segunda-feira, 2 de março de 2009

Maria Gabriela Llansol um Ano Depois da sua Passagem

 O Espaço Llansol e a Assírio & Alvim têm o prazer de o/a convidar para uma sessão de evocação dedicada a Maria Gabriela Llansol. Terça-feira, 3 de Março 2009, às 18h30 na Galeria da Livraria Assírio & Alvim (Rua Passos Manuel, 67-B, à Estefânia). 

Intervenções de João Barrento (O Jardim que a Ausência Permite) e Maria Etelvina Santos («Qual o poder do corpo de afectos?»); e ainda a leitura de fragmentos inéditos dos cadernos do espólio e a projecção da montagem fotográfica «Um Lugar e um Legado».

Implorando o sopro

Implorando o sopro do ser divino,
o sopro que dá a vida,
o sopro de muita idade,
o sopro das águas,
o sopro das sementes,
o sopro da fecundidade,
o sopro da abundância,
o sopro do poder,
o sopro da força,
o sopro de todas as espécies de sopro,
pedindo o seu sopro,
inspirando o seu sopro no calor do meu corpo,
incorporo o seu sopro
para que vivas sempre luminosamente.

Poemas Ameríndios
(poemas mudados para português por Herberto Helder)

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

Ruy Belo [27-II-1933 / 8-VIII-1978]


O VALOR DO VENTO


Está hoje um dia de vento e eu gosto do vento
O vento tem entrado nos meus versos de todas as maneiras e
só entram nos meus versos as coisas de que gosto
O vento das árvores o vento dos cabelos
o vento do inverno o vento do verão
O vento é o melhor veículo que conheço
Só ele traz o perfume das flores só ele traz
a música que jaz à beira-mar em agosto
Mas só hoje soube o verdadeiro valor do vento
O vento actualmente vale oitenta escudos
Partiu-se o vidro grande da janela do meu quarto
Ruy Belo, País Possível, in Todos os Poemas

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

Cesário Verde [25-II-1855 / 19-VII-1886]



SARDENTA

Tu, nesse corpo completo,
Ó láctea virgem doirada,
Tens o linfático aspecto
Duma camélia melada

Cesário Verde, O Livro de Cesário Verde [posfácio e fixação do texto de António Barahona]

sábado, 21 de fevereiro de 2009

Dia Internacional da Língua Materna

Quem não vê bem uma palavra não pode ver bem uma alma.


Fernando Pessoa, A Língua Portuguesa (ed. de Luísa Medeiros)

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

Forever Someone Else

Há muito esperada, eis que chega finalmente aos escaparates portugueses uma antologia exemplar e representativa da obra de Fernando Pessoa, traduzida para inglês (edição bilingue). Aqui fica o texto da contracapa:
To travel! To change countries!
To be forever someone else,
With a soul that has no roots,
Living only off what it sees!

It was only many years after his death that Portugal’s Fernando Pessoa (1888-1935) came to be recognized as one of Europe’s greatest modern poets and prose writers. Born in Lisbon, he spent nine years of his childhood in South Africa and then returned to his native city, where he lived an outwardly quiet and modest life. But his inward, creative life was volcanic, giving rise to a vast and largely fragmentary output that includes poetry, fiction, dramatic works, writings on sociology, economics and religion, political commentary, astrological charts and esoteric speculations. His most stunning prose work is The Book of Disquiet, a semifictional diary published for the first time in 1982. Although Pessoa published a number of his finest poems — such as “The Tobacco Shop,” “Autopsychography” and “Portuguese Sea”— in magazines and in a book titled Message (1934), many others came to light posthumously, as family members and researchers sifted through the poet’s generous legacy to the world: a trunk containing thousands of unpublished manuscripts.
Forever Someone Else offers an ample selection of the poetry written by Pessoa under his own name and in the names of the personas he called “heteronyms”: Alberto Caeiro, Ricardo Reis and Álvaro de Campos. Unusual not only for writing under different names but also for adopting dissimilar points of view and radically diverse literary styles, Fernando Pessoa, of all poets from all ages, was like no one else.

Richard Zenith, born in Washington DC, is a longtime resident of Lisbon, where he works as a writer, translator and researcher. He is responsible for many editions of Fernando Pessoa’s works in Portugal, including the Livro do Desassossego (Assírio & Alvim, 1998; 7th ed. 2007). His translations of Pessoa’s poetry and prose have won prizes in the United States and Great Britain.

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

Nova edição de «O Medo», de Al Berto

Chega às livrarias nos próximos dias, agora em edição encadernada. Esta 4ª. edição de O Medo preserva as características da anterior (revisão profunda, aparato crítico e capa com fotografia de Paulo Nozolino). Procure-o na sua livraria habitual.

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

A Moeda do Tempo

Distraí-me e já tu ali não estavas
vendeste ao tempo a glória do início
e na mão recebeste a moeda fria
com que o tempo pagou a tua entrada

Gastão Cruz, A Moeda do Tempo

sábado, 14 de fevereiro de 2009

Amor

Ontem pensei
no meu amor por ti.
Recordei
as gotas de mel nos teus lábios
e lambi o açúcar
das paredes da minha memória.
Nizar Kabanni

Não conhece a arte de navegar
quem nunca navegou no ventre
de uma mulher, remou nela,
naufragou
e sobreviveu numa das suas praias.

Cristina Peri Rossi

As minhas mãos
abrem as cortinas do teu ser
vestem-te com outra nudez
descobrem os corpos do teu corpo
As minhas mãos
inventam outro corpo
para o teu corpo

Octavio Paz



Jorge Sousa Braga (org.), Qual É a Minha ou a Tua Língua? Cem poemas de amor de outras línguas.


sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

Agostinho da Silva 13/2/1906 § 3/4/1994

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

A Passagem das Odes


A Passagem das Odes, «Uma quiçá simpática exposição de um tal Pedro Proença a propósito das intermitências poéticas de quem deveras nasceu neste edifício uma dúzia de décadas atrás» continuará patente ao público até ao dia 14 de Março de 2009, altura em que será encerrada com pompa e circunstância. No Espaço Pessoa & Companhia ao Largo de S. Carlos, de segunda a sábado, das 12h00 às 22h00. Poderá também ver esta exposição aqui.

Thomas Bernhard em 1967

Thomas Bernhard — 9/2/1931 § 12/2/1989


A MORTE

A morte bateu-me e derrubou-me para o feno do Verão.
     Agora está lá fora suspensa e ri-se,
estrangulando a pereira.
     Ninguém a faz cair no chão,
nenhum toque de trombeta
     a escorraça para os montes,
vêm dos vales os que à pancada me hão-de assassinar;
     camponeses, comerciantes, carniceiros
e o pároco com o cordeiro pascal,
     que me faz as suas confidências.
A morte bateu-me e derrubou-me para o feno do Verão.
     Ninguém despedaça
a minha glória e me deixa fugir...

Ler «Pinturas da Natureza» de Humboldt, no bicentenário de Darwin

«Como as obras mais importantes de Humboldt [...] também Cosmos tem por base a experiência concreta da viagem, sendo esta enquadrada por reflexões científicas e ético-morais.
Esta longa viagem sul-americana, que o levou da Corunha às colónias espanholas da Venezuela, Cuba, Colômbia, Equador, Peru e México, na companhia do médico e botânico francês Aimé Bompland, e que decorreu entre 1799 e 1804, foi celebrada, nos dois lados do Atlântico, como a "segunda descoberta" da América. São por demais conhecidas as tomadas de posição elogiosas de um Simão Bolívar, que considerou Humboldt o verdadeiro descobridor do continente americano, ou de um Charles Darwin [12 de Fevereiro de 1809 - 19 de Abril de 1882] que, a bordo do Beagle, deixou consignada a admiração que a leitura da Viagem às regiões equinociais do Novo Continente causara no seu espírito juvenil
Gabriela Fragoso, «Introdução», in Alexander von Humboldt, Pinturas da Natureza - Uma antologia, p.14.

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

Gastão Cruz Vence Prémio Correntes d'Escritas


Gastão Cruz venceu, com o livro A Moeda do Tempo, o Prémio Literário Correntes d’Escritas/Casino da Póvoa, este ano dedicado à poesia. No comunicado do júri, constituído por Ana Luísa Amaral, Casimiro de Brito, Fernando Guimarães, Jorge Sousa Braga e Patrícia Reis, pode ler-se que «este livro [editado pela Assírio & Alvim em 2006] confirma uma obra que tem evoluído, mantendo sempre uma grande qualidade, equilibrando a tendência para a literalidade ou contenção verbal dos seus primeiros livros, com um maior alargamento expressivo». O prémio foi atribuído por unanimidade. 

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

Lançamento do livro «Bichos», de Cruz-Filipe


Quarta-feira, dia 11 de Fevereiro, pelas 19:00 horas no edifício da Mundial Confiança, Largo do Chiado, n.º 8. Na mesa estarão presentes Faria de Oliveira, Cruz-Filipe, Manuel Rosa e João Lobo Antunes, que fará a apresentação do livro.

«Sempre quis ser caçador, mas, incapaz de disparar um tiro, o discreto senhor que está por trás das privatizações em Portugal encontrou na fotografia e na savana africana o meio e o espaço exactos para cumprir o sonho de infância. Sem armas, Ricardo da Cruz-Filipe — presidente da Secção Especializada para Apoio às Privatizações — fixou a liberdade dos animais de cada vez que os fotografou nas quatro viagens a África, entre 1987 e 2005.
Já na infância, quando, aos domingos, o pai lhe perguntava onde queria ir, a resposta era sempre a mesma: o Jardim Zoológico. A obsessão pelos animais nunca passou — e até aumentou após a leitura das aventuras de três caçadores: Teodósio Cabral, Abel Pratas e Henrique Galvão, que, em 1933, publicaram o livro "Da Vida e da Morte dos Bichos". Mais do que as caçadas, o que marcou ali foi "o confronto daqueles homens com a liberdade imensa dos animais".
Pintor com vasta obra exposta em Portugal e no estrangeiro, Cruz-Filipe deu aulas no Instituto Superior Técnico à maior parte dos nossos políticos-engenheiros. Mas é nas telas fotosensíveis, com uma prática única de pintura, que Cruz-Filipe encontra a sua essência. A ligação à fotografia é permanente no seu trabalho e os animais são o grande Outro. Destes, o "Sr. Elefante", como ele diz, é o que mais o marca.
Aos 75 anos, depois dos pedidos dos amigos — que ao longo dos anos, viram as fotografias na sua biblioteca —, Cruz-Filipe vai publicar algumas destas imagens no livro "Os Bichos" (Assírio & Alvim), que terá apenas 500 exemplares à venda. Os 1500 que completam a tiragem serão divididos entre a CGD e o BPI, que financiam o projecto. O lançamento será na próxima quarta-feira em Lisboa e a apresentação caberá ao cirurgião João Lobo Antunes.»

Christiana Martins, in Revista Única 07/02/2009

Poemas do Amor Furtivo

Mesmo agora recordo a minha amada
Deitada no leito o perfume que exalava
A mistura do almíscar e do sândalo
Sobre os seus lindos olhos o bater dos cílios
Assemelhava-se aos beijos de dois pássaros
Durante o acasalamento

Os Cinquenta Poemas do Amor Furtivo e Outros Poemas Eróticos da Índia Antiga
[introdução e versões de Jorge Sousa Braga]

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

Cartaz para o Dia dos Namorados


Cartaz disponível para download aqui.

domingo, 8 de fevereiro de 2009

Mia Couto e Jorge Calado escrevem sobre Bichos

«O retrato não é um objecto mas uma troca silenciosa de afectos, falas de sombras, de cores e luzes. Todos estes bichos só se tornam visíveis porque eles autorizaram que os inventássemos, redesenhados numa outra natureza. Não olhamos: trocamo-nos, almas acendidas, visíveis pelo mágico toque de um construtor de beleza.»
Mia Couto, «Os bichos que não vemos», in Cruz-Filipe, Bichos, p. V

«Há quem encare a fotografia como uma janela (para observar o mundo) ou como um espelho (para se conhecer a si próprio). A câmara funciona como uma sonda de exploração, quer da realidade exterior, quer dos sentimentos interiores. E se é verdade que uma fotografia representa um instante congelado (morto), ela pode também conter a eternidade.»
Jorge Calado, «O olho do elefante», in Cruz-Filipe, Bichos, p. IX

O Amor é Fodido, de novo nas livrarias

«Apaixonei-me num momento desprevenido. Estava a ver um jogo de futebol, ela meteu-se à frente do televisor e, em vez de lhe dar um grito, não reparei, pela minha saúde, fiquei ali especado a olhar para ela. Um minuto de exposição foi quanto bastou. Não se pode olhar muito tempo para raparigas bonitas sem este género de merdas acontecer.»
Miguel Esteves Cardoso, O Amor é Fodido, p. 17