segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Diário 2010

Já está disponível nas livrarias o Diário 2010, uma pequena agenda com evocações de autores, imagens e pequenos excertos de textos fundamentais publicados pela Assírio & Alvim.

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

Começa já para a semana

(clique na imagem para a aumentar)

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

O Inútil da Família

Foi ontem a entrega do Prémio de Literatura Casa da América Latina /Banif 2009 — Tradução Literária, a Helder Moura Pereira, pela sua tradução do livro de Jorge Edwards, O Inútil da Família. Para todos aqueles que não puderam estar presentes, aqui fica a mensagem enviada por Jorge Edwards:

Me siento muy contento y orgulloso de que la traducción al portugués de mi novela El Inútil de la Família, obra del doctor Helder Moura Pereira, haya obtenido el premio de traducción de Casa de América Latina de Lisboa. He sido desde siempre un prosista lector de poetas — latinoamericanos, españoles, ingleses, franceses, portugueses y brasileños —, y he pensado desde mis comienzos que el aire y el ritmo de la poesía son necesarios en la escritura narrativa. Por eso me alegro mucho de que mi traductor sea un poeta, un hombre inscrito en la gran tradición de la poesía de Portugal, y le mando un afectuoso saludo. Además, me parece que dar premios de traducción es una costumbre excelente y que deberíamos imitar. Veo la variada lista de autores traducidos por Helder Moura Pereira: aunque no esté a su altura, me siento en magnífica compañia, en una estupenda familia de inútiles profundamente creadores, desde el Hemingway de mi juventud hasta el Borges de siempre, y desde la conmovedora Sylvia Plath hasta el divino Marqués de Sade, para quien todo era paraíso en este infierno. La noticia me ha dado una gran satisfacción indirecta, puesto que no soy el premiado, y agradezco su trabajo al traductor, el mejor de los intermediarios, el miglior fabro a su manera.

Jorge Edwards
Santiago, Chile, Septiembre de 2009.

E também o estupendo discurso lido por Helder Moura Pereira durante a cerimónia de entrega do prémio:

Em primeiro lugar, gostaria de cumprimentar o júri e agradecer-lhe este prémio. Mas não apenas por razões formais. A verdade é que – e peço desde já desculpa pelo atrevimento – me parece haver todo um conjunto de ousadias que acabam por desembocar nesta decisão e ela, a decisão, será apenas a última etapa desse conjunto.
A coisa começa quando os meus amigos Manuel Rosa e Vasco David’, da Assírio & Alvim, ousaram convidar-me para fazer a tradução deste livro; eles sabem que a minha ligação ao castelhano está, digamos assim, longe de ser próxima. Ao mesmo tempo, o autor, Jorge Edwards, era, e ainda é, praticamente desconhecido em Portugal, bem como o serão, de resto, as literaturas da América latina, tirando os nomes óbvios. E eu, ao aceitar fazê-la, ao corresponder à confiança em mim depositada, não foi sem algum estremecimento que me vi também situado na dúvida e na excitação própria de uma ousadia. Porque, embora tendo traduzido já uma obra semi-académica e escrita em colaboração, de Jorge Luis Borges, e um livro de poemas do espanhol Angel González, parti para esta tradução cheio de dúvidas, mas, simultaneamente, com a convicção de que saberia o suficiente para levar a tarefa a bom porto, ou seja, para respeitar a intenção literária do autor e respeitar a sua língua e a minha língua. Como é isto possível, como foi isto possível, não sei bem. Ou melhor, acho que só pode ter sido pelo contacto silencioso, de leitor, com alguns romances e muita, muita poesia lida no original.
O resto? Bom, o resto é trabalho, dedicação perante um texto com o qual se estabeleceu uma relação de corpo e alma. Porque é disso que se trata. Aderi a este livro de uma maneira tão forte que fiz tudo por ele. Não me gabo disso, afirmo apenas uma crença: deve fazer-se tudo por um livro que se traduz. No fundo, é banal isto de um tradutor investigar, perseguir os sentidos, emendar até chegar à hipótese que faça jus ao texto original, procurar as soluções, ganhar ânimo (ou não…) com as adversidades e os obstáculos. No caso deste texto, e sobretudo dado o perigo da proximidade entre línguas, para lá de falsos amigos que, tal como na vida, parecem uma coisa e são outra, recordo-me de uma personagem de um romance de Jorge Edwards, “La Origen del Mundo”, que ri a pensar que os espanhóis não entenderiam um seu chilenismo. E daí também o desafio de estar atento ao castelhano e… ao «chileno».
A outra parte de tudo isto é, como não pode deixar de ser, a minha língua. Todos os que andam à volta das letras de um modo ou de outro tentam prolongar o respeito pelos nossos antepassados e, até – porque não? – podem pensar na sua tarefa como um dever. Não fujo à regra, claro. E, nos tempos que correm, ainda menos fujo. Porque perante o lixo que enche as livrarias, perante a confrangedora expressão verbal em televisões e jornais, perante a existência de gente com responsabilidades na educação que não sabe falar nem escrever, perante um acordo ortográfico lamentável que só não é totalmente mau porque apela de dentro de si a que lhe desobedeçam, o que espero vir a acontecer, temos todos, os que escrevem, traduzem e lêem literatura, de nos bater, pela defesa da nossa língua. Não tenho jeito para militâncias e, por isso, trabalho o melhor que posso e sei. Se este livro também servir para isso, fico muito contente.
Só mais uma palavra. Este prémio, convém não esquecer, é para um livro escrito por Jorge Edwards. Tiro o meu chapéu a este livro e ao seu autor. E gostava muito que outros livros seus estivessem na minha língua.
Obrigado, uma vez mais.

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Encerramento da exposição Assombra


16 de Setembro, quarta-feira, 22h

Por ocasião do fecho da exposição Assombra,
a Assírio & Alvim convida-o à apresentação do
livro homónimo por Federico Ferrari e Rodrigo Silva.

A sessão contará com a presença do Dr. Jorge Barreto Xavier,
Director-Geral das Artes do Ministério da Cultura.


Assombra
Ensaio sobre a origem da imagem, Tomás Maia
Fotogramas, Marta Maranha com Diogo Saldanha

Livraria Assírio & Alvim — Rua Passos Manuel, 67 B, Lisboa

sábado, 12 de setembro de 2009

Cataplana Experience

Nas livrarias a partir do dia 15 de Setembro.


Receitas dos melhores chefs portugueses elaboradas propositadamente para este livro, a partir de um projecto de José Bento dos Santos para o Programa «Allgarve Gourmet».


Em pouco mais de vinte anos, a nossa gastronomia teve uma evolução notável. Os grandes responsáveis por esse enorme salto qualitativo são os cozinheiros, cuja carreira, dura e difícil, requer cada vez mais formação e constante actualização. Este livro reúne, de entre o escol dos nossos chefs, um grupo representativo das várias tendências da cozinha de hoje. Como sempre, foi com enorme entusiasmo de criar e generosidade em partilhar, que eles aceitaram o desafio de criar receitas de entradas, legumes, peixes e mariscos, carne e até sobremesas, tudo na cataplana. O resultado? Cataplanas brilhantes que cruzam o tradicional com o inovador.

Os chefs: Albano Lourenço; Augusto Gemelli; Bertílio Gomes; Hélio Loureiro; Henrique Sá Pessoa; Joachim Koerper; João Antunes; José Avillez; Justa Nobre; Leonel Pereira; Miguel Castro e Silva; Nuno Diniz; Paulo Morais.

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Helder Moura Pereira - Prémio de Literatura Casa da América Latina / Banif 2009

Helder Moura Pereira, tradutor do romance O Inútil da Família, do chileno Jorge Edwards, foi o vencedor da edição de 2009 do Prémio de Literatura Casa da América Latina / Banif.

terça-feira, 1 de setembro de 2009

Blaise Cendrars [1/IX/1887 - 21/I/1961]

Estava muito feliz despreocupado
Julgava estar a brincar aos bandidos
Tínhamos roubado o tesouro de Golconda
E íamos, graças ao transiberiano, escondê-lo no outro lado do mundo
Devia defendê-lo dos ladrões dos Urais que tinham atacado os saltimbancos de Júlio Verne
Dos «Khoungouzes», dos boxers da China
E dos enraivecidos pequenos mongóis do Grande Lama
De Ali Babá e os quarenta ladrões
E dos fiéis do terrível Velho da Montanha
E, principalmente, dos mais modernos
Os ratos de hotel
E os especialistas dos expressos internacionais.


Blaise Cendrars, Poesia em Viagem

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

Dia Mundial da Fotografia

19 de Agosto de 1839 - Louis Daguerre apresenta a primeira máquina fotográfica. Hoje, Dia Mundial da Fotografia, sugerimos uma visita à colecção Livros de Fotografia da Assírio & Alvim.

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

Encerramento do Espaço Pessoa & Companhia

Na próxima sexta-feira, dia 14 de Agosto, encerraremos o Espaço Pessoa & Companhia. Tendo-se tratado, desde o princípio, de um projecto a prazo, registamos com grande entusiasmo o grande número de pessoas que nos visitaram e prometemos regressar em breve, noutro espaço e com outro projecto em torno da literatura e das artes plásticas.

Dia 14 de Agosto será também a data de encerramento da exposição de Miguel Branco, «Trabalhos Recentes». Dois motivos mais do que suficientes para uma festa de encerramento que se prevê animada e para a qual o/a convidamos desde já. E se os acepipes não forem suficientemente convincentes, aproveite para visitar a Feira das Viagens, onde poderá encontrar fantásticos livros com grandes descontos.

A partir das 18h30 no Espaço Pessoa & Companhia, no Largo de São Carlos em Lisboa.

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Carlos de Oliveira — 10/08/1921 § 01/07/1981


O CÍRCULO

Caminho em volta desta duna de cal, ou dum sonho mais parecido com ela do que a areia, só para saber se a áspera exortação da terra, o seu revérbero imóvel na brancura, pode reacender-me os olhos quase mortos.
O que eu tenho andado sobre este círculo incessante; e ao centro o pólo magnético ainda por achar, a estrela provavelmente extinta há muito, possivelmente imaginada, conduz-me sem descanso, prende-me como um íman ao seu rigor já cego.

domingo, 9 de agosto de 2009

Mário Cesariny § 9/8/1923 — 26/11/2006


in Poemas de Mário Cesariny; ditos por Mário Cesariny.

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

Edmundo de Bettencourt § 7/8/1899 — 1/2/1973

AR LIVRE


Enquanto os elefantes pela floresta galopavam
no fumo do seu peso,
perto, lá andava ela nua a cavalgar o antílope,
com uma asa direita outra caída.
E a amazona seguia…
e deixava a boca no sumo das laranjas.
Os olhos verdes no mar.
O corpo em a nuvem das alturas
— a guardadora
da sempre nova faísca incendiária!

in Poemas de Edmundo de Bettencourt; ed. Assírio & Alvim, 1999.

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Morreu o poeta e filósofo M.S. Lourenço

Faleceu no dia 1 de Agosto, na companhia dos familiares mais próximos, o poeta e filósofo M. S. Lourenço. Tinha 73 anos e morreu após uma luta prolongada com o cancro.

Nascido em Sintra, a 13 de Maio de 1936, Manuel dos Santos Lourenço licenciou-se em Filosofia na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, partindo para a guerra colonial em Angola em Julho de 1961, experiência traumática que o marcaria para toda a vida. Já antes (1960) saíra em Lisboa o seu primeiro livro, O Desequilibrista, onde juntou textos em verso, em prosa e em registo dramático. Em 1962 foi publicada, sob o pseudónimo Alexis Christian von Gribskoff, a primeira edição de O Doge (2ª edição alterada, 1998), um romance miniatural cuja originalidade de conteúdo não tem paralelo na literatura portuguesa.

De resto, M.S. Lourenço seguiu sempre um caminho individual, alheado de tudo o que se passava à sua volta nas letras nacionais, razão pela qual a sua obra poética permanece ainda hoje desconhecida do público em geral. Seguiram-se mais tarde outros livros de poesia: Arte Combinatória (1971), Wytham Abbey (1974), Pássaro Paradípsico (1979, com magníficas ilustrações originais de Mário Cesariny) e Nada Brahma (1991). No campo do ensaio literário, ficaram célebres as crónicas d’ O Independente, mais tarde coligidas no volume Os Degraus do Parnaso (1991), que ganhou o Prémio D. Diniz da Fundação da Casa de Mateus.

No campo filosófico, M.S. Lourenço prosseguiu os seus estudos na Universidade de Oxford (1965-1968) e traduziu o Tratado Lógico-Filosófico e as Investigações Filosóficas de Ludwig Wittgenstein (Fundação Gulbenkian). É autor de A Espontaneidade da Razão (Imprensa Nacional) e Teoria Clássica da Dedução (Assírio & Alvim).

M.S. Lourenço casou duas vezes: da primeira mulher, Manuela, teve dois filhos, o helenista Frederico Lourenço e a bailarina clássica Catarina Lourenço. Da segunda mulher, a psicanalista austríaca Sylvia Wallinger, teve uma filha, Leonor, que morreu vítima de leucemia aos 20 anos em 2001. Foi professor catedrático da Faculdade de Letras de Lisboa até se jubilar aos 70 anos.

 

A sua obra poético-literária reunida será lançada pela Assírio & Alvim no Outono deste ano, com o título O Caminho dos Pisões.

sexta-feira, 24 de julho de 2009

A Phala Encadernada - Vol. 4

Pouco depois do lançamento de A Phala online, temos agora o prazer de anunciar o lançamento do quarto e último número de A Phala Encadernada, numa tiragem de apenas 60 exemplares. Este volume reúne os números 61 a 100 e todos os respectivos suplementos. Com estas 600 páginas encerra-se assim a encadernação de todos os exemplares publicados de A Phala. Custa 140 € e pode ser adquirida na Livraria Assírio & Alvim (Rua Passos Manuel, 67-B, 1150-258 Lisboa).

sexta-feira, 17 de julho de 2009

Exposições na Assírio & Alvim

Na Livraria da Assírio & Alvim (Rua Passos Manuel, 67-B, Lisboa) — Com participações de: Ilda David'; Marta Maranha; Diogo Saldanha; Tomás Maia; Francisco Tropa; Pedro Tropa; Miguel Branco; Pedro Proença e Duarte Belo.




No Espaço Pessoa & Companhia, ao Largo de S. Carlos, em Lisboa, exposição de Miguel Branco com os seus trabalhos mais recentes.

terça-feira, 14 de julho de 2009

Convite


(clique na imagem para a aumentar)

sábado, 11 de julho de 2009

11 de Julho — Dia Mundial da População


Distribuição da População Mundial em 1994. Fonte: NASA
(clique na imagem para aumentar)

terça-feira, 7 de julho de 2009

Grande Prémio APE de Crónica Atribuído a A.B. Kotter

O volume Bilhetes de Colares 1982-1998, de A. B. Kotter, pseudónimo de José Cutileiro, venceu por unanimidade o Grande Prémio de Crónica da Associação Portuguesa de Escritores/C. M. de Sintra. Do júri fizeram parte Ernesto Rodrigues, José Manuel de Vasconcelos e Maria Augusta Silva.

Grande Prémio de Poesia da APE/CTT para Armando Silva Carvalho

O escritor Armando Silva Carvalho foi o vencedor, por unanimidade, da edição de 2008 do Grande Prémio de Poesia da Associação Portuguesa de Escritores/CTT com a colectânea «O Amante japonês». Nascido em 1938 em Olho Marinho, Óbidos, Armando da Silva Carvalho é um dos nomes mais destacados da poesia portuguesa de hoje, mas a sua obra estende-se também ao domínio da ficção. 

Como poeta, escreveu, entre outros títulos, «Lírica consumível», «Os ovos de oiro», «Armas Brancas», «Técnicas de engate», «Sentimento de um ocidental», «O livro de Alexandre Bissexto», «Canis Dei» e «Sol a sol». Na ficção, é autor de «O alicate», «O uso e o abuso», «Portuguex», «Donamorta», «A vingança de Maria de Noronha», «Em nome da mãe», «O homem que sabia a mar» e, em parceria com Maria Velho da Costa, o «romance epistolar» intitulado «O Livro do Meio». 

No agora premiado «O amante japonês», publicado pela Assírio e Alvim, o autor recorre ao que o ensaísta e crítico Fernando J.B. Martinho descreve como «um elemento fundamental na definição da sua poética», a ironia. Licenciado em Direito, Armando Silva Carvalho desenvolveu diversas actividades profissionais - tendo sido, por exemplo, professor do ensino secundário e técnico de publicidade - colaborou em jornais e revistas e assinou diversas traduções.

in Diário Digital / Lusa

segunda-feira, 6 de julho de 2009

O Regresso de A Phala

A voz pública tem a teimosia como um defeito; crismada perseverança torna-se uma virtude.

Por teimosia (ou perseverança) A Phala regressa.

Concebida em 1986 por Manuel Hermínio Monteiro, prosseguiu, nesse formato inicial, até 2003. De periodicidade irregularmente trimestal foi assegurando o interesse dos leitores. Instrumento, sem dúvida, da construção da editora que a Assírio & Alvim era e da sua evolução, foi bastante mais que isso. Procurou (e é grato pensar que conseguiu) ser observador atento e agente de divulgação do que a cultura portuguesa ia produzindo – em particular da poesia escrita em português ou em português vertida. A que na altura era escrita e publicada e  aquela que tinha de ser recuperada e promovida.

A certa altura, este projecto, na forma que adquiriu, pareceu esgotar-se. À procura de um modelo mais ambicioso, menos rotineiro, A Phala sofreu uma transformação, na forma e no conteúdo. O primeiro número foi publicado, com o privilégio de, até agora, se ter revelado único.

Mudam-se os tempos… (que não as vontades) e teimosamente A Phala regressa, adaptada  às novas formas de comunicação. Os objectivos são os mesmos. Deseja-se que a qualidade seja a mesma e mereça, de novo, a atenção de antigos leitores e a nova atenção de outros.

José Alberto Oliveira

A Phala online, disponível a partir de hoje em phala.wordpress.com.