terça-feira, 20 de abril de 2010
O Presente
«Suroeste - Relações literárias e artísticas entre Portugal e Espanha (1890-1936)»
chegarmos ao Futurismo e, de novo, ao Neo-classicismo. Tudo isto incidindo num período histórico de uma dramaticidade deslumbrante. A primeira Europa verdadeiramente capitalista, que era a potência dominante do mundo, com a sobrevivência ainda, sobretudo em Inglaterra e França, do poder colonial, assistia ao esboçar lento de algo que ninguém poderia imaginar então (a excepção foi realmente Nietzsche). O território europeu começava a ser um palco de guerra e esse facto marcou profundamente o século XX que continua a ser, na verdade, o nosso tempo. Tudo isto é terrivelmente perverso: a deflagração deste cenário ocorre em paralelo com a apologia do progresso, uma apologia com concretização real, o progresso materializado aconteceu de facto, desde que o comboio trouxe até nós a Inglaterra, e esse acontecer foi silenciando o demónio que se ia gerando no seu avesso, e o mundo sem saber, nessa vivência da euforia da invenção do engenho humano, uma euforia que continua viva hoje. Esta é ainda a nossa história. A medida da aceleração moderna da Europa tem a contrapartida do seu estar a caminho para um abismo que será o da catástrofe mundial, que acompanha a catástrofe europeia.»
Eduardo Lourenço, no texto «O Mundo Sem Saber»
Vol. 1: 448 pp. / Vol. 2: 408 pp. (reunidos numa caixa) - ISBN: 978-972-37-1483-8
segunda-feira, 19 de abril de 2010
«Khora» - Rui Chafes e Alberto Carneiro
Esta “descida” ao mais singelo, ao lugar «anterior», talvez nos faça reconsiderar que a elevação a que comummente se chama transcendência não esteja acima ou fora de nós, mas penetrante, entre a inteireza dos sentidos e uma consciência mais funda do que a inteligência pode controlar.
Numa altura em que o mito ainda não estava definitivamente separado da ciência e da filosofia, Platão apresenta o universo como génese dos princípios metafísicos, distinguindo as oposições binárias que marcaram o pensamento ocidental.
As distinções entre ser e devir, inteligível e sensível, ideal e material, eram pensadas como mundo perfeito da razão e mundo material imperfeito. Platão problematiza essa oposição, introduzindo uma categoria intermediária — Khora — como possibilidade de mediação ou transição entre a polaridade.
Khora. Foi a procura deste lugar-comum que fez convergir na exposição a obra de dois escultores, que, embora recorrendo ambos ao vocabulário da tridimensionalidade, o fazem com linguagens, meios e percursos absolutamente distintos. Por isso, as relações entre as obras dos dois autores (desenho, escultura, escrita) não serão encontradas formalmente. O ponto de contacto entre o desenho de ambos pode ser estabelecido pontualmente, mas só resistirá se seguirmos o movimento divergente — desprendimento e ancoragem ao corpo — que nele é percorrido para cercar o espaço Khora.
Se atendermos aos desenhos de 1966 de Alberto Carneiro [Raízes, caules, folhas, flores e frutos], percebemos como as primeiras alusões ao corpo dão lugar a rastos da sua passagem e, posteriormente, ao desaparecimento desses rastos. No desenho de Alberto Carneiro pode falar-se em ausência do corpo (disembodiment), não porque este tenha deixado de estar presente, mas porque agora é indistinto do cosmos, fundiu-se nele. O movimento percorrido no desenho de Rui Chafes é o da corporalização (embodiment). As alusões aos órgãos ou, periodicamente, à figura humana completa não cessam de circular.
Sigamos o telescópio de Alberto Carneiro e a câmara endoscópica de Rui Chafes. Na intercepção das duas lentes talvez possamos atravessar Khora.»
Sara Antónia Matos
ISBN: 978-972-37-1490-6 [disponível nas livrarias].
sexta-feira, 16 de abril de 2010
ASSÍRIO & ALVIM livros
Al Berto - doze moradas de silêncio
Obras de Al Berto na Assírio & Alvim
quinta-feira, 15 de abril de 2010
«A Bela Acordada» - uma história de António Rodrigues ilustrada por Joana Rosa
Não sei o que me deu para vos contar esta história. Sei, meninas e meninos, que quando tinha a vossa idade me davam histórias para ler e, se depois me pediam para as contar, eu sempre inventava, acrescentava ou deslocava alguma coisa. Os psicólogos dizem que é próprio da imaginação fértil das crianças. Não sei se dizem que os adultos devem manter essa imaginação. Digo-vos eu para a manterem, porque faz muito bem à saúde dos mais crescidos.Foi isso mesmo que fiz aqui. Conto-vos à minha maneira a conhecida história d’A Bela Adormecida, que faz parte de um conjunto de contos populares adaptados para a literatura infantil, no século XVII, por um senhor francês chamado Charles Perrault, e com várias outras adaptações por esse mundo fora.
A iniciativa de escrever esta história surgiu quando vi a série de desenhos infantis da artista Joana Rosa que agora ilustram este livro. Os desenhos têm relação directa com a história, e esta com aqueles.
Garanto-vos, meninas e meninos, que é possível encontrar vários pontos em comum entre os desenhos e a história, mas isso deixo à vossa imaginação descobrir.
António Rodrigues
ISBN: 978-972-37-1488-3
Já disponível nas livrarias
A Bela Acordada
quarta-feira, 14 de abril de 2010
terça-feira, 13 de abril de 2010
Samuel Beckett [13/IV/1906 - 22/XII/1989]
segunda-feira, 12 de abril de 2010
«Mal Nascido», de Carlos Alberto Machado
O Júri foi constituído por Leonor Xavier, José Carlos Vasconcelos, Miguel Real, José Cortez em representação da DGLB e Guilherme d’Oliveira Martins, em representação do CNC. Foi seleccionado um candidato português – Carlos Alberto Machado – com o projecto “Mal Nascido”, a desenvolver em Moçambique e uma candidata sãotomense – Alice Goretti Pina – com o projecto “No Dia de São Lourenço”, a desenvolver em São Tomé e Portugal.
O programa Criar Lusofonia foi criado em 1995 e tem por objectivo a atribuição de bolsas no domínio da escrita para estadas em países da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, pretendendo-se criar oportunidades de contacto aprofundado com outros países lusófonos aos criadores/investigadores de língua portuguesa a fim de produzirem uma obra destinada à divulgação no espaço lusófono.
De Carlos Alberto Machado a Assírio & Alvim publicou recentemente Registo Civil - poesia reunida.
sexta-feira, 9 de abril de 2010
HUMOR | Feira do Livro
quinta-feira, 8 de abril de 2010
sexta-feira, 2 de abril de 2010
quinta-feira, 1 de abril de 2010
Horário das Livrarias da Assírio durante a Páscoa

terça-feira, 30 de março de 2010
Vincent van Gogh [30/III/1853 - 29/VII/1890]
Esta edição inclui onze reproduções a cores de quadros do artista. É uma obra de grande sensibilidade, com uma escrita clara, bela e violenta, de uma lucidez sublime.
Van Gogh - o Suicidado da Sociedade, Antonin Artaud (tradução: Aníbal Fernandes)
Paul Verlaine [30/III/1844 - 8/I/1896]
Em 1870, casa com Mathilde Mauté de Fleurville, casamento que será perturbado quando, no ano seguinte, Verlaine conhece Rimbaud, com quem mantém estreita (e até apaixonada) amizade. Esta relação levará Mathilde a pedir a separação judicial em 1872, ano em que Verlaine embarca com Rimbaud para Londres. Este relacionamento acabará em 1875.
Entre 1875 e 1879, o poeta é alternadamente professor em Inglaterra e França, país para onde regressará definitivamente. Segue-se um período de escrita intensa, atribulado por dificuldades económicas e de saúde, numa sucessão de internamentos em vários hospitais. Morre a 8 de Janeiro de 1896 com uma congestão pulmonar.
Fernando Pinto do Amaral, no prefácio a Poemas Saturnianos e Outros, afirma: “Ao lermos hoje os poemas de Verlaine, resta sobretudo a beleza da sua música soberana e misteriosamente evocadora das vertigens por vezes discretas — mas nem por isso menos cativantes — de um espírito vibrátil e sensível aos mais ínfimos acordes do ser — acordes harmoniosamente dissonantes, como os de qualquer poesia que não hesite em interrogar o doloroso enigma que se abriga nos mil fragmentos do real e lhes dá, a cada um deles, uma alma própria e insubstituível.”
Obras de Paul Verlaine na Assírio & Alvim
sábado, 27 de março de 2010
O Teatro
Emma Santos defronta-se com a loucura das instituições psiquiátricas onde foi internada e onde lutou para recuperar a sua voz, “quando à força de medicamentos me obrigaram a calar”. Segundo a sua mãe, a loucura é o teatro pessoal de Emma e a sua comédia traduz-se numa enorme solidão, vivida entre electrochoques e as outras doentes, todas “uma e a mesma, devorando bolos e guloseimas ou de cigarro nos beiços”, imagem da loucura que visualiza como uma “mulher, alta, inchada pelos medicamentos, semi-nua, só com um roupão de nylon acolchoado às flores roxas ou cor de rosa”.
quarta-feira, 24 de março de 2010
«Ruben A. In memoriam de bolso», de Alexandre O'Neill
Nem na vida, nem na literatura Ruben A. conseguia estar quieto.
Tinha pressa. E às vezes até parecia que o quotidiano era para ele simples matéria de criação. Com isto, ganhou a literatura memorialista portuguesa umas quantas páginas bem singulares. Desordenado e original na escritura, Ruben não podia sujeitar-se a outra disciplina que não fosse essa, toda exterior, de se sentar, dia a dia, à máquina, pelas oito da manhã, e de bater 5, 10, 15 páginas de seguida, apenas apoiado ao bordão da memória e a uma verve sem limites. Mas ao coro das rãs, respondeu Ruben A. com algumas arreliantes dissonâncias, enfim, com o que nele era o vivo pressentimento de que uma obra se faz a contrapeso do gosto mediano, desse que está sempre a reclamar, em nós, vigência, estatuto e rebuçados.
Paz à sua tecla!
Diário de Notícias, 22 Janeiro 1976. Suplemento cultural, n.º 3, 2.ª série, p. 1.
sexta-feira, 19 de março de 2010
Dia Mundial da Árvore e da Poesia














