domingo, 19 de dezembro de 2010
«O bosque sagrado»
«O BOSQUE SAGRADO - Poemas de Adília Lopes, Al Berto, Alberto Pimenta, Alexandre O’Neill, Alexandre Pinheiro Torres, Ana Hatherly, Ana Luísa Amaral, Ana Paula Inácio, António Botto, António Franco Alexandre, António José Forte, António Osório, Armando Silva Carvalho, Carlos de Oliveira, Daniel Jonas, Edmundo de Bettencourt, Eugénio de Andrade, Fátima Maldonado, Fernando Assis Pacheco, Fernando Guerreiro, Fernando Pinto do Amaral, Fiama Hasse Pais Brandão, Gastão Cruz, Gil de Carvalho, Helder Moura Pereira, Herberto Helder, Inês Lourenço, João José Cochofel, João Lopes, Jorge de Sena, Jorge Sousa Braga, José Alberto Oliveira, José Gomes Ferreira, José Mário Silva, José Miguel Silva, José Tolentino Mendonça, Luís Miguel Nava, Luís Quintais, Luiza Neto Jorge, Manuel António Pina, Manuel de Freitas, Manuel Gusmão, Maria Andresen, Mário Cesariny, Miguel-Manso, Nuno Júdice, Pedro Mexia, Pedro Tamen, Raul de Carvalho, Ruy Belo, Ruy Cinatti, Rui Lage e Vasco Graça Moura.» - PEDRO MEXIA
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Citações
Assírio & Alvim Livros (Chiado)

Hoje, domingo, esperamos por si entre as 15h00 e as 19h00. No Chiado.
Assírio & Alvim Livros: Pátio Siza no Chiado, com entrada pela Rua Garrett n.º 10 ou pela Rua do Carmo n.º 29. Aberta de segunda-feira a domingo: de segunda-feira a sexta-feira das 12h00 às 19h00; sábados e feriados das 10h00 às 19h00; domingos das 15h00 às 19h00.
sábado, 18 de dezembro de 2010
Natal na Assírio & Alvim - horários das livrarias
A Livraria Assírio & Alvim, na Rua Passos Manuel, 67-b, em Lisboa, estará aberta durante este sábado, 18 de Dezembro, das 10h00 às 13h00 e das 14h00 às 19h00. A Assírio & Alvim Livros, no Chiado, estará aberta hoje, das 10h00 às 19h00, e amanhã, domingo, 19 de Dezembro, das 15h00 às 19h00.
Se ainda não sabe o que oferecer neste Natal, visite as livrarias da Assírio & Alvim e ofereça um livro. Livros em promoção, livros raros, primeiras edições, pins, posters e muitas outras surpresas. Visite-nos!
Livraria Assírio & Alvim: Rua Passos Manuel, 67-b, 1150-258 Lisboa. Aberta de segunda-feira a sexta-feira das 10h00 às 13h00 e das 14h00 às 19h00 (abre durante os feriados de 1 e 8 de Dezembro).
Assírio & Alvim Livros: Pátio Siza no Chiado, com entrada pela Rua Garrett n.º 10 ou pela Rua do Carmo n.º 29. Aberta de segunda-feira a domingo: de segunda-feira a sexta-feira das 12h00 às 19h00; sábados e feriados das 10h00 às 19h00; domingos das 15h00 às 19h00 (abre durante os feriados de 1 e 8 de Dezembro).
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Livrarias
sexta-feira, 17 de dezembro de 2010
Assírio apagada do Facebook
Sem qualquer aviso prévio, acabámos de ser apagados do facebook, onde contávamos já com mais de 12 000 amigos com quem nos habituámos a falar todos os dias. Para já, continuaremos aqui neste blogue, no blogue A Phala e nas nossas livrarias da Passos Manuel e do Chiado, em Lisboa. Continuaremos também nas livrarias, onde sentimos que somos acarinhados pelos livreiros e pelos leitores. Obrigada a todos!
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quinta-feira, 16 de dezembro de 2010
«Gourmand» para livro de José Quitério
O livro de José Quitério, Escritores à Mesa (e outros artistas), acaba de ser galardoado com o «Gourmand World Cookbook Awards 2010», na categoria de Melhor Livro de Literatura Gastronómica em Portugal. Com este prémio passa à fase seguinte, onde irá competir a nível internacional para o prémio «The Best in the World». Os resultados serão anunciados, numa cerimónia a realizar em Paris, no dia 3 de Março de 2011.
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Prémios
quarta-feira, 15 de dezembro de 2010
terça-feira, 14 de dezembro de 2010
Manuel António Pina apresenta o novo livro de D. Manuel Clemente - HOJE, às 21h30m, no Porto
(clique na imagem para a aumentar)
A Assírio & Alvim convida-o para o lançamento do livro:
PORQUÊ E PARA QUÊ?
Pensar com esperança o Portugal de hoje
de D. Manuel Clemente
Com apresentação de Manuel António Pina
Dia 14 de Dezembro de 2010
terça-feira, às 21h30m
PALÁCIO DA BOLSA
Rua Ferreira Borges, Porto
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Lançamentos
segunda-feira, 13 de dezembro de 2010
MAIS LOGO: Lançamento de «Crónicas: Imagens Proféticas e Outras», Vol. II
(clique na imagem para a aumentar)
A Assírio & Alvim convida-o(a) para o lançamento do livro
CRÓNICAS: IMAGENS PROFÉTICAS E OUTRAS, Vol. II
de João Bénard da Costa
que será apresentado por Alberto Vaz da Silva.
Na próxima segunda-feira, dia 13 de Dezembro de 2010, às 18h30, na Livraria Assírio & Alvim (Rua Passos Manuel, 67-b, em Lisboa).
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Lançamentos
domingo, 12 de dezembro de 2010
Muitas e maravilhosas surpresas
Vá à sua livraria habitual, peça para ver e... embarque numa maravilhosa viagem, feita de construções de cartão que se erguem das páginas, por mitos e lendas de todo o mundo. Boa viagem!
Enciclopédia Mitológica - Deuses & Heróis
Matthew Reinhart e Robert Sabuda
Tradução e adaptação: Helder Moura Pereira
Colecção Assirinha / 27
ISBN 978-972-37-1466-1
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Novidades
sábado, 11 de dezembro de 2010
Prémio de Poesia Teixeira de Pascoaes
O prémio será entregue pelo Presidente da Câmara Municipal de Amarante, Armindo Abreu, hoje, 11 de Dezembro de 2010, pelas 15:00, na Biblioteca Municipal Albano Sardoeira.
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Prémios
terça-feira, 7 de dezembro de 2010
Myra
Depois do Prémio de Ficção do P.E.N. Clube (2008), do Prémio Máxima de Literatura (2009) e do Prémio Casino da Póvoa/Correntes d'Escritas (2010), mais um prémio para Myra, de Maria Velho da Costa, o Grande Prémio de Literatura DST. O júri deste último foi constituído por Vítor Aguiar e Silva (presidente), José Manuel Mendes e Carlos Mendes de Sousa. O prémio será entregue à escritora no dia 30 de Abril, na abertura da Feira do Livro de Braga. Parabéns à autora!
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Prémios
HOJE — Ásia na Assírio & Alvim § parte 2
(clique na imagem para a aumentar)
É já amanhã, dia 7 de Dezembro, terça-feira, a segunda sessão do ciclo «Ásia na Assírio & Alvim», com intervenções de António Osório, Gil de Carvalho, José Domingos Morais, José Alberto Oliveira, Luísa Freire, Marta Morais, Pedro Tropa e Teresa Santos. A partir das 18h30 na:
Livraria Assírio & Alvim § Rua Passos Manuel, 67-b, em Lisboa
De 17 de Novembro a 10 de Dezembro, exposições de Bárbara Assis Pacheco (Goa e Cochim — Desenhos da Viagem); Pedro Tropa e Teresa Santos (China — Viagens) e Pedro Proença (O Verdadeiro Clássico das Virtudes Imperfeitas). Na galeria Assírio & Alvim § Rua Passos Manuel, 67-b, em Lisboa.
Consulte todo o programa aqui. Não falte!
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quinta-feira, 2 de dezembro de 2010
Se as Coisas não Fossem o que São
Apagaram-se as luzes azuis da ambulância
e mais ficou na nossa imagem a cor do sangue.No trajecto vi mais o teu ser do que à mesa,
na cama, no trabalho, o que vi deixou-me
descansado: humano, demasiado humano.
Tudo podia ter sido mais fácil, eis o que pode
dizer qualquer um, e mesmo que quase não
haja dinheiro para o táxi e te sintas à beira
do precipício, levanta a garganta e berra
para aí até já não haver quem te oiça.
Da missa metade não soube em tua história
e também não é preciso, todos nós já corremos
para um hospital e viemos de lá a cheirar
a doença e a morte. Por nós ou por outros,
nessa grande casa da tristeza e do alívio,
democracia total o acaso que dispara
e acerta ou não acerta em quem vai a passar.
Alguém te segura à beira da derrocada
e te pergunta saberás se lá no fundo há
algo que valha a pena? Pode ser que sim,
pode ser que não, ninguém sabe.
O mais recente livro de Helder Moura Pereira, já disponível nas livrarias.
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Novidades
Porquê e Para Quê? - Pensar com esperança o Portugal de hoje
O melhor de Portugal pouco aparece e não abre geralmente os noticiários. Mas existe e por ele mesmo continuamos nós a existir. Apesar de tudo, mas não apesar de nós.Porquê e Para Quê? — Pensar com esperança o Portugal de hoje reúne as principais intervenções de D. Manuel Clemente no campo plural que é o da cultura, entre 2009 e 2010. Conservam-se as referências temporais, mas não são elas a determinar a sequência. Antes, ousamos sublinhar afinidades e correspondências entre os textos, sem contudo forçar uma compartimentação.
De facto, um traço maior do pensamento do actual Bispo do Porto é precisamente o contrário: ele coloca em relação passado e presente, comum e singular, religioso e profano, as verdades penúltimas que seguimos e aquelas que se desenham misteriosamente últimas.
Neste tempo português carregado de incertezas, esta antologia pretende documentar a vivacidade de um pensamento rigoroso e polifónico que se abre, e nos abre, à esperança.
Manuel Clemente Nasceu em Torres Vedras a 16 de Julho de 1948. É licenciado em História e Teologia e doutorado em Teologia Histórica. Em 1975 começou a leccionar na Universidade Católica Portuguesa, tornando-se depois director do Centro de Estudos de História Religiosa dessa instituição. Em Junho de 1979 foi ordenado presbítero; vinte anos depois, em Novembro de 1999, foi nomeado Bispo Auxiliar de Lisboa, com o título de Pinhel, e em de Janeiro de 2000, ordenado na Igreja de Santa Maria de Belém (Jerónimos). Em 2007, o Vaticano nomeou-o Bispo do Porto. Publicou na Assírio & Alvim Portugal e os Portugueses e 1810-1910-2010 — Datas e Desafios.
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terça-feira, 30 de novembro de 2010
Fernando Pessoa
«Cansa tanto viver! Se houvesse outro modo de vida!...»
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Aniversário da morte,
Fernando Pessoa
Etty Hillesum [1914-30 de Novembro de 1943*]
«[…] Deus do céu, vão mesmo conseguir fechar todas as portas? Sim, vão. Fecham as portas, comprimindo a multidão de pessoas amontoadas e empurradas para trás. Pelas estreitas aberturas no topo, vêem-se cabeças e mãos que mais tarde acenarão para nós quando o comboio partir.
Queria dizer apenas o seguinte: a miséria aqui é realmente terrível e, ainda assim, à noite, quando o dia caiu num abismo atrás de mim, costumo caminhar a passo enérgico ao longo do arame farpado e, nessas alturas, volta a assolar-me o sentimento de que esta vida é algo de glorioso e magnífico e que, um dia, teremos de construir um mundo totalmente novo. E quantos mais delitos e horrores se derem, mais amor e bondade teremos de oferecer em contrapartida, sentimentos que temos de conquistar dentro de nós. Podemos sofrer, mas não podemos sucumbir. E se escaparmos a estes tempos imaculados no corpo e na alma, mas sobretudo na alma, sem rancor, sem ódio, então, também nós teremos algo a dizer. […]»
A Han Wegerif e outros.
Westerbork, terça-feira, 24 de Agosto de 1943.
[excerto]
ISBN: 978-972-37-1337-4
Também na Assírio & Alvim: Diário 1941-1943; ISBN: 978-972-37-1274-2
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Aniversário da morte
segunda-feira, 29 de novembro de 2010
A Cidade e a Escrita — Walter Benjamin, entre a catástrofe e a redenção da história
Encontros Literários
29.11.2010, 18h30
Goethe-Institut, Campo dos Mártires da Pátria, 37, Lisboa
Entrada livre
+351 218 842 510
Passaram 70 anos sobre a morte de um dos pensadores mais incontornáveis do século XX: Walter Benjamin. O pretexto para esta sessão da "Cidade e a Escrita", em que, a partir da tradução de João Barrento, O Anjo da História, em que o autor lança mão dos seus textos mais emblemáticos sobre a visão da história de Walter Benjamin. Com a presença deste prestigiado investigador e tradutor, que traduziu o que de melhor a literatura alemã nos poderia legar, poderemos reunir e falar da importância de Walter Benjamin, da tradução da sua obra em Portugal, retomando questões que são ou mais pregnantes ainda hoje, como a falência do modelo capitalista, a crise da história e da narração, o fetiche do consumismo e a necessidade de repensar novos modelos sociais e políticos, com urgência.
Com a participação de Maria João Cantinho e João Barrento.
"A Cidade e a Escrita" é uma iniciativa do P.E.N. Clube Português e do Goethe-Institut Portugal
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domingo, 28 de novembro de 2010
José Afonso - Todas as Canções
«"José Afonso é o nosso maior cantor de intervenção!"
Este elogio tão consensual e aparentemente tão generoso é a forma mais eficaz de liquidar a obra do grande mestre da música popular portuguesa no que ela tem de universal e de artisticamente superior.
Não é sequer uma meia verdade. É, de facto, uma «falsa» verdade.
Reduzir José Afonso ao cantor de intervenção, que ele também foi, é induzir no grande contingente de distraídos a ideia de menoridade artística, (mal) associada à canção política.
É claro que, numa análise larga, podemos considerar cada cantiga de José Afonso uma canção de intervenção, na medida em que todas elas reflectem a sua forma de estar na vida e de a observar. Desse ponto de vista, cada uma das suas cantigas foi concebida deliberadamente à revelia da ideologia dominante e contra ela.
Na realidade, porém, as canções de conteúdo expressamente político são até minoritárias no conjunto da sua obra.
Arrumar José Afonso na gaveta da canção de intervenção, é não compreender que a dimensão da sua obra está ao nível do que de mais importante se fez na música popular universal do século XX. E se não teve o impacto mundial que merecia, foi tão-somente porque ele nasceu onde nasceu.
Além disso, essa etiqueta é um óptimo álibi para que os divulgadores musicais o possam banir com toda a tranquilidade. Porque "a música de intervenção já teve o seu tempo e já não interessa ao grande público".
Mas sejamos justos: se a rádio e a televisão ignoram a obra de José Afonso, esse facto não se deve apenas ao analfabetismo musical e ao mau gosto de muitos dos seus directores de programas. Deve-se também às imposições do mercado, para o qual e com o qual esses directores trabalham.
Sintomaticamente, essa marginalização não tem hoje reflexo no meio musical. Pelo contrário, de há uns anos a esta parte, José Afonso passou a ser o autor mais cantado por todas as gerações e diferentes escolas de músicos.
Este facto atesta bem a sua importância na história da música popular portuguesa. Graças ao seu talento excepcional, renovou a nossa canção popular a partir da tradição musical coimbrã em que se iniciou, integrando novas influências e marcando decisivamente as gerações seguintes. A esse papel não são estranhos três factores resultantes da sua própria vivência: o meio universitário coimbrão, culto e boémio, onde estudavam jovens oriundos de zonas rurais ou semi-rurais, que integrava já, na tipicidade das suas baladas, fortes influências da poesia e da música tradicionais de várias regiões do país, sobretudo das Beiras e dos Açores; a instabilidade, pouco normal para a época, da sua infância e da sua adolescência, que muito cedo o levou a contactar com meios socioculturais muito diferentes; uma cultura literária acima da média, adquirida sobretudo em Coimbra, que contribuiu para elevar os seus padrões de qualidade no uso da palavra cantada.
Mestre incontestado da canção popular portuguesa, simultaneamente um genial autor e intérprete de canções, cidadão exemplar e incansável lutador pela liberdade e pela justiça no contexto da ditadura salazarista, mas também no pós 25 de Abril, a sua vasta obra discográfica, iniciada em 1953 e terminada em 1985, constitui um manancial inesgotável de inspiração e de aprendizagem.
José Afonso deixou-nos em 1987. Num país tremendamente desculturado e desatento foi preciso esperar quase um quarto de século para ver aparecer o presente trabalho, que reúne as partituras de todas as 159 canções que gravou, com as respectivas letras e cifras, exceptuando apenas os fados de Coimbra de autoria alheia que interpretou.
Para que este livro possa constituir um complemento de alguma utilidade para quem pretender conhecer e estudar a sua obra, optámos pela transcrição fidedigna do que está registado nos fonogramas, independentemente de pensarmos, num ou outro caso, que poderia haver outras soluções ao nível da estrutura ou da harmonia. Pela mesma razão, não sugerimos qualquer hipótese de harmonização, quando a harmonia não é evidente no arranjo.
Apenas nos permitimos alterar a tonalidade de algumas canções na transcrição, nos seguintes três casos:
— Para que a partitura reflicta a digitação utilizada, nas situações em que a afinação habitual das violas foi alterada;
— Quando os instrumentistas utilizaram um transpositor;
— No limite, quando a tonalidade da gravação, com pequena diferença de tessitura, poderia dificultar desnecessariamente a leitura e a execução.
A autoria das letras e das músicas é de José Afonso, excepto quando são indicados outros autores.
Esperamos que este José Afonso — Todas as canções possa contribuir para um melhor conhecimento e estudo deste precioso património.»
Este elogio tão consensual e aparentemente tão generoso é a forma mais eficaz de liquidar a obra do grande mestre da música popular portuguesa no que ela tem de universal e de artisticamente superior.
Não é sequer uma meia verdade. É, de facto, uma «falsa» verdade.
Reduzir José Afonso ao cantor de intervenção, que ele também foi, é induzir no grande contingente de distraídos a ideia de menoridade artística, (mal) associada à canção política.
É claro que, numa análise larga, podemos considerar cada cantiga de José Afonso uma canção de intervenção, na medida em que todas elas reflectem a sua forma de estar na vida e de a observar. Desse ponto de vista, cada uma das suas cantigas foi concebida deliberadamente à revelia da ideologia dominante e contra ela.
Na realidade, porém, as canções de conteúdo expressamente político são até minoritárias no conjunto da sua obra.
Arrumar José Afonso na gaveta da canção de intervenção, é não compreender que a dimensão da sua obra está ao nível do que de mais importante se fez na música popular universal do século XX. E se não teve o impacto mundial que merecia, foi tão-somente porque ele nasceu onde nasceu.
Além disso, essa etiqueta é um óptimo álibi para que os divulgadores musicais o possam banir com toda a tranquilidade. Porque "a música de intervenção já teve o seu tempo e já não interessa ao grande público".
Mas sejamos justos: se a rádio e a televisão ignoram a obra de José Afonso, esse facto não se deve apenas ao analfabetismo musical e ao mau gosto de muitos dos seus directores de programas. Deve-se também às imposições do mercado, para o qual e com o qual esses directores trabalham.
Sintomaticamente, essa marginalização não tem hoje reflexo no meio musical. Pelo contrário, de há uns anos a esta parte, José Afonso passou a ser o autor mais cantado por todas as gerações e diferentes escolas de músicos.
Este facto atesta bem a sua importância na história da música popular portuguesa. Graças ao seu talento excepcional, renovou a nossa canção popular a partir da tradição musical coimbrã em que se iniciou, integrando novas influências e marcando decisivamente as gerações seguintes. A esse papel não são estranhos três factores resultantes da sua própria vivência: o meio universitário coimbrão, culto e boémio, onde estudavam jovens oriundos de zonas rurais ou semi-rurais, que integrava já, na tipicidade das suas baladas, fortes influências da poesia e da música tradicionais de várias regiões do país, sobretudo das Beiras e dos Açores; a instabilidade, pouco normal para a época, da sua infância e da sua adolescência, que muito cedo o levou a contactar com meios socioculturais muito diferentes; uma cultura literária acima da média, adquirida sobretudo em Coimbra, que contribuiu para elevar os seus padrões de qualidade no uso da palavra cantada.
Mestre incontestado da canção popular portuguesa, simultaneamente um genial autor e intérprete de canções, cidadão exemplar e incansável lutador pela liberdade e pela justiça no contexto da ditadura salazarista, mas também no pós 25 de Abril, a sua vasta obra discográfica, iniciada em 1953 e terminada em 1985, constitui um manancial inesgotável de inspiração e de aprendizagem.
José Afonso deixou-nos em 1987. Num país tremendamente desculturado e desatento foi preciso esperar quase um quarto de século para ver aparecer o presente trabalho, que reúne as partituras de todas as 159 canções que gravou, com as respectivas letras e cifras, exceptuando apenas os fados de Coimbra de autoria alheia que interpretou.
Para que este livro possa constituir um complemento de alguma utilidade para quem pretender conhecer e estudar a sua obra, optámos pela transcrição fidedigna do que está registado nos fonogramas, independentemente de pensarmos, num ou outro caso, que poderia haver outras soluções ao nível da estrutura ou da harmonia. Pela mesma razão, não sugerimos qualquer hipótese de harmonização, quando a harmonia não é evidente no arranjo.
Apenas nos permitimos alterar a tonalidade de algumas canções na transcrição, nos seguintes três casos:
— Para que a partitura reflicta a digitação utilizada, nas situações em que a afinação habitual das violas foi alterada;
— Quando os instrumentistas utilizaram um transpositor;
— No limite, quando a tonalidade da gravação, com pequena diferença de tessitura, poderia dificultar desnecessariamente a leitura e a execução.
A autoria das letras e das músicas é de José Afonso, excepto quando são indicados outros autores.
Esperamos que este José Afonso — Todas as canções possa contribuir para um melhor conhecimento e estudo deste precioso património.»
Guilhermino Monteiro
João Lóio
José Mário Branco
Octávio Fonseca
Brevemente na sua livraria, onde já pode reservar o seu exemplar.
João Lóio
José Mário Branco
Octávio Fonseca
Brevemente na sua livraria, onde já pode reservar o seu exemplar.
ISBN: 978-972-37-1567-5; 352 páginas; PVP: 22,00
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