terça-feira, 20 de abril de 2010

O Presente

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O PRESENTE

Vou-te dar um presente
eu gosto de presentes
é uma caixa de jóias
é tão bonita
dentro está um anel com uma pedra preciosa
porque é tão grande?
toma
porque é tão grande?
toma
cuidado
dentro está um anel com uma pedra preciosa
mas talvez nunca o chegues a pôr no dedo
na caixa está uma serpente
para pegares no anel tens de abrir a caixa
se abrires a caixa a serpente pode picar-te o dedo
e tu podes morrer
se não abrires a caixa

Adília Lopes; Dobra — Poesia Reunida 1983-2007; ed. Assírio & Alvim

«Suroeste - Relações literárias e artísticas entre Portugal e Espanha (1890-1936)»

O percurso aqui proposto é «[…] um percurso extraordinário, pois nele estão contidas várias revoluções, desde os simbolistas, passando pela ruptura expressionista, por Braque e Picasso, até
chegarmos ao Futurismo e, de novo, ao Neo-classicismo. Tudo isto incidindo num período histórico de uma dramaticidade deslumbrante. A primeira Europa verdadeiramente capitalista, que era a potência dominante do mundo, com a sobrevivência ainda, sobretudo em Inglaterra e França, do poder colonial, assistia ao esboçar lento de algo que ninguém poderia imaginar então (a excepção foi realmente Nietzsche). O território europeu começava a ser um palco de guerra e esse facto marcou profundamente o século XX que continua a ser, na verdade, o nosso tempo. Tudo isto é terrivelmente perverso: a deflagração deste cenário ocorre em paralelo com a apologia do progresso, uma apologia com concretização real, o progresso materializado aconteceu de facto, desde que o comboio trouxe até nós a Inglaterra, e esse acontecer foi silenciando o demónio que se ia gerando no seu avesso, e o mundo sem saber, nessa vivência da euforia da invenção do engenho humano, uma euforia que continua viva hoje. Esta é ainda a nossa história. A medida da aceleração moderna da Europa tem a contrapartida do seu estar a caminho para um abismo que será o da catástrofe mundial, que acompanha a catástrofe europeia.»

Eduardo Lourenço, no texto «O Mundo Sem Saber»


Vol. 1: 448 pp. / Vol. 2: 408 pp. (reunidos numa caixa) - ISBN: 978-972-37-1483-8
Disponível nas livrarias.

segunda-feira, 19 de abril de 2010

«Khora» - Rui Chafes e Alberto Carneiro

«Este livro recupera a estrutura interior do Caderno Preto (1968-71) de Alberto Carneiro e procura reproduzir uma aproximação a um lugar a que chamaremos Khora (termo platónico) simbolizado neste objecto pela folha branca.
Esta “descida” ao mais singelo, ao lugar «anterior», talvez nos faça reconsiderar que a elevação a que comummente se chama transcendência não esteja acima ou fora de nós, mas penetrante, entre a inteireza dos sentidos e uma consciência mais funda do que a inteligência pode controlar.
Numa altura em que o mito ainda não estava definitivamente separado da ciência e da filosofia, Platão apresenta o universo como génese dos princípios metafísicos, distinguindo as oposições binárias que marcaram o pensamento ocidental.
As distinções entre ser e devir, inteligível e sensível, ideal e material, eram pensadas como mundo perfeito da razão e mundo material imperfeito. Platão problematiza essa oposição, introduzindo uma categoria intermediária — Khora — como possibilidade de mediação ou transição entre a polaridade.
Khora. Foi a procura deste lugar-comum que fez convergir na exposição a obra de dois escultores, que, embora recorrendo ambos ao vocabulário da tridimensionalidade, o fazem com linguagens, meios e percursos absolutamente distintos. Por isso, as relações entre as obras dos dois autores (desenho, escultura, escrita) não serão encontradas formalmente. O ponto de contacto entre o desenho de ambos pode ser estabelecido pontualmente, mas só resistirá se seguirmos o movimento divergente — desprendimento e ancoragem ao corpo — que nele é percorrido para cercar o espaço Khora.
Se atendermos aos desenhos de 1966 de Alberto Carneiro [Raízes, caules, folhas, flores e frutos], percebemos como as primeiras alusões ao corpo dão lugar a rastos da sua passagem e, posteriormente, ao desaparecimento desses rastos. No desenho de Alberto Carneiro pode falar-se em ausência do corpo (disembodiment), não porque este tenha deixado de estar presente, mas porque agora é indistinto do cosmos, fundiu-se nele. O movimento percorrido no desenho de Rui Chafes é o da corporalização (embodiment). As alusões aos órgãos ou, periodicamente, à figura humana completa não cessam de circular.
Sigamos o telescópio de Alberto Carneiro e a câmara endoscópica de Rui Chafes. Na intercepção das duas lentes talvez possamos atravessar Khora.»

Sara Antónia Matos

[texto e curadoria da exposição, patente na Fundação Carmona e Costa, em Lisboa, entre 10 de Março e 21 de Maio de 2010]

ISBN: 978-972-37-1490-6 [disponível nas livrarias].

sexta-feira, 16 de abril de 2010

ASSÍRIO & ALVIM livros

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A livraria ASSÍRIO & ALVIM livros, no Chiado, tem sido um sucesso, e a prová-lo está a abertura ao público, já no próximo sábado (17 de Abril) de mais uma sala. Aqui, poderá encontrar livros raros, livros esgotados, postais, cartazes, pins e t-shirts, entre outras surpresas. Também nesta sala se farão regularmente lançamentos de livros e exposições. Neste sábado, não fique em casa, visite-nos!

Al Berto - doze moradas de silêncio

«A partir do conceito geral do projecto "Al Berto - Poeta de Sines, homem do mundo", constituído por quatro núcleos, pretende-se com este primeiro núcleo - a inaugurar amanhã, 17 de Abril pelas 18:00 - reivindicar Al Berto como poeta de Sines, através do espaço geográfico, sítios que habitou e laços familiares.» [clique na imagem para a aumentar e ler mais]

Obras de Al Berto na Assírio & Alvim

quinta-feira, 15 de abril de 2010

«A Bela Acordada» - uma história de António Rodrigues ilustrada por Joana Rosa

Não sei o que me deu para vos contar esta história. Sei, meninas e meninos, que quando tinha a vossa idade me davam histórias para ler e, se depois me pediam para as contar, eu sempre inventava, acrescentava ou deslocava alguma coisa. Os psicólogos dizem que é próprio da imaginação fértil das crianças. Não sei se dizem que os adultos devem manter essa imaginação. Digo-vos eu para a manterem, porque faz muito bem à saúde dos mais crescidos.
Foi isso mesmo que fiz aqui. Conto-vos à minha maneira a conhecida história d’A Bela Adormecida, que faz parte de um conjunto de contos populares adaptados para a literatura infantil, no século XVII, por um senhor francês chamado Charles Perrault, e com várias outras adaptações por esse mundo fora.
A iniciativa de escrever esta história surgiu quando vi a série de desenhos infantis da artista Joana Rosa que agora ilustram este livro. Os desenhos têm relação directa com a história, e esta com aqueles.
Garanto-vos, meninas e meninos, que é possível encontrar vários pontos em comum entre os desenhos e a história, mas isso deixo à vossa imaginação descobrir.

António Rodrigues


ISBN: 978-972-37-1488-3

Já disponível nas livrarias

A Bela Acordada

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É já hoje, pelas 19h00 na Galeria Ratton, a apresentação do livro e exposição «A Bela Acordada — Homenagem a António Rodrigues». Integram a exposição 36 desenhos originais da artista Joana Rosa de vários formatos, entre os quais os originais que ilustram o livro, editado pela Assírio & Alvim. A exposição, essa, ficará patente até ao dia 15 de Junho. Não falte!

quarta-feira, 14 de abril de 2010

António Rodrigues (Lisboa, 1954-2008)

ISBN: 978-972-37-1479-1

terça-feira, 13 de abril de 2010

Samuel Beckett [13/IV/1906 - 22/XII/1989]

Também nasceram a 13 de Abril:
Jacques Lacan (1901), J. M. G. Le Clézio (1940), Rui Chafes (1966)

segunda-feira, 12 de abril de 2010

«Mal Nascido», de Carlos Alberto Machado

Foram seleccionados os bolseiros da edição 2009/2010 do concurso Criar Lusofonia do Centro Nacional de Cultura com o apoio da Direcção Geral do Livro e Bibliotecas, na área de Criação/Investigação literárias.

O Júri foi constituído por Leonor Xavier, José Carlos Vasconcelos, Miguel Real, José Cortez em representação da DGLB e Guilherme d’Oliveira Martins, em representação do CNC. Foi seleccionado um candidato português – Carlos Alberto Machado – com o projecto “Mal Nascido”, a desenvolver em Moçambique e uma candidata sãotomense – Alice Goretti Pina – com o projecto “No Dia de São Lourenço”, a desenvolver em São Tomé e Portugal.

O programa Criar Lusofonia foi criado em 1995 e tem por objectivo a atribuição de bolsas no domínio da escrita para estadas em países da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, pretendendo-se criar oportunidades de contacto aprofundado com outros países lusófonos aos criadores/investigadores de língua portuguesa a fim de produzirem uma obra destinada à divulgação no espaço lusófono.

De Carlos Alberto Machado a Assírio & Alvim publicou recentemente Registo Civil - poesia reunida.

sexta-feira, 9 de abril de 2010

HUMOR | Feira do Livro

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Já a partir de amanhã, e até ao próximo dia 24 de Abril, não perca a Feira do Livro de Humor nas livrarias da Assírio & Alvim. Livros que o farão chorar de tanto rir, a preços cómicos.

Livraria Assírio & Alvim na Rua Passos Manuel 67B, em Lisboa, de segunda a sábado, das 10h00 às 13h00 e das 14h00 às 19h00.

Livraria Assírio & Alvim Livros, no Chiado, de segunda a domingo, das 12h00 às 19h00.

quinta-feira, 8 de abril de 2010

Vem aí o 25 de Abril

ISBN: 978-972-37-1456-2

ISBN: 978-972-37-1186-8

sexta-feira, 2 de abril de 2010

Dia Internacional do Livro Infantil

uma sugestão de leitura
há mais escolhas na colecção

quinta-feira, 1 de abril de 2010

Horário das Livrarias da Assírio durante a Páscoa

A livraria Assírio & Alvim na Rua Passos Manuel, 67-b, em Lisboa, estará encerrada na próxima sexta-feira, sábado e domingo (dias 2, 3 e 4 de Abril).

Por outro lado, a livraria da Assírio no Chiado, estará aberta durante esses dias, das 12h00 às 19h00 na sexta-feira; das 10h00 às 19h00 no sábado, e das 15h00 às 19h00 no domingo. A Assírio & Alvim deseja-lhe uma boa Páscoa, e boas leituras.



terça-feira, 30 de março de 2010

Vincent van Gogh [30/III/1853 - 29/VII/1890]

Este texto que Antonin Artaud (1896-1948) escreveu sobre aspectos da vida e obra de Van Gogh, na sequência da exposição das obras do pintor holandês no museu da Orangerie (em Paris), é mais do que uma crítica ou análise: Artaud adopta a luta de Van Gogh como sua, tentando escapar às suas próprias tormentas.
Esta edição inclui onze reproduções a cores de quadros do artista. É uma obra de grande sensibilidade, com uma escrita clara, bela e violenta, de uma lucidez sublime.

Van Gogh - o Suicidado da Sociedade, Antonin Artaud (tradução: Aníbal Fernandes)

Paul Verlaine [30/III/1844 - 8/I/1896]


Paul-Marie Verlaine nasce na Lorena a 30 de Março de 1844, filho de um militar. Em 1851 muda-se com a família para Paris. No ano de 1862, inscreve-se na Faculdade de Direito, altura em que começa a frequentar os cafés e a beber regularmente. Em 1864 decide abandonar os estudos definitivamente, já depois da publicação do seu primeiro poema (1863), e torna-se funcionário da Câmara Municipal de Paris. O poeta troca correspondência e contacta com vários escritores e artistas da época, como por exemplo Victor Hugo, Charles Cros e Villiers.
Em 1870, casa com Mathilde Mauté de Fleurville, casamento que será perturbado quando, no ano seguinte, Verlaine conhece Rimbaud, com quem mantém estreita (e até apaixonada) amizade. Esta relação levará Mathilde a pedir a separação judicial em 1872, ano em que Verlaine embarca com Rimbaud para Londres. Este relacionamento acabará em 1875.
Entre 1875 e 1879, o poeta é alternadamente professor em Inglaterra e França, país para onde regressará definitivamente. Segue-se um período de escrita intensa, atribulado por dificuldades económicas e de saúde, numa sucessão de internamentos em vários hospitais. Morre a 8 de Janeiro de 1896 com uma congestão pulmonar.
Fernando Pinto do Amaral, no prefácio a Poemas Saturnianos e Outros, afirma: “Ao lermos hoje os poemas de Verlaine, resta sobretudo a beleza da sua música soberana e misteriosamente evocadora das vertigens por vezes discretas — mas nem por isso menos cativantes — de um espírito vibrátil e sensível aos mais ínfimos acordes do ser — acordes harmoniosamente dissonantes, como os de qualquer poesia que não hesite em interrogar o doloroso enigma que se abriga nos mil fragmentos do real e lhes dá, a cada um deles, uma alma própria e insubstituível.”

Obras de Paul Verlaine na Assírio & Alvim

sábado, 27 de março de 2010

O Teatro

O primeiro Gato Maltês
[Janeiro de 1981]

Emma Santos escreve e interpreta (a presente edição de O Teatro reproduz o texto por si representado cenicamente, entre Dezembro de 1976 e Janeiro de 1977) a doença, a dor física e o sofrimento mental, denunciando as semelhanças entre a loucura dos métodos usados para a tratar e a própria loucura.
Emma Santos defronta-se com a loucura das instituições psiquiátricas onde foi internada e onde lutou para recuperar a sua voz, “quando à força de medicamentos me obrigaram a calar”. Segundo a sua mãe, a loucura é o teatro pessoal de Emma e a sua comédia traduz-se numa enorme solidão, vivida entre electrochoques e as outras doentes, todas “uma e a mesma, devorando bolos e guloseimas ou de cigarro nos beiços”, imagem da loucura que visualiza como uma “mulher, alta, inchada pelos medicamentos, semi-nua, só com um roupão de nylon acolchoado às flores roxas ou cor de rosa”.

quarta-feira, 24 de março de 2010

«Ruben A. In memoriam de bolso», de Alexandre O'Neill

Ruben morreu de sopetão cardíaco, fim previsível para quem levou a vida a refrear as próprias emoções. Quatro dias antes do seu passamento vi-lhe nos olhos o medo de rebentar. Disse-nos que, na véspera, sentira uns esticões danados. Em Londres – última escala antes da morte – tencionava tirar o seu retrato vascular. Levava à boca, de espaços a espaços, uma pastilhinha calmante. Ficava à espera que a derretida pastilhinha lhe respondesse. Depois, entrava naquela agitação que era a sua maneira de ocupar o tempo convivente.
Nem na vida, nem na literatura Ruben A. conseguia estar quieto.
Tinha pressa. E às vezes até parecia que o quotidiano era para ele simples matéria de criação. Com isto, ganhou a literatura memorialista portuguesa umas quantas páginas bem singulares. Desordenado e original na escritura, Ruben não podia sujeitar-se a outra disciplina que não fosse essa, toda exterior, de se sentar, dia a dia, à máquina, pelas oito da manhã, e de bater 5, 10, 15 páginas de seguida, apenas apoiado ao bordão da memória e a uma verve sem limites. Mas ao coro das rãs, respondeu Ruben A. com algumas arreliantes dissonâncias, enfim, com o que nele era o vivo pressentimento de que uma obra se faz a contrapeso do gosto mediano, desse que está sempre a reclamar, em nós, vigência, estatuto e rebuçados.
Paz à sua tecla!

Diário de Notícias, 22 Janeiro 1976. Suplemento cultural, n.º 3, 2.ª série, p. 1.
Com uma boa fotografia não assinada, e um excerto de diário.
Obituário descoberto e transcrito por Vasco Rosa. Obrigado.
Obras de Ruben A. na Assírio & Alvim

5000 amigos

Em menos de três meses atingimos o máximo de amigos permitido pelo Facebook: 5.000. Foi hoje, dia 24 de Março de 2010, às 00:32.
Uma saudação muito cordial a todos os nossos amigos.

sexta-feira, 19 de março de 2010

Dia Mundial da Árvore e da Poesia

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No próximo domingo celebra-se o Dia Mundial da Poesia, e também o Dia Mundial da Árvore. Para comemorar esta data a Assírio & Alvim propõe quatro livros com um desconto assinalável:

— O Tratado da Árvore, de Robert Dumas (25 €, a 15 € durante este fim-de-semana)
— A Árvore em Portugal, de Francisco Caldeira Cabral e Gonçalo Ribeiro Telles (25 €, a 15 € durante este fim-de-semana)
Rosa do Mundo · 2001 Poemas para o Futuro (35 €, a 20 € durante este fim-de-semana)
A Oração dos Homens · Uma Antologia das Tradições Espirituais (29 €, a 20 € durante este fim-de-semana)

Promoção válida neste fim-de-semana (sábado 20 e domingo 21 de Março) na livraria Assírio & Alvim Livros, no Chiado, das 12h00 às 19h00, e apenas no sábado na livraria Assírio & Alvim na Rua Passos Manuel, em Lisboa, das 10h00 às 13h00 e das 15h00 às 19h00. Visite-nos, leia poesia, fique a conhecer profundamente as árvores portuguesas e celebre o dia 21 de Março com a Assírio & Alvim.

«A árvore não brotou no Jardim.
Desconheço a doçura do seio das flores.
Sou o fruto das raízes.»
in Superfície · Toda Poesia, Maria Ângela Alvim