terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

Lançamento do livro «Bichos», de Cruz-Filipe


Quarta-feira, dia 11 de Fevereiro, pelas 19:00 horas no edifício da Mundial Confiança, Largo do Chiado, n.º 8. Na mesa estarão presentes Faria de Oliveira, Cruz-Filipe, Manuel Rosa e João Lobo Antunes, que fará a apresentação do livro.

«Sempre quis ser caçador, mas, incapaz de disparar um tiro, o discreto senhor que está por trás das privatizações em Portugal encontrou na fotografia e na savana africana o meio e o espaço exactos para cumprir o sonho de infância. Sem armas, Ricardo da Cruz-Filipe — presidente da Secção Especializada para Apoio às Privatizações — fixou a liberdade dos animais de cada vez que os fotografou nas quatro viagens a África, entre 1987 e 2005.
Já na infância, quando, aos domingos, o pai lhe perguntava onde queria ir, a resposta era sempre a mesma: o Jardim Zoológico. A obsessão pelos animais nunca passou — e até aumentou após a leitura das aventuras de três caçadores: Teodósio Cabral, Abel Pratas e Henrique Galvão, que, em 1933, publicaram o livro "Da Vida e da Morte dos Bichos". Mais do que as caçadas, o que marcou ali foi "o confronto daqueles homens com a liberdade imensa dos animais".
Pintor com vasta obra exposta em Portugal e no estrangeiro, Cruz-Filipe deu aulas no Instituto Superior Técnico à maior parte dos nossos políticos-engenheiros. Mas é nas telas fotosensíveis, com uma prática única de pintura, que Cruz-Filipe encontra a sua essência. A ligação à fotografia é permanente no seu trabalho e os animais são o grande Outro. Destes, o "Sr. Elefante", como ele diz, é o que mais o marca.
Aos 75 anos, depois dos pedidos dos amigos — que ao longo dos anos, viram as fotografias na sua biblioteca —, Cruz-Filipe vai publicar algumas destas imagens no livro "Os Bichos" (Assírio & Alvim), que terá apenas 500 exemplares à venda. Os 1500 que completam a tiragem serão divididos entre a CGD e o BPI, que financiam o projecto. O lançamento será na próxima quarta-feira em Lisboa e a apresentação caberá ao cirurgião João Lobo Antunes.»

Christiana Martins, in Revista Única 07/02/2009

Poemas do Amor Furtivo

Mesmo agora recordo a minha amada
Deitada no leito o perfume que exalava
A mistura do almíscar e do sândalo
Sobre os seus lindos olhos o bater dos cílios
Assemelhava-se aos beijos de dois pássaros
Durante o acasalamento

Os Cinquenta Poemas do Amor Furtivo e Outros Poemas Eróticos da Índia Antiga
[introdução e versões de Jorge Sousa Braga]

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

Cartaz para o Dia dos Namorados


Cartaz disponível para download aqui.

domingo, 8 de fevereiro de 2009

Mia Couto e Jorge Calado escrevem sobre Bichos

«O retrato não é um objecto mas uma troca silenciosa de afectos, falas de sombras, de cores e luzes. Todos estes bichos só se tornam visíveis porque eles autorizaram que os inventássemos, redesenhados numa outra natureza. Não olhamos: trocamo-nos, almas acendidas, visíveis pelo mágico toque de um construtor de beleza.»
Mia Couto, «Os bichos que não vemos», in Cruz-Filipe, Bichos, p. V

«Há quem encare a fotografia como uma janela (para observar o mundo) ou como um espelho (para se conhecer a si próprio). A câmara funciona como uma sonda de exploração, quer da realidade exterior, quer dos sentimentos interiores. E se é verdade que uma fotografia representa um instante congelado (morto), ela pode também conter a eternidade.»
Jorge Calado, «O olho do elefante», in Cruz-Filipe, Bichos, p. IX

O Amor é Fodido, de novo nas livrarias

«Apaixonei-me num momento desprevenido. Estava a ver um jogo de futebol, ela meteu-se à frente do televisor e, em vez de lhe dar um grito, não reparei, pela minha saúde, fiquei ali especado a olhar para ela. Um minuto de exposição foi quanto bastou. Não se pode olhar muito tempo para raparigas bonitas sem este género de merdas acontecer.»
Miguel Esteves Cardoso, O Amor é Fodido, p. 17

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

A Noite da Iguana


A Noite da Iguana e Outras Histórias, de Tennessee Williams, brevemente numa livraria perto de si.

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

Teresa Ferreira — 70.º Aniversário


Assinalamos o 70.º aniversário da Dr.ª Teresa Ferreira com um dia de trabalho que lhe será dedicado. Dia 9 de Fevereiro de 2009, na Livraria Assírio & Alvim, alguns dos seus colegas e amigos darão conferências ligadas às disciplinas da psicologia, da pedopsiquiatria e da psicanálise. 

Apresentações de Pedro Strecht, João Beirão, Equipa da Lapa, Maria José Gonçalves, Emílio Salgueiro, João Seabra Diniz, Margarida Fornelos e a Equipa da Casa da Praia. Mais informações sobre este programa podem ser lidas aqui.

Venha também comemorar esta data. Junte-se a nós na Rua Passos Manuel, 67-B (Lisboa), das 9h30 às 17h. A entrada é livre

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

An Interview with Simone Weil

Simone Weil - 100 anos do nascimento


Simone Weil nasceu em Paris, em 3 de Fevereiro de 1909, e morreu num sanatório inglês, aos 34 anos de idade. Foi professora em liceus de província, operária fabril, filósofa, sindicalista e mística.
«Imaginemos, se formos capazes, a solidão de um tal espírito na França de entre as guerras.» Albert Camus

«Weil, na minha opinião, é quem melhor conhece a “luz da montanha” (como diria Nietzsche)» George Steiner

«Basta ler algumas das suas páginas para nos apercebermos de que estamos perante algo de que muitos poderiam mesmo ter perdido a memória: um pensamento ao mesmo tempo transparente e duro como um diamante, um pensamento teimosamente concentrado num débil feixe de palavras» Roberto Calasso
«Espera de Deus é o melhor livro para iniciar um encontro com a escritora. A originalidade das suas percepções, a paixão e subtileza da sua imaginação teológica, a fecundidade dos seus talentos exegéticos estão aqui…» Susan Sontag
«[...] Simone Weil encontra no Crucificado a chave do conhecimento, a via da verdade, a porta da alegria interior, que não a separa da massa dos desventurados de todos os tempos. O episódio teve lugar a 15 de Setembro de 1935. Os pais de Simone Weil estavam a passar uns dias de férias no Hotel Santa Luzia, no monte que domina Viana do Castelo. Simone optou por uma modesta pensão, em baixo, na cidade. Dando umas voltas pelas redondezas, desceu até à Póvoa do Varzim, onde naquele dia, domingo, se celebrava a Senhora das Dores. A aldeiazinha referida é provavelmente Caxinas, a caminho de Vila do Conde. Simone Weil tinha então 26 anos. Os oito anos que lhe restavam de vida não passariam em vão, como provam os textos de Espera de Deus. Em correspondência à intervenção mais social e política de outros escritos desta fase final, a sua desperta atitude de atenção e espera foi magnificamente gratificada. Isto porque, como ela recorda nos textos aqui propostos [Espera de Deus], é Deus que procura o homem, que o espera, exausto, sob o sol do meio-dia, junto ao poço de Jacob.» José M. Pacheco Gonçalves

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

Donamorta

«E enroscou-se de novo na cama da dona, pequena dona, viva, que não substituía a outra, a dona morta, que ela sabia morta, como só os gatos adivinham e vaticinam as tristes verdades.
[...]
Só Brunilde, muito reflectiva depois dos casos de força maior da morte, pressentida, da sua dona morta, e do cio, contagioso e de mau presságio, dos seus bons jovens donos, aceitava que talvez a morte da vida, toda a vida, fosse o princípio do fim da crueldade de matar para comer e matar para gozar poder comer.
[...]
Gata agoirenta, até à vista. Vais dentro de um caixotinho que só lhe falta ser acolchoado de cetim. Até breve Nini.
Era o nominho que lhe dava a dona morta
Maria Velho da Costa, Myra, pp. 171, 172, 188

Myra amando Amar um Cão

«Através do outro, e em face do outro, sob o seu olhar, um ser sendo forja a sua identidade.
Só à noite, ao crepúsculo ainda suave, Myra começaria a folhear, sem entender, mas amando, Amar um Cão
Maria Velho da Costa, Myra, p. 142.

Os Passos em Volta de Myra

«Olhando a paisagem que perde contornos, Myra entende que o dia foi de passos em volta. Ao longe, perdido entre lombas, está o casebre onde pernoitaram.»

Maria Velho da Costa, Myra, p. 76.

domingo, 1 de fevereiro de 2009

Hugo von Hofmannsthal - Fernando Assis Pacheco

Poeta, dramaturgo e ensaísta, nascido em Viena em 1 de Fevereiro de 1874, Hugo von Hofmannsthal ficou internacionalmente conhecido pela sua colaboração com o compositor alemão Richard Strauss. Começou a escrever poesia e ensaios com 16 anos, sob o pseudónimo de Loris Melikow. Instigado por questões filosóficas, artísticas e literárias, Hofmannsthal licencia-se em Filologia Românica, dedicando-se inteiramente à escrita de poesia e de peças de teatro depois de acabar o curso. Os seus paradigmas literários assentam no homem-sonhador, homem-actor e homem-jogador. Escreve em 1905 a peça Ein Brief, uma reflexão sobre a linguagem, as questões sociais e culturais, a comunicação e o ser humano. Em França, numa viagem em 1900, conhece Auguste Rodin e o poeta Maeterlinck. Casa com Gertrud Schlesinger e vive o resto da vida em Rodaun, perto de Viena. Aos vinte e seis anos decide dedicar-se por completo à escrita de peças de teatro, revelando nesta altura preocupações com o crescimento do anti-semitismo. Em 1903 conhece Max Reinhardt e Richard Strauss, para quem escreveu o libreto de Elektra (1906). Com Reinhardt virá a fundar o Festival de Salzburgo, depois da guerra. Durante a Primeira Guerra Mundial, Hofmannsthal escreveu abundantes ensaios políticos, tendo também por este motivo as suas obras sido proibidas. Morre de ataque cardíaco em 1929, dois dias depois do suicídio do seu filho mais velho.
Com tradução de José A. Palma Caetano, a Assírio & Alvim publicou em 2002, na colecção «Testemunhos», Livro dos Amigos.
Fernando Assis Pacheco nasceu em Coimbra em 1 de Fevereiro de 1937. Licenciou-se em Filologia Germânica na Universidade de Coimbra, cidade onde viveu até 1961, ano em que foi para a tropa. Durante a adolescência foi actor de teatro e redactor da revista Vértice. Foi expedicionário em Angola pelo que, à data da publicação do seu primeiro livro, Cuidar dos Vivos, ainda se encontrava no continente africano. Foi um brilhante tradutor, tendo vertido para língua portuguesa obras de Pablo Neruda e Gabriel García Márquez, entre outros. O seu nome nunca será esquecido no mundo do jornalismo, tendo trabalhado no JL-Jornal de Letras, Artes e Ideias, n'O Jornal, na Visão, no Diário de Lisboa e no República. As suas principais obras de poesia são Cuidar dos Vivos, Memória do Contencioso e A Musa Irregular. Em prosa deixou-nos obras como Walt e Trabalhos e Paixões de Benito Prada. Faleceu no dia 30 de Novembro de 1995, em Lisboa, à porta da livraria Buchhölz.
Na colecção «Obras de Fernando Assis Pacheco», a Assírio & Alvim publicou até à data: Respiração Assistida [2003], Memórias de Um Craque [2005]), A Musa Irregular [2006], Walt ou O Frio e o Quente [2007], com capas sobre desenhos de Bárbara Assis Pacheco, filha do autor.

sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

Inéditos de Herberto Helder


Para esclarecer as dúvidas de alguns leitores e livreiros que nos têm chegado nos últimos dias, reproduzimos a seguir a estrutura fundamental do índice de Ofício Cantante, «título escolhido para a primeira publicação, em 1967, de poemas reunidos do autor [...] agora recuperado para a sua poesia completa», conforme reza a nota editorial de abertura desta edição.
A COLHER NA BOCA [pp. 7-102], POEMACTO [103-124], LUGAR [125-182], COMUNICAÇÃO ACADÉMICA [183-186], A MÁQUINA LÍRICA [187-214], A MÁQUINA DE EMARANHAR PAISAGENS [215-221], HÚMUS [223-239], CINCO CANÇÕES LACUNARES [241-257], OS BRANCOS ARQUIPÉLAGOS [259-269], ANTROPOFAGIAS [271-296], ETC. [297-302], EXEMPLOS [303-316], O CORPO O LUXO A OBRA [317-328], DEDICATÓRIA [329-347], FLASH, [349-367], A CABEÇA ENTRE AS MÃOS [369-396], ÚLTIMA CIÊNCIA [397-438], OS SELOS [439-467], OS SELOS, OUTROS, ÚLTIMOS [469-482], DO MUNDO [483-531], A FACA NÃO CORTA O FOGO [533-618].
Para além de poemas retrabalhados e aumentados, refira-se ainda que A Faca Não Corta o Fogo, agora parte integrante dos poemas reunidos em Ofício Cantante, acrescenta 10 poemas inéditos à edição súmula & inédita de 2008.


quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

Aforismos de Kafka

Há dois pecados mortais humanos, dos quais todos os outros derivam: a impaciência e a negligência. Foi por causa da impaciência que os homens foram expulsos do Paraíso e é por causa da negligência que não retornam. Mas talvez exista apenas um único pecado mortal: a impaciência. Foi por causa da impaciência que os homens foram expulsos e é por causa da impaciência que não retornam.

Franz Kafka, «Aforismos»

quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

do saibro irrompe a flor do cardo

do saibro irrompe a flor do cardo,
flor amarela,
entre o cascalho estelar amadurece a lua,
mãe há só uma:
que pela mesma vulva expulsa
mijo, mênstruo e filho
herberto helder, Ofício Cantante - poesia completa.

domingo, 25 de janeiro de 2009

São Paulo

São Paulo, de Teixeira de Pascoaes

3 E indo já de caminho, aconteceu que chegou perto de Damasco, subitamente o cercou um resplendor de luz do céu.

4 E caindo em terra, ouviu uma voz, que lhe dizia: Saulo, Saulo, por que me persegues?
Bíblia Ilustrada [tradução de João Ferreira Annes d'Almeida, apresentação e fixação do texto de José Tolentino Mendonça, ilustrações de Ilda David'].

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

23 de Janeiro — Dia Mundial da Liberdade

«quero liberdade, o direito à liberdade de expressão, o direito de todas as pessoas às coisas belas e radiosas.»


Emma Goldman, in Clara Queiroz, Se Não Puder Dançar, Esta Não é a Minha Revolução — Aspectos da Vida de Emma Goldman; Assírio & Alvim 2008, Lisboa

23 de Janeiro — Dia Mundial da Liberdade

«[…]
Não o prazer, não a glória, não o poder: a liberdade, unicamente a liber­dade.
[…]»


Excerto de O Livro do Desassossego; Bernardo Soares /Fernando Pessoa.

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

Louvor e Simplificação de Álvaro de Campos