fotografias de Duarte Belo
ISBN 9789723708226
(clique na imagem para a aumentar)«Ah, o olhar! [...] o olhar é o utensílio privilegiado da libertação, é a espada que corta o nó, a mão que parte o ovo, a asa que sobrevoa o dédalo. Apliquei-me a olhar com "olhos de ver" e menos para corroborar maquinalmente certas ideias alienadas do real. Não é tão fácil tarefa quanto parece; o olhar de um adulto é diferente do de uma criança: perdeu-se a pureza, a inteireza, a inocência. [...]
[...] Munido da Leica, calcorreei as ruas de muitas cidades, as veredas de muitos campos para aprender a "ver" os outros. Intercalar uma objectiva entre os olhos e o sujeito foi excelente pedagogia e, se os resultados não trouxeram fama ou notoriedade, é certo que a fotografia me ensinou a ver melhor. Se as minhas imagens são medíocres, constato hoje, com alguma emoção, que o fio condutor da maioria delas se prende com o olhar das centenas de pessoas que agredi com aquele impiedoso olho de vidro.»
Gérard Castello-Lopes, Reflexões Sobre Fotografia - Eu, a fotografia, os outros, Lisboa, Assírio & Alvim, 2004, p. 39
Vai e Vem, de João César Monteiro, encerra o ciclo Poemas com Cinema, hoje às 22h, no Teatro do Campo Alegre, no Porto.
O teu amor infiltra-se no meu corpo / Tal como o vinho se infiltra na água quando / O vinho e a água se misturam.
Tradução: Helder Moura Pereira
Colecção: Gato Maltês 35 / 2.ª edição, revista: Janeiro de 2011
Formato e acabamento: 11,5 x 18,5 cm, edição brochada com badanas / 80 páginas
ISBN: 978-972-37-0454-9 / PVP: 7,00
O terceiro momento do Ciclo Poemas com Cinema, a propósito da antologia com o mesmo título, terá lugar na terça-feira, 1 de Fevereiro, às 22h, no Teatro do Campo Alegre, Porto, numa organização da Medeia Filmes, com a Assírio & Alvim e o Instituto de Literatura Comparada Margarida Losa, da FLUP, e o apoio da Cinemateca Portuguesa-Museu do Cinema.
«A poesia é, finita e interminável, um diálogo precário e resistente. Ora cada um de nós é um diálogo. Por isso a poesia nos convém — ela é, esquivo e incerto, um diálogo que resiste por um dia mais, uma promessa sem garantias, pela qual nos transformamos naquilo que somos. […]»
«Em poesia, o equilíbrio acontece sempre em tensão com o desequilíbrio, devendo mesmo incorporá-lo, num jogo partilhado. E talvez a preocupação com o equilíbrio advenha de uma das particularidades da poesia, como arte: o facto de ela utilizar como matéria de criação, não uma linguagem específica, mas a linguagem comum, a mesma que utilizamos no dia-a-dia. Há toda uma tradição de reflexão poética que considera essa linguagem de partida profundamente arbitrária, insuficiente e, nessa medida, desequilibrada, atribuindo à poesia o papel de recuperar um equilíbrio primordial, tido como perdido. Esse desejo de equilíbrio pode ser observado tanto no plano da relação entre som e sentido quanto no da relação entre a palavra e o mundo.»