quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011
segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011
A Arte do Retrato em Portugal
A Fundação EDP e a Assírio & Alvim têm o prazer de o(a) convidar para
de Pedro Flor
apresentada por Vítor Serrão
MUSEU DA ELECTRICIDADE
Av. de Brasília, Central Tejo, em Lisboa.
«Melhor Livro de Poesia de 2010»
domingo, 20 de fevereiro de 2011
Prémio para a Assírio & Alvim
sábado, 19 de fevereiro de 2011
Feira do Livro Manuseado nas livrarias Assírio & Alvim (19/II-19/III)
segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011
Os livros falam por si
Se lhe faltarem as palavras
NO DIA DOS NAMORADOS OFEREÇA UM LIVRO!
domingo, 13 de fevereiro de 2011
Gérard Castello-Lopes (6/VIII/1925 - 12/II/2011)
«Ah, o olhar! [...] o olhar é o utensílio privilegiado da libertação, é a espada que corta o nó, a mão que parte o ovo, a asa que sobrevoa o dédalo. Apliquei-me a olhar com "olhos de ver" e menos para corroborar maquinalmente certas ideias alienadas do real. Não é tão fácil tarefa quanto parece; o olhar de um adulto é diferente do de uma criança: perdeu-se a pureza, a inteireza, a inocência. [...]
[...] Munido da Leica, calcorreei as ruas de muitas cidades, as veredas de muitos campos para aprender a "ver" os outros. Intercalar uma objectiva entre os olhos e o sujeito foi excelente pedagogia e, se os resultados não trouxeram fama ou notoriedade, é certo que a fotografia me ensinou a ver melhor. Se as minhas imagens são medíocres, constato hoje, com alguma emoção, que o fio condutor da maioria delas se prende com o olhar das centenas de pessoas que agredi com aquele impiedoso olho de vidro.»
Gérard Castello-Lopes, Reflexões Sobre Fotografia - Eu, a fotografia, os outros, Lisboa, Assírio & Alvim, 2004, p. 39
quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011
No Dia dos Namorados ofereça um livro
terça-feira, 8 de fevereiro de 2011
Memórias Gestos Palavras
MEMÓRIAS GESTOS PALAVRAS
Textos oferecidos a Teresa Rita Lopes
Que terá lugar no auditório 1 da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, na Avenida de Berna,
Com a presença de João Sáàgua, director da Faculdade,
Leitura de textos por
Vai e Vem
Vai e Vem, de João César Monteiro, encerra o ciclo Poemas com Cinema, hoje às 22h, no Teatro do Campo Alegre, no Porto.VAI E VEM
I
É de todos sabido que
o 100 tanto desce como sobe
- e fiquemo-nos
pelo estreito declive que vai
da praça das Flores ao Príncipe Real.
Vi hoje um filme sobre isso
- português, embora não muito suave,
e avesso, como pôde, aos brandos
Manuel de Freitas, in Poemas com Cinema (org. Joana Matos Frias, Luís Miguel Queirós, Rosa Maria Martelo), Assírio & Alvim.
sábado, 5 de fevereiro de 2011
Do Egipto

O teu amor infiltra-se no meu corpo / Tal como o vinho se infiltra na água quando / O vinho e a água se misturam.
Tradução: Helder Moura Pereira
Colecção: Gato Maltês 35 / 2.ª edição, revista: Janeiro de 2011
Formato e acabamento: 11,5 x 18,5 cm, edição brochada com badanas / 80 páginas
ISBN: 978-972-37-0454-9 / PVP: 7,00
quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011
«A única luz é a do arcabuz»
«O tal saber de experiências feitas (por vezes tão falaz) não se inquietou com o filme seguinte. Atemorizou-se à ideia de que “Vai e Vem” não acabasse, que o movimento da vida cessasse antes do movimento da câmara. Por muito pouco necrófilo que se seja, é quase impossível deixar de associar filmes filmados nessas circunstâncias a filmes- testamento.
Quando, num plano especular, que parece póstuma homenagem a tantos e tão belos planos especulares da obra de César, se vai Urraca — a das barbas — que, sem elas ficou igual, “sem tirar nem pôr”, a Adriana, essa dimensão, sempre latente, invade tudo (banda- imagem e banda- som) na nona das dez viagens do eterno vai e vem do autocarro da carreira 100. É quando o coro dos ucranianos canta a canção “Enganaste-me, traíste-me”. E o protagonista ou a protagonista da canção (nesse coro, o sexo é indefinido) também foi enganado e traído dez vezes, entre a segunda-feira de uma semana e a quarta da semana seguinte.
É a seguir a essa viagem que lemos no autocarro, onde, logo no princípio, víramos, em vez dos habituais anúncios, “A única luz é a do arcabuz”, a frase “Some came rambling”. No filme de Minnelli de 1959, alguns (sobretudo verdade para Shirley MacLaine) passaram a correr. Neste, João Vuvu passou a “vaguear” ou a “vadiar”. João de Deus, Max Monteiro, João Vuvu, ou seja quem for o personagem que João César Monteiro habitou entre as “Recordações da Casa Amarela” (1989) e “Vai e Vem” (2003) foi, acima de tudo, o Vagabundo. Talvez, depois de Chaplin, ninguém merecesse tanto esse nome como ele.»
João Bénard da Costa, Crónicas: Imagens Proféticas e Outras, 1º vol., Assírio & Alvim.
ANTIGA CASA FAZ FRIO
(…)
A si, João César, daria todos os meus cigarros.
Mas agora, suponho, era coisa de pouca serventia.
O marinheiro da entrada manda-lhe saudades.
E olhe que a cozinha está melhor e o tinto
de Trancoso não provoca nem repulsa nem azia.
Manuel de Freitas, in Poemas com Cinema (org. Joana Matos Frias, Luís Miguel Queirós, Rosa Maria Martelo), Assírio & Alvim.
segunda-feira, 31 de janeiro de 2011
Ciclo Poemas com Cinema - momento 3
O terceiro momento do Ciclo Poemas com Cinema, a propósito da antologia com o mesmo título, terá lugar na terça-feira, 1 de Fevereiro, às 22h, no Teatro do Campo Alegre, Porto, numa organização da Medeia Filmes, com a Assírio & Alvim e o Instituto de Literatura Comparada Margarida Losa, da FLUP, e o apoio da Cinemateca Portuguesa-Museu do Cinema.Será exibido um dos maiores filmes da história do cinema, um filme sobre filmes, a obra-prima de Billy Wilder, Sunset Boulevard/Crepúsculo dos Deuses, com Gloria Swanson, William Holden, Erich Von Stroheim, Nancy Olson, Cecil B. DeMille, Buster Keaton, Hedda Hopper…
(…)
mas às vezes gloria swanson ainda desce as escadas, coleando prateada
contra o salitre das paredes, segundo todas as regras de escola,
e a acção volta a começar sob os projectores acesos numa cruel proposta
para o fim
da carne que deixou de ser luminosa e quente e versátil,
(…)
Vasco Graça Moura, in Poemas com Cinema (org. Joana Matos Frias, Luís Miguel Queirós, Rosa Maria Martelo), Assírio & Alvim
(…) depois viria a massa
das horas no escuro, olhando formas
luminosas que sombras envolviam,
o sentido que a noite dava ao dia
ao rodear o rosto de Swanson,
(…)
Gastão Cruz, ib.
«[…] Sunset Boulevard começa com a câmara rente ao chão, a fazer-nos ler “Sunset Boulevard” e termina no contra-plongée de Norma e na sua avançada para a câmara até ao assombroso plano final (com todo o resto – the people, nós – no escuro). É um filme que vem de além-túmulo, contado por uma voz de além-túmulo. Nesse reino de tais mortos todos somos convidados pelo máximo de exibicionismo ao máximo de voyeurismo. E Billy Wilder – num dos filmes mais cruéis duma obra que decorre sob o signo da crueldade – sabe que do lado de lá e do lado de cá do mundo dos filmes, do mundo da vida e do mundo da morte (realizadores, actores, espectadores) ninguém resiste a esse convite.»
João Bénard da Costa, Billy Wilder, As Folhas da Cinemateca, ed. Cinemateca Portuguesa-Museu do Cinema
domingo, 30 de janeiro de 2011
«Sinais de Fogo»

«Desde 1993, ano que viu surgir três trabalhos de referência sobre a obra de Jorge de Sena, na Universidade do Porto e na Universidade da Califórnia, em Santa Barbara, que não havia uma tese universitária com a importância desta. Mécia de Sena, com a habitual economia de expressão que a caracteriza, definiu-ma como “um monumento”. Com efeito, a partir de agora, não é mais possível ler e estudar Sinais de Fogo, ou mesmo abordar alguns aspectos da obra multímoda de Jorge de Sena, e em especial a questão fulcral do erotismo, sem fazer referência a esta investigação de Jorge Vaz de Carvalho, que veio suprir uma lacuna imensa no estudo e na recepção de um dos romances fundamentais do século XX.»
Do Prefácio, de Jorge Fazenda Lourenço
«De toda a criação literária de Sena, a menos favorecida comparativamente pela investigação é o romance único e inacabado Sinais de Fogo. Embora haja sobre ele estudos parciais, faltava, sem dúvida, um trabalho mais volumoso e profundo sobre este que consideramos um dos mais notáveis romances da literatura em língua portuguesa.»
Da Introdução, de Jorge Vaz de Carvalho
Jorge Vaz de Carvalho, além de músico de carreira internacional, é licenciado em Línguas e Literaturas Modernas pela Universidade Clássica de Lisboa, Mestre em Literaturas Comparadas pela Universidade Nova de Lisboa e Doutorado em Estudos de Cultura pela Universidade Católica de Lisboa. O seu trabalho literário inclui obras de poesia (A Lenta Rendição da Luz, Relógio d’Água, 1992) conto, ensaio e tradução (Ciência Nova de Giambattista Vico, Fundação Calouste Gulbenkian, Prémio de Tradução Científica e Técnica FCT/União Latina 2006; Canções de Inocência e de Experiência de William Blake, Assírio & Alvim, 2009; Vida Nova de Dante Alighieri, Relógio d’Água, 2010). Exerce constante actividade de articulista e de conferencista, no país e no estrangeiro. Foi Director da Orquestra Nacional do Porto e Director do Instituto das Artes. É professor e coordenador científico da área de Estudos Artísticos da Universidade Católica Portuguesa.
Colecção: Peninsulares 102 / Data de Edição: Dezembro de 2010 / Distribuição: Janeiro de 2011 / Formato e acabamento: 14,5 x 20,5 cm, edição brochada com badanas / 448 páginas.
ISBN: 978-972-37-1563-7
PVP: 24,00
sábado, 29 de janeiro de 2011
Leituras de Poesia (II)
«A poesia é, finita e interminável, um diálogo precário e resistente. Ora cada um de nós é um diálogo. Por isso a poesia nos convém — ela é, esquivo e incerto, um diálogo que resiste por um dia mais, uma promessa sem garantias, pela qual nos transformamos naquilo que somos. […]»Manuel Gusmão
ÍNDICE - Incerta chama (2006) 7 / A. Da poesia como razão apaixonada (1990) 29; Da poesia como razão apaixonada 2 (1991) 46; Da poesia como razão apaixonada 3 (1992) 60; Coisas que fazemos com a literatura (1998) 80; [Como e porquê falar de poesia?] (2002) 103; Desde que somos um diálogo (2004) 122; Da condição paradoxal da poesia (2009) 136 / B. Rimbaud: alteridade, singularização e construção antropológica (2000) 155 / 1. Cesário Verde: o «cartógrafo» e a temporalização dos mapas (2009) 193; O Fausto de Pessoa: um teatro em ruínas (2003) 235 / 2. Da evidência poética: justeza e justiça na poesia de Sophia (2004) 267; Uma apresentação de Livro VI (2005) 286 / 3. «Leitura», de Carlos de Oliveira (2002) 307; A arte da poesia em Carlos de Oliveira (2001, 2009) 315; Carlos de Oliveira e Herberto Helder: ao encontro do encontro (2000) 339; Leiam Herberto Helder Ou o Poema Contínuo (2001) 362; Herberto Helder, «a estrela plenária» (2002) 388; Entre nós e as palavras (Mário Cesariny) (2009) 388; / 4. Algumas variações em resposta à poesia de Ruy Belo (2000) 409; Pequena fala sobre a poesia de Ruy Belo (2003) 444; Aprender a poesia com Ruy Belo (2003) 449; A invenção do corpo amoroso em Luiza Neto Jorge: o som e a fúria do sentido (2001) 470; A arte da poesia em Gastão Cruz (2006) 495; Assis Pacheco: Respiração Assistida - algumas notas para lhe assistir (2003) 508 / C. O tempo da poesia: uma constelação precária (2003) 523.
Colecção: Peninsulares 98 / Data de Edição: Dezembro de 2010 / Distribuição: Janeiro de 2011 / Formato e acabamento: 14,5 x 20,5 cm, edição brochada / 560 páginas
ISBN: 978-972-37-1497-5
PVP: 28,00
sexta-feira, 28 de janeiro de 2011
Leituras de Poesia (I)
«Em poesia, o equilíbrio acontece sempre em tensão com o desequilíbrio, devendo mesmo incorporá-lo, num jogo partilhado. E talvez a preocupação com o equilíbrio advenha de uma das particularidades da poesia, como arte: o facto de ela utilizar como matéria de criação, não uma linguagem específica, mas a linguagem comum, a mesma que utilizamos no dia-a-dia. Há toda uma tradição de reflexão poética que considera essa linguagem de partida profundamente arbitrária, insuficiente e, nessa medida, desequilibrada, atribuindo à poesia o papel de recuperar um equilíbrio primordial, tido como perdido. Esse desejo de equilíbrio pode ser observado tanto no plano da relação entre som e sentido quanto no da relação entre a palavra e o mundo.»Rosa Maria Martelo
ÍNDICE - Poesia e des-equilíbrios 9 / Sophia de Mello Breyner Andersen - O fio de sílabas 21; Diante dos nomes, as coisas 35 / João Cabral de Melo Neto - O poema como amostra-de-mundo 49 / Carlos de Oliveira - Em homenagem a Drumond 73 / Herberto Helder - Assassinato e assinatura 83 / Luiza Neto Jorge - Um jogo de relâmpagos 115 / Fiama Hasse Pais Brandão - Nomear os nomes 127 / António Osório - A fraterna luz da poesia 133 / Nuno Júdice - As pontes abstractas do poema 143 / Cartucho - Cartucho e as linhas de renovação da poesia portuguesa na segunda metade do século XX 155 / António Franco Alexandre - Poesia, experiência urbana e desfocagem 181 / Adília Lopes - Contra a crueldade, a ironia 223; As armas desarmantes de Adília Lopes 235 / Ana Luísa Amaral - Esplendores de nada, ou a nostalgia do sublime 255; O salto do tigre 264; Dualidade e relação em Entre Dois Rios e Outras Noites 273 / Daniel Faria - A magnólia «maior / E mais bonita do que a palavra» 287 / Manuel de Freitas - Alegoria e autenticidade 303 / Cenas de Escrita (alguns exemplos) 321 / Nota 345 / Índice onomástico 347.
Colecção: Peninsulares 99; Data de edição: Dezembro de 2010 / Distribuição: Janeiro de 2011; Formato e acabamento: 16 x 22 cm, edição brochada / 352 páginas.
ISBN: 978-972-37-1555-2
Evocação de Sophia (IV)
«A poética de Sophia passa por uma ontologia da imagem poética e por uma ética que é inerente ao acto de tomar ou de usar a palavra; e é essa a sua forma de fundar a possibilidade de articular poeticamente o político. O político surge então concentrado em torno do clamor por justiça. E a justiça enquanto exigência pode, por seu turno, entender-se como algo que articula o antropológico, o ético e o histórico, algo que está para além do direito, que não prescinde dele mas não se lhe reduz. Escutemo-la uma vez mais:
A moral do poema não depende de nenhum código, de nenhuma lei, de nenhum programa que lhe seja exterior, mas, porque é uma realidade vivida, integra-se no tempo vivido […] Como Antígona a poesia do nosso tempo diz “Eu sou aquela que não aprendeu a ceder aos desastres.” (I, 8)
«Não está pois em causa a autonomia do estético, mas apenas o absoluto da sua “separação” do vivido.
«A articulação poética do político assume na poesia de Sophia diferentes formas, desdobra-se num largo leque de modalizações […] que partem de um modo de tomar a palavra que rompe ou deverá romper com o oportunismo e a demagogia.»
Manuel Gusmão, “Da evidência poética: justeza e justiça na poesia de Sophia”, in Tatuagem & Palimpsesto – da poesia em alguns poetas e poemas, Assírio & Alvim, 2010
quinta-feira, 27 de janeiro de 2011
Evocação de Sophia (III)
«O modo como Sophia acentua que o facto de o poema ser feito sílaba por sílaba e de acordo com uma rigorosa disciplina o aproxima de uma dádiva dos deuses, fazendo dele o lugar da liberdade, sugere uma valorização muito particular do ritmo, enquanto maneira de ganhar forma, de atingir uma “inseparação” do sentido e da letra capaz de situar-se para além do arquivo. […]
«A poesia de Sophia sabe que as coisas do mundo não podem ecoar linearmente nas palavras – porque a palavra isolada não conseguiria libertar-se da arbitrariedade que, ao mesmo tempo que a associa a um referente, não anula a existência entre eles de uma separação por onde o caos sempre ameaça emergir. Em contrapartida, as sílabas ordenadas são já a voz do mundo, pois este precisa da poesia para falar e, por isso, produz discurso, não palavras, mas versos: “O meu viver escuta / A frase que de coisa cem coisa silabada / Grava no espaço e no tempo a sua escrita” (22). Como é dito no poema “Bach Segóvia Guitarra”, “Palavras silabadas / Vêm uma a uma”, e só a silabação traduz “A Música do ser” (23). Digamos, então, que as sílabas são a matéria que permite encontrar “[…]a ordem intacta do mundo / a palavra não ouvida” (24), e que esta é sempre relacional e rítmica.
«Em absoluta concordância com esta perspectiva, o poeta é “um escutador”, e “fazer versos é estar atento”, “[d]eixar que o poema se diga por si” (25), ou seja, ouvir as frases por inteiro, evitar que o ritmo se quebre, deixar que uma sílaba conduza a outra para que as palavras justas possam surgir (juntas): as relações entre os sons tecem o fio discursivo que assegura a verdade do sentido porque o submetem a uma certa geometria, a uma ordem construtiva. Assim, apesar de procurada e humanamente “feita”, a ordem do poema é também, e sem contradição, “escutada” como se fosse recebida dos deuses, dado resultar inteiramente livre.»
Rosa Maria Martelo, “Sophia de Mello Breyner Andresen: O fio de sílabas”, in A Forma Informe: Leituras de poesia, Assírio & Alvim, 2010.
(22) Sophia de Mello Breyner Andresen, Geografia, Obra Poética III, p. 89.
(23) Idem, p. 33.
(24) Idem, p. 67.
(25) Idem, “Arte Poética IV”, Dual, Obra Poética III, pp. 166-7.
quarta-feira, 26 de janeiro de 2011
Evocação de Sophia (II)
«Vezes sem conta discuti isso com Sophia. Para ela, “sempre a poesia foi uma perseguição do real”. Quando recordou a “maçã enorme e vermelha” “poisada em cima de uma mesa”, “num quarto em frente do mar” (e era a coisa mais antiga de que ela se lembrava) não recordou “nada de fantástico” “nada de imaginário”. “Era a própria presença do real que eu descobria.” Por isso, cem vezes ou mais, na sua poesia, associada à morte, surge essa crença na continuidade do real, independentemente dela ou de qualquer humano. “Também morre o florir de mil pomares / e se quebram as ondas no oceano”. Ou: “Um dia quebrarei todas as pontes / Que ligam o meu ser, vivo e total / À agitação do mundo do irreal / E calma subirei até às fontes”. Cito ao acaso, de memória. Podia citar mil poemas em que ela diz o mesmo.
[…]
«Em Génova, naquela noite, ouvia a voz dela, ouvia os poemas dela ditos por ela, e via-a a ela e à poesia dela. Tudo tão real quanto fantástico. Como ela o foi, como ela o é. Mesmo quando nada restar da poesia dela, mais do que um verso ou um fragmento. Não foi só isso que nos ficou de tantos poetas da Grécia Antiga? Mas, porque outros os amaram como alguns amaram Sophia, esse resto é quanto basta. Porque “a arte é filha da memória”. Sophia, eu lembro-me.»
João Bénard da Costa, “Sophia: memória – 2 de Julho de 2004”, in Crónicas: Imagens Proféticas e Outras, 2º volume, Assírio & Alvim, 2010.












