quinta-feira, 19 de março de 2009

FRÁGIL POESIA

Esta noite, decorre a terceira sessão de poesia no Frágil, hoje dedicada a António Gancho. A partir das 23h00 contamos consigo – Rua da Atalaia 126 ao Bairro Alto. O alinhamento pode ser visto aqui.









How Ridiculous They Are

Os intelectuais soen muy ben zurrar
na literatura na poesia no café
Ai how ridiculousridiculous they are
é verdade ou não, Lord Byron, é ou não é?
Nas pastelarias nas igrejas no café ai sobretudo no café
é verdade ou não é, Lord Byron, é verdade ou não é?
Ai how ridiculous they are
zurrar o sabem no da fror
tempo em que as burras muito hão-de ganhar
como é de D. Dinis (com modificações) o teor

21 de Março — Dia Mundial da Poesia



Para comemorar o Dia Mundial da Poesia, que decorrerá no próximo sábado, dia 21 de Março, a Assírio & Alvim passará, durante todo o dia, os filmes:

Tomai lá do O'Neill!
Realização de Fernando Lopes
edição em DVD Midas

Autografia — um retrato de Mário Cesariny
Realização de Miguel Gonçalves Mendes
edição Assírio & Alvim

Sombras — um filme sonâmbulo 
de João Trabulo sobre Teixeira de Pascoaes


Neste dia, todos os livros de poesia terão um desconto de 50%* sobre o preço de catálogo. Visite-nos no Espaço Pessoa & Companhia (no Largo S. Carlos, em Lisboa), das 12h00 às 22h00.

* Promoção válida apenas para livro publicados há mais de 18 meses, ao abrigo da Lei do Preço Fixo. Esta promoção decorrerá apenas no Espaço Pessoa & Companhia.





Greguerías

A árvore procura um coração debaixo da terra com as mãos crispadas
das suas raízes.

Ramón Gómez de la Serna, Greguerías (selecção e tradução de Jorge Silva Melo)

quarta-feira, 18 de março de 2009

Um poema é lastro. Fá-lo sucumbir.

Um poema é lastro. Fá-lo sucumbir.
Podes demoli-lo, se antes de acabares
Sob a parte já escrita, uma bomba,
Uma mina final, armadilhares.

Acende já a mecha. Pio desejo.
Não há bomba nenhuma. E com empenho
Tens de encher o poema até à meta
Só após um slalom verá o engenho.

Por que é que, então, não paras já aqui?
Não mexas mais. Tens de to impedir.
Estás ainda a tempo. Mas já a mão te foge.
Um poema quer-se perfeito para não existir.
Gerrit Komrij, Contrabando — Antologia Poética (trad. de Fernando Venâncio)

terça-feira, 17 de março de 2009

Não sei como dizer-te

Não sei como dizer-te que minha voz te procura
e a atenção começa a florir, quando sucede a noite
esplêndida e vasta.

[Herberto Helder]

sábado, 14 de março de 2009

Hoje os olhos são míopes

Hoje os olhos são míopes
E eu um assassino dentro do teu corpo.
Há palavras de sangue caídas
Ao meu lado.


Mas sorvo mesmo assim essas imagens densas
Enquanto o esforço sobe o nevoeiro
E tu não te arrependes de me levares contigo
Atraiçoado.
Armando Silva Carvalho, O Amante Japonês

sexta-feira, 13 de março de 2009

A partir da próxima segunda-feira...

quinta-feira, 12 de março de 2009

FRÁGIL POESIA

Esta noite, mais uma sessão de poesia no Frágil, desta vez dedicada a Ângelo de Lima. A partir das 23h00 contamos consigo – Rua da Atalaia 126 ao Bairro Alto. O alinhamento pode ser visto aqui.

«Eu não estou doudo.
Tenho sido manejado como um puro manequim.Os seus meios de manejo têm sido — a mim aqui ao seu dispor abandonado por toda uma sociedade, a começar por aqueles que mais estrito dever tinham de tal não fazer — os seus meios de acção são, já a tortura, já
a sugestão, já o veneno. […]»

quarta-feira, 11 de março de 2009

Insarramento da Enganosa Xpusiçau

sexta-feira, 6 de março de 2009

Estão a chegar às livrarias

quarta-feira, 4 de março de 2009

FRÁGIL POESIA

É já amanhã a primeira noite de poesia no Frágil, este ano na sua 3.ª edição. Contamos consigo a partir das 23h00. O alinhamento pode desde já ser consultado aqui. Não falte!









MINIBIOGRAFIA

Não me quero com o tempo nem com a moda
Olho como um deus para tudo de alto
Mas zás! do motor corpo o mau ressalto
Me faz a todo o passo errar a coda.
Porque envelheço, adoeço, esqueço
Quanto a vida é gesto e amor é foda;
Diferente me concebo e só do avesso
O formato mulher se me acomoda.
E se a nave vier do fundo espaço
Cedo raptar-me, assassinar-me, cedo:
Logo me leve, subirei sem medo
À cena do mais árduo e do mais escasso.
Um poema deixo, ao retardador:
Meia palavra a bom entendedor.

terça-feira, 3 de março de 2009

Habitats Naturais e Seminaturais de Portugal Continental

O ICNB e a Assírio & Alvim têm o prazer de o/a convidar para a sessão pública que decorrerá com o título «A importância da Flora e da Vegetação no contexto do ordenamento do território» no próximo dia 5 de Março de 2009, no anfiteatro do Jardim Botânico / Museu de História Natural da Universidade de Lisboa «Aurélio Quintanilha», na Rua da Escola Politécnica, 56-58, 1250-102 Lisboa, a partir das 16h00.


Para mais informações sobre o livro ou o programa da sessão, clique aqui.

segunda-feira, 2 de março de 2009

Maria Gabriela Llansol um Ano Depois da sua Passagem

 O Espaço Llansol e a Assírio & Alvim têm o prazer de o/a convidar para uma sessão de evocação dedicada a Maria Gabriela Llansol. Terça-feira, 3 de Março 2009, às 18h30 na Galeria da Livraria Assírio & Alvim (Rua Passos Manuel, 67-B, à Estefânia). 

Intervenções de João Barrento (O Jardim que a Ausência Permite) e Maria Etelvina Santos («Qual o poder do corpo de afectos?»); e ainda a leitura de fragmentos inéditos dos cadernos do espólio e a projecção da montagem fotográfica «Um Lugar e um Legado».

Implorando o sopro

Implorando o sopro do ser divino,
o sopro que dá a vida,
o sopro de muita idade,
o sopro das águas,
o sopro das sementes,
o sopro da fecundidade,
o sopro da abundância,
o sopro do poder,
o sopro da força,
o sopro de todas as espécies de sopro,
pedindo o seu sopro,
inspirando o seu sopro no calor do meu corpo,
incorporo o seu sopro
para que vivas sempre luminosamente.

Poemas Ameríndios
(poemas mudados para português por Herberto Helder)

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

Ruy Belo [27-II-1933 / 8-VIII-1978]


O VALOR DO VENTO


Está hoje um dia de vento e eu gosto do vento
O vento tem entrado nos meus versos de todas as maneiras e
só entram nos meus versos as coisas de que gosto
O vento das árvores o vento dos cabelos
o vento do inverno o vento do verão
O vento é o melhor veículo que conheço
Só ele traz o perfume das flores só ele traz
a música que jaz à beira-mar em agosto
Mas só hoje soube o verdadeiro valor do vento
O vento actualmente vale oitenta escudos
Partiu-se o vidro grande da janela do meu quarto
Ruy Belo, País Possível, in Todos os Poemas

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

Cesário Verde [25-II-1855 / 19-VII-1886]



SARDENTA

Tu, nesse corpo completo,
Ó láctea virgem doirada,
Tens o linfático aspecto
Duma camélia melada

Cesário Verde, O Livro de Cesário Verde [posfácio e fixação do texto de António Barahona]

sábado, 21 de fevereiro de 2009

Dia Internacional da Língua Materna

Quem não vê bem uma palavra não pode ver bem uma alma.


Fernando Pessoa, A Língua Portuguesa (ed. de Luísa Medeiros)

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

Forever Someone Else

Há muito esperada, eis que chega finalmente aos escaparates portugueses uma antologia exemplar e representativa da obra de Fernando Pessoa, traduzida para inglês (edição bilingue). Aqui fica o texto da contracapa:
To travel! To change countries!
To be forever someone else,
With a soul that has no roots,
Living only off what it sees!

It was only many years after his death that Portugal’s Fernando Pessoa (1888-1935) came to be recognized as one of Europe’s greatest modern poets and prose writers. Born in Lisbon, he spent nine years of his childhood in South Africa and then returned to his native city, where he lived an outwardly quiet and modest life. But his inward, creative life was volcanic, giving rise to a vast and largely fragmentary output that includes poetry, fiction, dramatic works, writings on sociology, economics and religion, political commentary, astrological charts and esoteric speculations. His most stunning prose work is The Book of Disquiet, a semifictional diary published for the first time in 1982. Although Pessoa published a number of his finest poems — such as “The Tobacco Shop,” “Autopsychography” and “Portuguese Sea”— in magazines and in a book titled Message (1934), many others came to light posthumously, as family members and researchers sifted through the poet’s generous legacy to the world: a trunk containing thousands of unpublished manuscripts.
Forever Someone Else offers an ample selection of the poetry written by Pessoa under his own name and in the names of the personas he called “heteronyms”: Alberto Caeiro, Ricardo Reis and Álvaro de Campos. Unusual not only for writing under different names but also for adopting dissimilar points of view and radically diverse literary styles, Fernando Pessoa, of all poets from all ages, was like no one else.

Richard Zenith, born in Washington DC, is a longtime resident of Lisbon, where he works as a writer, translator and researcher. He is responsible for many editions of Fernando Pessoa’s works in Portugal, including the Livro do Desassossego (Assírio & Alvim, 1998; 7th ed. 2007). His translations of Pessoa’s poetry and prose have won prizes in the United States and Great Britain.

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

Nova edição de «O Medo», de Al Berto

Chega às livrarias nos próximos dias, agora em edição encadernada. Esta 4ª. edição de O Medo preserva as características da anterior (revisão profunda, aparato crítico e capa com fotografia de Paulo Nozolino). Procure-o na sua livraria habitual.

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

A Moeda do Tempo

Distraí-me e já tu ali não estavas
vendeste ao tempo a glória do início
e na mão recebeste a moeda fria
com que o tempo pagou a tua entrada

Gastão Cruz, A Moeda do Tempo