segunda-feira, 2 de março de 2009
Maria Gabriela Llansol um Ano Depois da sua Passagem
Implorando o sopro
Implorando o sopro do ser divino,
o sopro que dá a vida,
o sopro de muita idade,
o sopro das águas,
o sopro das sementes,
o sopro da fecundidade,
o sopro da abundância,
o sopro do poder,
o sopro da força,
o sopro de todas as espécies de sopro,
pedindo o seu sopro,
inspirando o seu sopro no calor do meu corpo,
incorporo o seu sopro
para que vivas sempre luminosamente.
(poemas mudados para português por Herberto Helder)
sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009
Ruy Belo [27-II-1933 / 8-VIII-1978]
Está hoje um dia de vento e eu gosto do vento
O vento tem entrado nos meus versos de todas as maneiras e
só entram nos meus versos as coisas de que gosto
O vento das árvores o vento dos cabelos
o vento do inverno o vento do verão
O vento é o melhor veículo que conheço
Só ele traz o perfume das flores só ele traz
a música que jaz à beira-mar em agosto
Mas só hoje soube o verdadeiro valor do vento
O vento actualmente vale oitenta escudos
Partiu-se o vidro grande da janela do meu quarto Ruy Belo, País Possível, in Todos os Poemas
quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009
Cesário Verde [25-II-1855 / 19-VII-1886]
Tu, nesse corpo completo,
Cesário Verde, O Livro de Cesário Verde [posfácio e fixação do texto de António Barahona]
sábado, 21 de fevereiro de 2009
Dia Internacional da Língua Materna
Quem não vê bem uma palavra não pode ver bem uma alma.
Fernando Pessoa, A Língua Portuguesa (ed. de Luísa Medeiros)
sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009
Forever Someone Else
Há muito esperada, eis que chega finalmente aos escaparates portugueses uma antologia exemplar e representativa da obra de Fernando Pessoa, traduzida para inglês (edição bilingue). Aqui fica o texto da contracapa:To be forever someone else,
With a soul that has no roots,
Living only off what it sees!
Forever Someone Else offers an ample selection of the poetry written by Pessoa under his own name and in the names of the personas he called “heteronyms”: Alberto Caeiro, Ricardo Reis and Álvaro de Campos. Unusual not only for writing under different names but also for adopting dissimilar points of view and radically diverse literary styles, Fernando Pessoa, of all poets from all ages, was like no one else.
Richard Zenith, born in Washington DC, is a longtime resident of Lisbon, where he works as a writer, translator and researcher. He is responsible for many editions of Fernando Pessoa’s works in Portugal, including the Livro do Desassossego (Assírio & Alvim, 1998; 7th ed. 2007). His translations of Pessoa’s poetry and prose have won prizes in the United States and Great Britain.
quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009
Nova edição de «O Medo», de Al Berto

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009
A Moeda do Tempo
Distraí-me e já tu ali não estavas
vendeste ao tempo a glória do início
e na mão recebeste a moeda fria
com que o tempo pagou a tua entrada
sábado, 14 de fevereiro de 2009
Amor
no meu amor por ti.
Recordei
as gotas de mel nos teus lábios
e lambi o açúcar
das paredes da minha memória. Nizar Kabanni
Não conhece a arte de navegar
quem nunca navegou no ventre
de uma mulher, remou nela,
naufragou
e sobreviveu numa das suas praias.
Cristina Peri Rossi
As minhas mãos
abrem as cortinas do teu ser
vestem-te com outra nudez
descobrem os corpos do teu corpo
As minhas mãos
inventam outro corpo
para o teu corpo
Octavio Paz
Jorge Sousa Braga (org.), Qual É a Minha ou a Tua Língua? Cem poemas de amor de outras línguas.
sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009
quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009
A Passagem das Odes
Thomas Bernhard — 9/2/1931 § 12/2/1989

A MORTE
A morte bateu-me e derrubou-me para o feno do Verão.
Agora está lá fora suspensa e ri-se,
estrangulando a pereira.
Ninguém a faz cair no chão,
nenhum toque de trombeta
a escorraça para os montes,
vêm dos vales os que à pancada me hão-de assassinar;
camponeses, comerciantes, carniceiros
e o pároco com o cordeiro pascal,
que me faz as suas confidências.
A morte bateu-me e derrubou-me para o feno do Verão.
Ninguém despedaça
a minha glória e me deixa fugir...
Ler «Pinturas da Natureza» de Humboldt, no bicentenário de Darwin

Gabriela Fragoso, «Introdução», in Alexander von Humboldt, Pinturas da Natureza - Uma antologia, p.14.
quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009
Gastão Cruz Vence Prémio Correntes d'Escritas
terça-feira, 10 de fevereiro de 2009
Lançamento do livro «Bichos», de Cruz-Filipe
Poemas do Amor Furtivo
Mesmo agora recordo a minha amada
Deitada no leito o perfume que exalava
A mistura do almíscar e do sândalo
Sobre os seus lindos olhos o bater dos cílios
Assemelhava-se aos beijos de dois pássaros
Durante o acasalamento
[introdução e versões de Jorge Sousa Braga]






