sexta-feira, 21 de janeiro de 2011
quinta-feira, 20 de janeiro de 2011
Aqui há Gato Maltês! [as capas]
1981-2011 GATO MALTÊS 30 ANOS
Começam a chegar às livrarias esta semana, onde se juntam à «ninhada» de 2010. Procure-os, acarinhe-os, adopte-os e leve-os consigo para casa. Gostam muito de dormir em bibliotecas, são uma excelente companhia e têm muito para lhe dar!
quarta-feira, 19 de janeiro de 2011
domingo, 16 de janeiro de 2011
«Deixou-nos filmes escritos»
«João Bénard era e é um escritor. Programador de filmes sim, mas não se tente arquivá-lo na académica gaveta dos historiadores de cinema e muito menos na gaveta dos críticos de cinema. A estratégia de programação de João Bénard era servida por um dispositivo narrativo que, literariamente, a replicava e a complementava.
[…] era assim, indomável, que o João escrevia torrencial, apaixonado, cada texto um monte dos vendavais. E esta compulsiva dramatização do acto da escrita contaminava a própria escrita. Os milhares de textos que o João Bénard nos deixou estão furiosamente invadidos de aventuras, aventuras de comboios a entrar em túneis escuros, aventuras de vertigens em campanários, como as de Cary Grant ou Jimmy Stewart nos amados Hitchcock. São textos que estilhaçam todos os tabus de sexo e morte e nos oferecem tantos jardins de prazer como os filmes que lhes deram origem. São textos – para usar um termo que o faria soltar uma gargalhada – pregnantes de drama.
São textos em que João Bénard reescreve cada filme. Só com palavras volta a iluminar a cena, recompõe o enquadramento cortando um bocadinho mais à esquerda, e volta a chamar os actores redesenhando-lhes a boca, os olhares, a angústia de uma despedida ou de um reencontro, a inadjectivável solidão de Rosebud, trenó esquecido na neve, a pasmosa alegria de toda a glória da vida no milagre da ressurreição que Dreyer encenou em “Ordet”.
O que é que o João nos deixou escrito? Deixou-nos filmes escritos. Chamem-lhes se quiserem filmes-textos ou textos-filmes.
Manuel S. Fonseca
Obras de João Bénard da Costa no catálogo da Assírio & Alvim: Os Filmes da Minha Vida / Os Meus Filmes da Vida (2 volumes); Muito Lá de Casa (1 volume); Crónicas: Imagens Proféticas e Outras (já disponíveis 2 de 4 volumes a publicar).
sexta-feira, 14 de janeiro de 2011
António Sérgio
Tudo acabou por se resolver, veio O Cerco com a Dansa do Som, depois o contrato com a Polygram, o trabalho com um produtor que também era músico (o Carlos Maria Trindade), o Circo de Feras, o êxito do Contentores, as tournées esgotadas e o culminar com o estrondoso (e fumarento) concerto do Pavilhão do Belenenses.
Por isso, quando após esta sucessão feliz de eventos voltei a ter uma visita do Kalu, aí sim fiquei surpreendido. E o que trazia ele na manga?
"Tu é que eras o gajo indicado para falar com a Ana Cristina e convencê-la a escrever o nosso livro. Afinal a malta já conseguiu quase tudo mas falta-nos ter um livro." O Kalu era um tipo atento, gostava muito de visitar Londres e sabia da quantidade de livros que existiam a contar as histórias de músicos, bandas, enfim a retratar dum certo modo mais arrumado as várias cenas musicais então existentes.
"Sabes, é uma fezada que eu tenho, oiço muitos textos da Cristina aqui no 'Som da Frente' e ela tem jeito." Também achava isso mesmo e logo que regressei a casa, não pude falar do recado do Kalu pois ela dormia mas escrevi um post it amarelinho com o pedido que me alegrara muito.
A Ana Cristina tinha qualidade, engenho e sensibilidade em tudo o que tinha feito para rádio, abordava com facilidade tópicos de natureza muito diferente. Acima de tudo tinha uma capacidade invulgar para transformar mesmo os temas mais "bicudos" em peças radiofónicas que captavam a "orelha" do ouvinte, abordando com facilidade tópicos de natureza distinta, enquadrando som e textos numa linguagem radiofónica própria e inovadora à época em Portugal no que se referia a música alternativa. Agora porém, surgia um novo desafio pois tratava-se de um livro.
Que eu reparasse não houve hesitações. A Ana é uma unidade à Xutos, pronta para a acção, para o combate aos atavismos, às incertezas, às dificuldades.
Quando escrevi o tal recado que coloquei na cabeceira da cama da Ana naquela noite, adormeci com uma dúvida na cabeça: como iria ela retratar e até recriar a cena musical de um país como o nosso?
O método utilizado consistiu em entrevistar os Xutos um a um e, depois em grupo de 2, 3, ou mais. Orientou as conversas, o q.b. para manter o foco e não cortar "a onda de memórias", e captou-as no gravador de cassetes Sony adquirido para o efeito. Daí resultaram intermináveis serões de captação em cassete, ao longo de muitos meses, em que o Tim, o Zé Pedro, o Kalu, o Gui e o menos palavroso Cabeleira contaram, entre gargalhadas e nostalgia mas sempre genuínos, as histórias mais pitorescas, mais ou menos picantes, com que se depararam ao longo de muitos anos de estrada. Sessões de trabalho mas acima de tudo de alegria e boa disposição.
Conhecendo a prática jornalística inglesa empregue em livros sobre grupos de rock e pop, invariavelmente figuras públicas de contornos comportamentais polémicos, como se iria contar uma (ou várias) histórias de músicos nossos amigos, com famílias próximas, até já com filhos, sem que o resultado fosse um imenso bocejo, caso se extirpassem as menções aos "berlaites", às "bubas", às noitadas, etc.
Essas dúvidas dissiparam-se face à puerilidade, à autoconfiança, afinal o carácter genuíno com que os Xutos debitaram para o gravador todo aquele quotidiano vivido no frenesim da estrada, afinal a sua razão de ser. Recentemente nas declarações de várias pessoas no 30º aniversário o Luis Montez afirmava num jornal diário que tinha conhecido nos Xutos "... a melhor malta do mundo". Percebemos o que ele queria dizer!
Mantendo a estratégia do trabalho de campo, a Ana resolveu em seguida entrevistar toda a gente (mas toda mesmo) que tivesse tido uma pontinha de contacto com eles... surgiram então o Pedro Ayres de Magalhães, o Ricardo Camacho, a Lola, o Paulo Junqueiro, o Pedro Lopes, o Vítor Silva, o José Wallenstein, enfim praticamente "todo o mundo" que tinha algo para contar, algo para opinar, qualquer coisa para celebrar e para fazer brilhar os olhos. Voltámos a perceber porquê!
Depois da gigantesca recolha e da morosa transcrição das conversas estarem concluídas, faltava arrumar aquilo tudo (e dou graças a Deus por não ter sido eu a fazê-lo). A Ana tinha tudo planeado, as peças do puzzle, por mais que variadas e de interligação difícil, encaixavam resultando num livro ágil, rápido e aliciante de se ler, digno duma banda de vivência nua e crua. Digno dos Xutos e Pontapés.
Porque se tratava não duma banda qualquer mas sim da maior banda de rock portuguesa, um punhado de músicos que munidos de inegável talento, com uma bagagem de canções notáveis e sempre capazes de comunicar com as sucessivas gerações de portugueses num simples piscar de olhos cúmplice, que pegaram a carreira de caras, cheios duma energia transbordante mas também com uma noção responsável de persistência, vinda de quem sabe que não há nem sucessos nem vitórias fáceis!
A crítica musical recebeu o livro Conta-me Histórias com apreço. Manuel Falcão considerou: "... um objecto de culto, a inauguração duma nova era do livro musical no nosso país". Pedro Rolo Duarte classificou-o como "um objecto Rock".
Para o saudoso Manuel Hermínio Monteiro, que tão sagazmente manteve a música em livro através da colecção Rei Lagarto, era uma vitória para a menina dos seus olhos... a Assírio & Alvim.
Para mim o maior motivo de orgulho é poder voltar às histórias dos Xutos neste Conta-me Histórias e ainda voltar a rir, voltar a ter gozo em relê-lo.
That's the stuff dreams are made of!
«Prefácio», Conta-me Histórias - Xutos & Pontapés, de Ana Cristina Ferrão
quinta-feira, 13 de janeiro de 2011
Xutos & Pontapés
«No dia 13 de Janeiro de 1979 a sala dos Alunos de Apolo estava cheia e enfumarada. Na pista de dança os pares vestidos a rigor pareciam saídos de algum filme dos anos cinquenta, popas, rabos-de-cavalo, saias rodadas, blusões de cabedal, brilhantina a rodos, sapatos com sola de ceilão, botas de salto espanhol, cais-cais ousados, camisolas de gola alta... (...).
Ana Cristina Ferrão, Conta-me Histórias - Xutos & Pontapés, Assírio & Alvim, 2009, p. 27
quarta-feira, 12 de janeiro de 2011
terça-feira, 11 de janeiro de 2011
«no marítimo lodo da fala fazem ninho / pássaros de sal com suas asas afiadas (...)»
domingo, 9 de janeiro de 2011
sábado, 8 de janeiro de 2011
Estreia logo à tarde...
Estreia hoje, dia 8 de Janeiro, sábado, no Teatro da Luz, em Lisboa.
O Tamanho da Minha Altura, de Suzana Ramos (texto) e Marta Neto (ilustração) e editado em 2009 na colecção «Assirinha», é um fascinante livro infantil, vencedor do «Prémio Literário Maria Rosa Colaço – 2007», atribuído pela Câmara Municipal de Almada.
sexta-feira, 7 de janeiro de 2011
Helder Moura Pereira [Setúbal, 7-I-1949]
Apagaram-se as luzes azuis da ambulância
e mais ficou na nossa imagem a cor do sangue.
No trajecto vi mais o teu ser do que à mesa,
na cama, no trabalho, o que vi deixou-me
descansado: humano, demasiado humano.
Tudo podia ter sido mais fácil, eis o que pode
dizer qualquer um, e mesmo que quase não
haja dinheiro para o táxi e te sintas à beira
do precipício, levanta a garganta e berra
para aí até já não haver quem te oiça.
Da missa metade não soube em tua história
e também não é preciso, todos nós já corremos
para um hospital e viemos de lá a cheirar
a doença e a morte. Por nós ou por outros,
nessa grande casa da tristeza e do alívio,
democracia total o acaso que dispara
e acerta ou não acerta em quem vai a passar.
Alguém te segura à beira da derrocada
e te pergunta saberás se lá no fundo há
algo que valha a pena? Pode ser que sim,
pode ser que não, ninguém sabe.
SE AS COISAS NÃO FOSSEM O QUE SÃO (2010)
quinta-feira, 6 de janeiro de 2011
Poemas com Cinema - lançamento
É já na próxima quinta-feira, no Porto. Contamos com a sua presença.
quarta-feira, 5 de janeiro de 2011
Malangatana
Mário Cesariny, As Mãos na Água, a Cabeça no Mar, Assírio & Alvim, 1985, p. 283.
sábado, 1 de janeiro de 2011
Gato Maltês - 30 anos
1981-2011
«De todas as nossas colecções, uma parece estar mais perto do coração. Chama-se GATO MALTÊS e, como o gato das histórias, tem muitas vidas e, no seu conjunto, pretende, em pequenas dimensões e sob excepcional aspecto gráfico, dar ao conhecimento do leitor português um leque diversificado do melhor da literatura universal.»
«Colecção Gato Maltês» (excerto de folheto promocional de Março de 1986, distribuído aquando do lançamento de O Gosto Solitário do Orvalho, de Matsuo Bashô)
«Há colecções preferidas nas editoras? No caso da Assírio & Alvim, há. E essa colecção tem a presença, o mistério, a familiaridade e irrequietude de um gato. Um gato maltês. Anais Nin, Borges, S. João da Cruz, Pound, Conrad, Whitman, D. H. Lawrence, Eliot, Malcolm Lowry, Céline, Bashô, Henry James, Novalis, Melville, Pascoaes, Yeats, Tarkovskii e Cocteau, todos eles deram "garras" à literatura universal, imprimindo-lhe um temperamento felino e inovador. Escolhendo um a um e juntando-os na sua pluralidade de escritas, inaugurámos uma singular e notável colecção de pequeno formato, na vida editorial portuguesa. Usamos o maior rigor na selecção e execução de cada título. A poesia publica-se em edição bilingue. As traduções são muito selectivas, como as de Aníbal Fernandes ou as de João Almeida Flor. Mas há aqui um particular que gostamos de realçar: o diálogo e o confronto de poetas portugueses com o texto original trazido ao português. Daí o "charme" da Gato Maltês. Com alguns dos seus pequenos livros em versões da autoria de diversos poetas de diferentes gerações: Herberto Helder, Cesariny, José Bento, Jorge de Sousa Braga, José Agostinho Baptista, Gil de Carvalho, Paulo da Costa Domingos, Fiama Hasse Pais Brandão. Por isso, acarinhámos esta edição de A Voz Humana. Pelo belo texto de Cocteau e igualmente pela singular versão do poeta Carlos de Oliveira. Ambos dão mais fôlego ao persistente gato que "ameaça" prosseguir activo pelos muitos lares dos melhores leitores para despeito e temor das muitas ratazanas que tentam desfeitear a Grande Literatura Universal.»
«Gato Maltês - uma colecção felina», folheto comemorativo do centenário do nascimento de Jean Cocteau, distribuído por ocasião do lançamento de A Voz Humana e da homenagem realizada entre 22 de Fevereiro e 8 de Março de 1989.
Janeiro de 1981 - edição de O Teatro, de Emma Santos, primeiro livro da colecção Gato Maltês; Janeiro de 2011 - esteja atento às novidades e reedições que preparámos para assinalar os 30 anos desta colecção. Damos assim novo «fôlego ao persistente gato que "ameaça" prosseguir activo pelos muitos lares dos melhores leitores para despeito e temor das muitas ratazanas que tentam desfeitear a Grande Literatura Universal». Ontem e hoje.
Bom Ano!
«[...] não é bom começar um ano a repisar desgraças e muito menos a antevê-las.»
João Bénard da Costa, Crónicas: Imagens Proféticas e Outras, 2º vol., A&A, 2010.
BOM ANO DE 2011!








































