Lisboa apresenta em primeiro lugar uma extensa introdução de Alfredo Saramago, intitulada «Enquadramento e perspectivas históricas da alimentação em Lisboa e seu termo», na qual o autor se dedica ao estudo da história da alimentação e da gastronomia na região, desde a pré-história até aos dias de hoje, terminando com uma série de notas finais sobre o futuro da gastronomia dita tradicional. Segue-se depois um imenso e variado conjunto de receitas tradicionais da região de Lisboa, desde sopas a ovos, passando por carnes de caça, peixes de rio ou doces e bolos de fruta. Para aguçar mais o apetite dos leitores, muitas receitas vêm acompanhadas pelas lindíssimas fotografias de Inês Gonçalves, habitual colaboradora desta colecção.
segunda-feira, 2 de junho de 2008
Feira do Livro — Livros do dia
Segunda-feira, 2 de Junho de 2008
Pavilhão 34
Obra Breve
Fiama Hasse Pais Brandão
P.V.P.: 40 €
Preço de Feira: 24 €
«Ninguém entra na hermética paisagem de Fiama como em casa. Nem sequer como quem se perde, entre pânico e delícia, na floresta de um enigma levando na mão as pedras brancas do herói de Grimm. A poesia de Fiama é tão clara e obscura como o mundo onde se descobre como olhar misteriosamente in
struído pelo percurso que o solicita. Um mundo ao mesmo tempo anterior ao olhar e esperando por ele para ser decifrado. Esse mundo não é um cosmos pleonasticamente harmonioso, desde sempre votado à contemplação e a um óbvio sentido. É só um mundo escrito em hieróglifos, finito e inesgotável na sua minúcia. O poema não vem elucidar o mistério da realidade sem cessar bifurcante onde a atenção de Fiama desembarca como no mais desconhecido dos mundos: vem reconhecê-la. Um mundo anterior ao verbo que o descreve e convoca, que nunca foi nomeado fora da voz que no-lo diz. Melhor seria dizer, do poema que o cria pela sua própria
respiração[...].»
Eduardo Lourenço
Pavilhão 21
Por Teu Livre Pensamento
João Pina e R ui Daniel Galiza
P.V.P.: 30 €
Preço de Feira: 18 €
«O livro Por Teu Livre Pensamento é o resultado de 25 entrevistas efectuadas a igual número de ex-presos políticos, por dois jovens sem qualquer memória pessoal do período em questão, que pela sua acção de luta contra o Estado Novo e em prol da implementação da Democracia em Portugal, viveram experiências de privação de liberdade e maus tratos nas prisões do fascismo.
Uma das lamentações que os nossos entrevistados mais transmitiram foi o facto de, na sua opinião, Portugal ser “um país sem memória”. Se com este modesto contributo conseguirmos dar um pouco a conhecer o que era viver no Portugal de há poucos anos atrás, e lutar pela sua transformação num país melhor, a nossa tarefa está cumprida.»
Rui Daniel Galiza
«Exactamente um ano, um mês e um dia antes de a "Grândola Vila Morena" passar no Rádio Clube Português e os militares saírem à rua, morreu uma pessoa que marcou a minha vida, apesar de nunca o ter conhecido pessoalmente: o meu avô materno, Guilherme da Costa Carvalho. Ele foi o protagonista de várias histórias que ouvi, todas elas recheadas de detalhes das suas peripécias — as fugas de Peniche e Caxias, o paludismo que apanhou no Tarrafal, onde passou períodos na Frigideira.»
João Pina
domingo, 1 de junho de 2008
«Orla Marítima»
(Retirado do audiolivro «Poemas de Ruy Belo», da colecção «Sons» © Assírio & Alvim e herdeiros de Ruy Belo (2003))
Feira do Livro — Livros do dia
Domingo, 1 de Junho de 2008
Pavilhão 34
Todos os Poemas (Pack)
Ruy Belo
P.V.P.: 59 €
Preço de Feira: 25 €
«ESPAÇO PREENCHIDO
Somos todos de aqui. Basta-nos a pátria
que uma tarde de domingo nos consente
entre folhas de outono e frases de abandono
E abrem-se-nos ruas
para ir a sítios demasiado precisos
quando um só sítio se encontra
ao fim de todas as ruas e de todos os rios
Somos todos da raça dos mortos
ou vivos mais além
Mensagens de outra pátria não as traz
arauto algum que o nosso tempo vestisse
O que é preciso é dar lugar
aos pássaros nas ruas da cidade»
in Todos os Poemas I

Pavilhão 21
Poesia dos Outros Eus
Fernando Pessoa (heterónimos)
P.V.P.: 22.50 €
Preço de Feira: 14 €
«Já sugerimos, no nosso prefácio à Poesia do Eu, que a heteronímia tinha fortes raízes psicológicas, visto que Pessoa, ainda na infância, não inventava uns amiguinhos fictícios quaisquer, mas sim amigos escritores com quem fazia brincadeiras cada vez mais literárias. Com cinco ou seis anos de idade “recebia” cartas de um tal Chevalier de Pas, que ele próprio escrevia, e em 1902, quando a família veio passar umas longas férias a Portugal, assinou uma série de poemas com os nomes Dr. Pancrácio, Eduardo Lança e outros “colaboradores” dos jornais faz-de-conta que o adolescente em botão compunha com esmero [...]. Regressando a Durban, surgiu Charles Robert Anon, o primeiro “outro eu” com uma obra mais desenvolvida, que incluía poesia, ficção e ensaio. Seguiu-se o ainda mais prolífico Alexander Search, anglófono como Anon e provavelmente concebido já em Lisboa, quando Pessoa frequentava o Curso Superior de Letras. Em 1908, surgem Charles James Search (irmão do Alexander e tradutor), Jean Seul (único heterónimo francês) e Pantaleão, um aforista e autor de umas “Visões”. Ainda antes de 1910, entram em cena Carlos Otto, Joaquim Moura Costa e Vicente Guedes, todos eles poetas e não só. O primeiro assinou um inacabado “Tratado de Luta Livre” e o último tinha incumbências várias: poesia, contos, traduções e, a partir de 1914 ou 1915, a suposta autoria do Livro do Desassossego, cargo que apenas cederia a Bernardo Soares em 1928 ou 1929. Joaquim Moura Costa, republicano fervoroso, deveria colaborar com poemas satíricos em dois periódicos – O Fósforo e O Iconoclasta – a publicar pela malograda Empresa Íbis, a editora e a tipografia montada por Pessoa em finais de 1909 e quase imediatamente extinta. E havia outros como o psiquiatra Faustino Antunes, o religioso Friar Maurice e o contista Horace James Faber.
Morto o projecto da editora Íbis, que se propunha publicar várias obras assinadas pelos nomes citados, a frenética propagação de autores fictícios conhece uma pausa. O último poema, datado, de Alexander Search é de Agosto de 1910, sendo Vicente Guedes o único dos pseudo-escritores que persistirá, mas já sem grande actividade até tomar conta do Livro do Desassossego. Fernando Pessoa, no início da década de 1910, teve uma fase de intensa sociabilidade, saltitando de café em café, de tertúlia em tertúlia, mas a sua mutável identidade como ser literário conheceu três anos de acalmia, pelo menos exteriormente, antes da espantosa erupção de 1914.»
Richard Zenith, no prefácio a este livro.

