quarta-feira, 21 de abril de 2010

Mark Twain [30/XI/1835 - 21/IV/1910]


Samuel Langhorne Clemens nasceu a 30 de Novembro de 1835, no Missouri. Aos 18 anos começou a trabalhar como tipógrafo e a escrever para os jornais. De 1856 até ao início da Guerra Civil Americana foi piloto de barcos a vapor no Mississipi.
Mark Twain, o pseudónimo com que se celebrizou, foi adoptado em 1863. A sua obra inicial consistiu em livros de viagens (The Innocents Abroad e Roughing It), que se tornaram populares. Antes disso, em 1867, publicara a recolha de contos The Celebrated Jumping Frog of Calaveras County and Other Sketches.
The Adventures of Tom Sawyer data de 1876 — a este livro se seguiria, anos mais tarde, a obra-prima de Mark Twain, The Adventures of Huckleberry Finn. The Man that Corrupted Hadleyburg and Other Stories and Essays foi editado em 1890.
“Quando eu era mais jovem”, disse, aos setenta anos, Mark Twain ao seu biógrafo, Albert Bigelow Pain, “conseguia recordar tudo o que tinha e o que não tinha acontecido; agora estou a ficar velho e, em breve, só recordarei a última parte”.
Morreu em 21 de Abril de 1910 em Redding, Connecticut, faz hoje 100 anos.

O Homem que Corrompeu Hadleyburg
Tradução de José Alberto Oliveira
Colecção «O Imaginário» - ISBN: 972-37-0816-7

terça-feira, 20 de abril de 2010

O Presente

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O PRESENTE

Vou-te dar um presente
eu gosto de presentes
é uma caixa de jóias
é tão bonita
dentro está um anel com uma pedra preciosa
porque é tão grande?
toma
porque é tão grande?
toma
cuidado
dentro está um anel com uma pedra preciosa
mas talvez nunca o chegues a pôr no dedo
na caixa está uma serpente
para pegares no anel tens de abrir a caixa
se abrires a caixa a serpente pode picar-te o dedo
e tu podes morrer
se não abrires a caixa

Adília Lopes; Dobra — Poesia Reunida 1983-2007; ed. Assírio & Alvim

«Suroeste - Relações literárias e artísticas entre Portugal e Espanha (1890-1936)»

O percurso aqui proposto é «[…] um percurso extraordinário, pois nele estão contidas várias revoluções, desde os simbolistas, passando pela ruptura expressionista, por Braque e Picasso, até
chegarmos ao Futurismo e, de novo, ao Neo-classicismo. Tudo isto incidindo num período histórico de uma dramaticidade deslumbrante. A primeira Europa verdadeiramente capitalista, que era a potência dominante do mundo, com a sobrevivência ainda, sobretudo em Inglaterra e França, do poder colonial, assistia ao esboçar lento de algo que ninguém poderia imaginar então (a excepção foi realmente Nietzsche). O território europeu começava a ser um palco de guerra e esse facto marcou profundamente o século XX que continua a ser, na verdade, o nosso tempo. Tudo isto é terrivelmente perverso: a deflagração deste cenário ocorre em paralelo com a apologia do progresso, uma apologia com concretização real, o progresso materializado aconteceu de facto, desde que o comboio trouxe até nós a Inglaterra, e esse acontecer foi silenciando o demónio que se ia gerando no seu avesso, e o mundo sem saber, nessa vivência da euforia da invenção do engenho humano, uma euforia que continua viva hoje. Esta é ainda a nossa história. A medida da aceleração moderna da Europa tem a contrapartida do seu estar a caminho para um abismo que será o da catástrofe mundial, que acompanha a catástrofe europeia.»

Eduardo Lourenço, no texto «O Mundo Sem Saber»


Vol. 1: 448 pp. / Vol. 2: 408 pp. (reunidos numa caixa) - ISBN: 978-972-37-1483-8
Disponível nas livrarias.

segunda-feira, 19 de abril de 2010

«Khora» - Rui Chafes e Alberto Carneiro

«Este livro recupera a estrutura interior do Caderno Preto (1968-71) de Alberto Carneiro e procura reproduzir uma aproximação a um lugar a que chamaremos Khora (termo platónico) simbolizado neste objecto pela folha branca.
Esta “descida” ao mais singelo, ao lugar «anterior», talvez nos faça reconsiderar que a elevação a que comummente se chama transcendência não esteja acima ou fora de nós, mas penetrante, entre a inteireza dos sentidos e uma consciência mais funda do que a inteligência pode controlar.
Numa altura em que o mito ainda não estava definitivamente separado da ciência e da filosofia, Platão apresenta o universo como génese dos princípios metafísicos, distinguindo as oposições binárias que marcaram o pensamento ocidental.
As distinções entre ser e devir, inteligível e sensível, ideal e material, eram pensadas como mundo perfeito da razão e mundo material imperfeito. Platão problematiza essa oposição, introduzindo uma categoria intermediária — Khora — como possibilidade de mediação ou transição entre a polaridade.
Khora. Foi a procura deste lugar-comum que fez convergir na exposição a obra de dois escultores, que, embora recorrendo ambos ao vocabulário da tridimensionalidade, o fazem com linguagens, meios e percursos absolutamente distintos. Por isso, as relações entre as obras dos dois autores (desenho, escultura, escrita) não serão encontradas formalmente. O ponto de contacto entre o desenho de ambos pode ser estabelecido pontualmente, mas só resistirá se seguirmos o movimento divergente — desprendimento e ancoragem ao corpo — que nele é percorrido para cercar o espaço Khora.
Se atendermos aos desenhos de 1966 de Alberto Carneiro [Raízes, caules, folhas, flores e frutos], percebemos como as primeiras alusões ao corpo dão lugar a rastos da sua passagem e, posteriormente, ao desaparecimento desses rastos. No desenho de Alberto Carneiro pode falar-se em ausência do corpo (disembodiment), não porque este tenha deixado de estar presente, mas porque agora é indistinto do cosmos, fundiu-se nele. O movimento percorrido no desenho de Rui Chafes é o da corporalização (embodiment). As alusões aos órgãos ou, periodicamente, à figura humana completa não cessam de circular.
Sigamos o telescópio de Alberto Carneiro e a câmara endoscópica de Rui Chafes. Na intercepção das duas lentes talvez possamos atravessar Khora.»

Sara Antónia Matos

[texto e curadoria da exposição, patente na Fundação Carmona e Costa, em Lisboa, entre 10 de Março e 21 de Maio de 2010]

ISBN: 978-972-37-1490-6 [disponível nas livrarias].

sexta-feira, 16 de abril de 2010

ASSÍRIO & ALVIM livros

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A livraria ASSÍRIO & ALVIM livros, no Chiado, tem sido um sucesso, e a prová-lo está a abertura ao público, já no próximo sábado (17 de Abril) de mais uma sala. Aqui, poderá encontrar livros raros, livros esgotados, postais, cartazes, pins e t-shirts, entre outras surpresas. Também nesta sala se farão regularmente lançamentos de livros e exposições. Neste sábado, não fique em casa, visite-nos!

Al Berto - doze moradas de silêncio

«A partir do conceito geral do projecto "Al Berto - Poeta de Sines, homem do mundo", constituído por quatro núcleos, pretende-se com este primeiro núcleo - a inaugurar amanhã, 17 de Abril pelas 18:00 - reivindicar Al Berto como poeta de Sines, através do espaço geográfico, sítios que habitou e laços familiares.» [clique na imagem para a aumentar e ler mais]

Obras de Al Berto na Assírio & Alvim

quinta-feira, 15 de abril de 2010

«A Bela Acordada» - uma história de António Rodrigues ilustrada por Joana Rosa

Não sei o que me deu para vos contar esta história. Sei, meninas e meninos, que quando tinha a vossa idade me davam histórias para ler e, se depois me pediam para as contar, eu sempre inventava, acrescentava ou deslocava alguma coisa. Os psicólogos dizem que é próprio da imaginação fértil das crianças. Não sei se dizem que os adultos devem manter essa imaginação. Digo-vos eu para a manterem, porque faz muito bem à saúde dos mais crescidos.
Foi isso mesmo que fiz aqui. Conto-vos à minha maneira a conhecida história d’A Bela Adormecida, que faz parte de um conjunto de contos populares adaptados para a literatura infantil, no século XVII, por um senhor francês chamado Charles Perrault, e com várias outras adaptações por esse mundo fora.
A iniciativa de escrever esta história surgiu quando vi a série de desenhos infantis da artista Joana Rosa que agora ilustram este livro. Os desenhos têm relação directa com a história, e esta com aqueles.
Garanto-vos, meninas e meninos, que é possível encontrar vários pontos em comum entre os desenhos e a história, mas isso deixo à vossa imaginação descobrir.

António Rodrigues


ISBN: 978-972-37-1488-3

Já disponível nas livrarias

A Bela Acordada

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É já hoje, pelas 19h00 na Galeria Ratton, a apresentação do livro e exposição «A Bela Acordada — Homenagem a António Rodrigues». Integram a exposição 36 desenhos originais da artista Joana Rosa de vários formatos, entre os quais os originais que ilustram o livro, editado pela Assírio & Alvim. A exposição, essa, ficará patente até ao dia 15 de Junho. Não falte!

quarta-feira, 14 de abril de 2010

António Rodrigues (Lisboa, 1954-2008)

ISBN: 978-972-37-1479-1

terça-feira, 13 de abril de 2010

Samuel Beckett [13/IV/1906 - 22/XII/1989]

Também nasceram a 13 de Abril:
Jacques Lacan (1901), J. M. G. Le Clézio (1940), Rui Chafes (1966)

segunda-feira, 12 de abril de 2010

«Mal Nascido», de Carlos Alberto Machado

Foram seleccionados os bolseiros da edição 2009/2010 do concurso Criar Lusofonia do Centro Nacional de Cultura com o apoio da Direcção Geral do Livro e Bibliotecas, na área de Criação/Investigação literárias.

O Júri foi constituído por Leonor Xavier, José Carlos Vasconcelos, Miguel Real, José Cortez em representação da DGLB e Guilherme d’Oliveira Martins, em representação do CNC. Foi seleccionado um candidato português – Carlos Alberto Machado – com o projecto “Mal Nascido”, a desenvolver em Moçambique e uma candidata sãotomense – Alice Goretti Pina – com o projecto “No Dia de São Lourenço”, a desenvolver em São Tomé e Portugal.

O programa Criar Lusofonia foi criado em 1995 e tem por objectivo a atribuição de bolsas no domínio da escrita para estadas em países da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, pretendendo-se criar oportunidades de contacto aprofundado com outros países lusófonos aos criadores/investigadores de língua portuguesa a fim de produzirem uma obra destinada à divulgação no espaço lusófono.

De Carlos Alberto Machado a Assírio & Alvim publicou recentemente Registo Civil - poesia reunida.

sexta-feira, 9 de abril de 2010

HUMOR | Feira do Livro

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Já a partir de amanhã, e até ao próximo dia 24 de Abril, não perca a Feira do Livro de Humor nas livrarias da Assírio & Alvim. Livros que o farão chorar de tanto rir, a preços cómicos.

Livraria Assírio & Alvim na Rua Passos Manuel 67B, em Lisboa, de segunda a sábado, das 10h00 às 13h00 e das 14h00 às 19h00.

Livraria Assírio & Alvim Livros, no Chiado, de segunda a domingo, das 12h00 às 19h00.

quinta-feira, 8 de abril de 2010

Vem aí o 25 de Abril

ISBN: 978-972-37-1456-2

ISBN: 978-972-37-1186-8

sexta-feira, 2 de abril de 2010

Dia Internacional do Livro Infantil

uma sugestão de leitura
há mais escolhas na colecção

quinta-feira, 1 de abril de 2010

Horário das Livrarias da Assírio durante a Páscoa

A livraria Assírio & Alvim na Rua Passos Manuel, 67-b, em Lisboa, estará encerrada na próxima sexta-feira, sábado e domingo (dias 2, 3 e 4 de Abril).

Por outro lado, a livraria da Assírio no Chiado, estará aberta durante esses dias, das 12h00 às 19h00 na sexta-feira; das 10h00 às 19h00 no sábado, e das 15h00 às 19h00 no domingo. A Assírio & Alvim deseja-lhe uma boa Páscoa, e boas leituras.



terça-feira, 30 de março de 2010

Vincent van Gogh [30/III/1853 - 29/VII/1890]

Este texto que Antonin Artaud (1896-1948) escreveu sobre aspectos da vida e obra de Van Gogh, na sequência da exposição das obras do pintor holandês no museu da Orangerie (em Paris), é mais do que uma crítica ou análise: Artaud adopta a luta de Van Gogh como sua, tentando escapar às suas próprias tormentas.
Esta edição inclui onze reproduções a cores de quadros do artista. É uma obra de grande sensibilidade, com uma escrita clara, bela e violenta, de uma lucidez sublime.

Van Gogh - o Suicidado da Sociedade, Antonin Artaud (tradução: Aníbal Fernandes)

Paul Verlaine [30/III/1844 - 8/I/1896]


Paul-Marie Verlaine nasce na Lorena a 30 de Março de 1844, filho de um militar. Em 1851 muda-se com a família para Paris. No ano de 1862, inscreve-se na Faculdade de Direito, altura em que começa a frequentar os cafés e a beber regularmente. Em 1864 decide abandonar os estudos definitivamente, já depois da publicação do seu primeiro poema (1863), e torna-se funcionário da Câmara Municipal de Paris. O poeta troca correspondência e contacta com vários escritores e artistas da época, como por exemplo Victor Hugo, Charles Cros e Villiers.
Em 1870, casa com Mathilde Mauté de Fleurville, casamento que será perturbado quando, no ano seguinte, Verlaine conhece Rimbaud, com quem mantém estreita (e até apaixonada) amizade. Esta relação levará Mathilde a pedir a separação judicial em 1872, ano em que Verlaine embarca com Rimbaud para Londres. Este relacionamento acabará em 1875.
Entre 1875 e 1879, o poeta é alternadamente professor em Inglaterra e França, país para onde regressará definitivamente. Segue-se um período de escrita intensa, atribulado por dificuldades económicas e de saúde, numa sucessão de internamentos em vários hospitais. Morre a 8 de Janeiro de 1896 com uma congestão pulmonar.
Fernando Pinto do Amaral, no prefácio a Poemas Saturnianos e Outros, afirma: “Ao lermos hoje os poemas de Verlaine, resta sobretudo a beleza da sua música soberana e misteriosamente evocadora das vertigens por vezes discretas — mas nem por isso menos cativantes — de um espírito vibrátil e sensível aos mais ínfimos acordes do ser — acordes harmoniosamente dissonantes, como os de qualquer poesia que não hesite em interrogar o doloroso enigma que se abriga nos mil fragmentos do real e lhes dá, a cada um deles, uma alma própria e insubstituível.”

Obras de Paul Verlaine na Assírio & Alvim

sábado, 27 de março de 2010

O Teatro

O primeiro Gato Maltês
[Janeiro de 1981]

Emma Santos escreve e interpreta (a presente edição de O Teatro reproduz o texto por si representado cenicamente, entre Dezembro de 1976 e Janeiro de 1977) a doença, a dor física e o sofrimento mental, denunciando as semelhanças entre a loucura dos métodos usados para a tratar e a própria loucura.
Emma Santos defronta-se com a loucura das instituições psiquiátricas onde foi internada e onde lutou para recuperar a sua voz, “quando à força de medicamentos me obrigaram a calar”. Segundo a sua mãe, a loucura é o teatro pessoal de Emma e a sua comédia traduz-se numa enorme solidão, vivida entre electrochoques e as outras doentes, todas “uma e a mesma, devorando bolos e guloseimas ou de cigarro nos beiços”, imagem da loucura que visualiza como uma “mulher, alta, inchada pelos medicamentos, semi-nua, só com um roupão de nylon acolchoado às flores roxas ou cor de rosa”.

quarta-feira, 24 de março de 2010

«Ruben A. In memoriam de bolso», de Alexandre O'Neill

Ruben morreu de sopetão cardíaco, fim previsível para quem levou a vida a refrear as próprias emoções. Quatro dias antes do seu passamento vi-lhe nos olhos o medo de rebentar. Disse-nos que, na véspera, sentira uns esticões danados. Em Londres – última escala antes da morte – tencionava tirar o seu retrato vascular. Levava à boca, de espaços a espaços, uma pastilhinha calmante. Ficava à espera que a derretida pastilhinha lhe respondesse. Depois, entrava naquela agitação que era a sua maneira de ocupar o tempo convivente.
Nem na vida, nem na literatura Ruben A. conseguia estar quieto.
Tinha pressa. E às vezes até parecia que o quotidiano era para ele simples matéria de criação. Com isto, ganhou a literatura memorialista portuguesa umas quantas páginas bem singulares. Desordenado e original na escritura, Ruben não podia sujeitar-se a outra disciplina que não fosse essa, toda exterior, de se sentar, dia a dia, à máquina, pelas oito da manhã, e de bater 5, 10, 15 páginas de seguida, apenas apoiado ao bordão da memória e a uma verve sem limites. Mas ao coro das rãs, respondeu Ruben A. com algumas arreliantes dissonâncias, enfim, com o que nele era o vivo pressentimento de que uma obra se faz a contrapeso do gosto mediano, desse que está sempre a reclamar, em nós, vigência, estatuto e rebuçados.
Paz à sua tecla!

Diário de Notícias, 22 Janeiro 1976. Suplemento cultural, n.º 3, 2.ª série, p. 1.
Com uma boa fotografia não assinada, e um excerto de diário.
Obituário descoberto e transcrito por Vasco Rosa. Obrigado.
Obras de Ruben A. na Assírio & Alvim

5000 amigos

Em menos de três meses atingimos o máximo de amigos permitido pelo Facebook: 5.000. Foi hoje, dia 24 de Março de 2010, às 00:32.
Uma saudação muito cordial a todos os nossos amigos.