domingo, 8 de fevereiro de 2009

O Amor é Fodido, de novo nas livrarias

«Apaixonei-me num momento desprevenido. Estava a ver um jogo de futebol, ela meteu-se à frente do televisor e, em vez de lhe dar um grito, não reparei, pela minha saúde, fiquei ali especado a olhar para ela. Um minuto de exposição foi quanto bastou. Não se pode olhar muito tempo para raparigas bonitas sem este género de merdas acontecer.»
Miguel Esteves Cardoso, O Amor é Fodido, p. 17

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

A Noite da Iguana


A Noite da Iguana e Outras Histórias, de Tennessee Williams, brevemente numa livraria perto de si.

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

Teresa Ferreira — 70.º Aniversário


Assinalamos o 70.º aniversário da Dr.ª Teresa Ferreira com um dia de trabalho que lhe será dedicado. Dia 9 de Fevereiro de 2009, na Livraria Assírio & Alvim, alguns dos seus colegas e amigos darão conferências ligadas às disciplinas da psicologia, da pedopsiquiatria e da psicanálise. 

Apresentações de Pedro Strecht, João Beirão, Equipa da Lapa, Maria José Gonçalves, Emílio Salgueiro, João Seabra Diniz, Margarida Fornelos e a Equipa da Casa da Praia. Mais informações sobre este programa podem ser lidas aqui.

Venha também comemorar esta data. Junte-se a nós na Rua Passos Manuel, 67-B (Lisboa), das 9h30 às 17h. A entrada é livre

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

An Interview with Simone Weil

Simone Weil - 100 anos do nascimento


Simone Weil nasceu em Paris, em 3 de Fevereiro de 1909, e morreu num sanatório inglês, aos 34 anos de idade. Foi professora em liceus de província, operária fabril, filósofa, sindicalista e mística.
«Imaginemos, se formos capazes, a solidão de um tal espírito na França de entre as guerras.» Albert Camus

«Weil, na minha opinião, é quem melhor conhece a “luz da montanha” (como diria Nietzsche)» George Steiner

«Basta ler algumas das suas páginas para nos apercebermos de que estamos perante algo de que muitos poderiam mesmo ter perdido a memória: um pensamento ao mesmo tempo transparente e duro como um diamante, um pensamento teimosamente concentrado num débil feixe de palavras» Roberto Calasso
«Espera de Deus é o melhor livro para iniciar um encontro com a escritora. A originalidade das suas percepções, a paixão e subtileza da sua imaginação teológica, a fecundidade dos seus talentos exegéticos estão aqui…» Susan Sontag
«[...] Simone Weil encontra no Crucificado a chave do conhecimento, a via da verdade, a porta da alegria interior, que não a separa da massa dos desventurados de todos os tempos. O episódio teve lugar a 15 de Setembro de 1935. Os pais de Simone Weil estavam a passar uns dias de férias no Hotel Santa Luzia, no monte que domina Viana do Castelo. Simone optou por uma modesta pensão, em baixo, na cidade. Dando umas voltas pelas redondezas, desceu até à Póvoa do Varzim, onde naquele dia, domingo, se celebrava a Senhora das Dores. A aldeiazinha referida é provavelmente Caxinas, a caminho de Vila do Conde. Simone Weil tinha então 26 anos. Os oito anos que lhe restavam de vida não passariam em vão, como provam os textos de Espera de Deus. Em correspondência à intervenção mais social e política de outros escritos desta fase final, a sua desperta atitude de atenção e espera foi magnificamente gratificada. Isto porque, como ela recorda nos textos aqui propostos [Espera de Deus], é Deus que procura o homem, que o espera, exausto, sob o sol do meio-dia, junto ao poço de Jacob.» José M. Pacheco Gonçalves

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

Donamorta

«E enroscou-se de novo na cama da dona, pequena dona, viva, que não substituía a outra, a dona morta, que ela sabia morta, como só os gatos adivinham e vaticinam as tristes verdades.
[...]
Só Brunilde, muito reflectiva depois dos casos de força maior da morte, pressentida, da sua dona morta, e do cio, contagioso e de mau presságio, dos seus bons jovens donos, aceitava que talvez a morte da vida, toda a vida, fosse o princípio do fim da crueldade de matar para comer e matar para gozar poder comer.
[...]
Gata agoirenta, até à vista. Vais dentro de um caixotinho que só lhe falta ser acolchoado de cetim. Até breve Nini.
Era o nominho que lhe dava a dona morta
Maria Velho da Costa, Myra, pp. 171, 172, 188

Myra amando Amar um Cão

«Através do outro, e em face do outro, sob o seu olhar, um ser sendo forja a sua identidade.
Só à noite, ao crepúsculo ainda suave, Myra começaria a folhear, sem entender, mas amando, Amar um Cão
Maria Velho da Costa, Myra, p. 142.

Os Passos em Volta de Myra

«Olhando a paisagem que perde contornos, Myra entende que o dia foi de passos em volta. Ao longe, perdido entre lombas, está o casebre onde pernoitaram.»

Maria Velho da Costa, Myra, p. 76.

domingo, 1 de fevereiro de 2009

Hugo von Hofmannsthal - Fernando Assis Pacheco

Poeta, dramaturgo e ensaísta, nascido em Viena em 1 de Fevereiro de 1874, Hugo von Hofmannsthal ficou internacionalmente conhecido pela sua colaboração com o compositor alemão Richard Strauss. Começou a escrever poesia e ensaios com 16 anos, sob o pseudónimo de Loris Melikow. Instigado por questões filosóficas, artísticas e literárias, Hofmannsthal licencia-se em Filologia Românica, dedicando-se inteiramente à escrita de poesia e de peças de teatro depois de acabar o curso. Os seus paradigmas literários assentam no homem-sonhador, homem-actor e homem-jogador. Escreve em 1905 a peça Ein Brief, uma reflexão sobre a linguagem, as questões sociais e culturais, a comunicação e o ser humano. Em França, numa viagem em 1900, conhece Auguste Rodin e o poeta Maeterlinck. Casa com Gertrud Schlesinger e vive o resto da vida em Rodaun, perto de Viena. Aos vinte e seis anos decide dedicar-se por completo à escrita de peças de teatro, revelando nesta altura preocupações com o crescimento do anti-semitismo. Em 1903 conhece Max Reinhardt e Richard Strauss, para quem escreveu o libreto de Elektra (1906). Com Reinhardt virá a fundar o Festival de Salzburgo, depois da guerra. Durante a Primeira Guerra Mundial, Hofmannsthal escreveu abundantes ensaios políticos, tendo também por este motivo as suas obras sido proibidas. Morre de ataque cardíaco em 1929, dois dias depois do suicídio do seu filho mais velho.
Com tradução de José A. Palma Caetano, a Assírio & Alvim publicou em 2002, na colecção «Testemunhos», Livro dos Amigos.
Fernando Assis Pacheco nasceu em Coimbra em 1 de Fevereiro de 1937. Licenciou-se em Filologia Germânica na Universidade de Coimbra, cidade onde viveu até 1961, ano em que foi para a tropa. Durante a adolescência foi actor de teatro e redactor da revista Vértice. Foi expedicionário em Angola pelo que, à data da publicação do seu primeiro livro, Cuidar dos Vivos, ainda se encontrava no continente africano. Foi um brilhante tradutor, tendo vertido para língua portuguesa obras de Pablo Neruda e Gabriel García Márquez, entre outros. O seu nome nunca será esquecido no mundo do jornalismo, tendo trabalhado no JL-Jornal de Letras, Artes e Ideias, n'O Jornal, na Visão, no Diário de Lisboa e no República. As suas principais obras de poesia são Cuidar dos Vivos, Memória do Contencioso e A Musa Irregular. Em prosa deixou-nos obras como Walt e Trabalhos e Paixões de Benito Prada. Faleceu no dia 30 de Novembro de 1995, em Lisboa, à porta da livraria Buchhölz.
Na colecção «Obras de Fernando Assis Pacheco», a Assírio & Alvim publicou até à data: Respiração Assistida [2003], Memórias de Um Craque [2005]), A Musa Irregular [2006], Walt ou O Frio e o Quente [2007], com capas sobre desenhos de Bárbara Assis Pacheco, filha do autor.

sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

Inéditos de Herberto Helder


Para esclarecer as dúvidas de alguns leitores e livreiros que nos têm chegado nos últimos dias, reproduzimos a seguir a estrutura fundamental do índice de Ofício Cantante, «título escolhido para a primeira publicação, em 1967, de poemas reunidos do autor [...] agora recuperado para a sua poesia completa», conforme reza a nota editorial de abertura desta edição.
A COLHER NA BOCA [pp. 7-102], POEMACTO [103-124], LUGAR [125-182], COMUNICAÇÃO ACADÉMICA [183-186], A MÁQUINA LÍRICA [187-214], A MÁQUINA DE EMARANHAR PAISAGENS [215-221], HÚMUS [223-239], CINCO CANÇÕES LACUNARES [241-257], OS BRANCOS ARQUIPÉLAGOS [259-269], ANTROPOFAGIAS [271-296], ETC. [297-302], EXEMPLOS [303-316], O CORPO O LUXO A OBRA [317-328], DEDICATÓRIA [329-347], FLASH, [349-367], A CABEÇA ENTRE AS MÃOS [369-396], ÚLTIMA CIÊNCIA [397-438], OS SELOS [439-467], OS SELOS, OUTROS, ÚLTIMOS [469-482], DO MUNDO [483-531], A FACA NÃO CORTA O FOGO [533-618].
Para além de poemas retrabalhados e aumentados, refira-se ainda que A Faca Não Corta o Fogo, agora parte integrante dos poemas reunidos em Ofício Cantante, acrescenta 10 poemas inéditos à edição súmula & inédita de 2008.


quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

Aforismos de Kafka

Há dois pecados mortais humanos, dos quais todos os outros derivam: a impaciência e a negligência. Foi por causa da impaciência que os homens foram expulsos do Paraíso e é por causa da negligência que não retornam. Mas talvez exista apenas um único pecado mortal: a impaciência. Foi por causa da impaciência que os homens foram expulsos e é por causa da impaciência que não retornam.

Franz Kafka, «Aforismos»

quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

do saibro irrompe a flor do cardo

do saibro irrompe a flor do cardo,
flor amarela,
entre o cascalho estelar amadurece a lua,
mãe há só uma:
que pela mesma vulva expulsa
mijo, mênstruo e filho
herberto helder, Ofício Cantante - poesia completa.

domingo, 25 de janeiro de 2009

São Paulo

São Paulo, de Teixeira de Pascoaes

3 E indo já de caminho, aconteceu que chegou perto de Damasco, subitamente o cercou um resplendor de luz do céu.

4 E caindo em terra, ouviu uma voz, que lhe dizia: Saulo, Saulo, por que me persegues?
Bíblia Ilustrada [tradução de João Ferreira Annes d'Almeida, apresentação e fixação do texto de José Tolentino Mendonça, ilustrações de Ilda David'].

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

23 de Janeiro — Dia Mundial da Liberdade

«quero liberdade, o direito à liberdade de expressão, o direito de todas as pessoas às coisas belas e radiosas.»


Emma Goldman, in Clara Queiroz, Se Não Puder Dançar, Esta Não é a Minha Revolução — Aspectos da Vida de Emma Goldman; Assírio & Alvim 2008, Lisboa

23 de Janeiro — Dia Mundial da Liberdade

«[…]
Não o prazer, não a glória, não o poder: a liberdade, unicamente a liber­dade.
[…]»


Excerto de O Livro do Desassossego; Bernardo Soares /Fernando Pessoa.

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

Louvor e Simplificação de Álvaro de Campos

Colheita «Assírio & Alvim 2008»

Chegam hoje às livrarias as primícias de 2009. Um bom momento para recordar a colheita «Assírio & Alvim 2008»:

fernando calhau - desenho 1965-2002; livro-guia do alentejo; mil planaltos - capitalismo e esquizofrenia 2; frágua de amor/floresta de enganos; poesia - de guilherme ix de aquitânia; pentâmetros jâmbicos; as cantinas e outros poemas do álcool e do mar; desenhos a lápis com fala - amar um cão; último minuete em lisboa; cartoons do ano 2007; moradas; era na velha casa - a ode marítima de álvaro de campos/fernando pessoa; olga roriz; qual é a minha ou a tua língua? - cem poemas de amor de outras línguas; esteves!; poemas - paul bowles; viagens - 1978-2008; o amante japonês; vozes íntimas; final feliz - novas crónicas para pais sobre filhos; o cavalo e o sentimento; pessoana - 2 volumes; gosto de ti como és; objectivos do milénio - vencer os medos; já cá não está quem falou; a leitura infinita - bíblia e interpretação; portugal e os portugueses; diário 1941-1943; livro vermelho dos vertebrados de portugal; anónimo transparente - uma interpretação gráfica de fernando pessoa; sabores judaicos - trás-os-montes; se não puder dançar esta não é a minha revolução - aspectos da vida de emma goldman; bartleby, escrita da potência seguido de bartleby, o escrivão; desenho, a transparência dos signos; estudos do labirinto seguido de a ideia religiosa do não-ser; quaresma, decifrador - as novelas policiárias; correspondências - vieira da silva por mário cesariny; filho pródigo; joão abel manta - caprichos e desastres; o heresiarca & c.ª; o inútil da família; mão direita do diabo; em portugal não se come mal; gatos comunicantes - correspondência entre vieira da silva e mário cesariny 1952-1985; a minha escola não é esta; o sentido da vida é só cantar; o marinheiro que perdeu as graças do mar; por cima do mundo; história da etiópia; a faca não corta o fogo; poemário 2009; diário 2009; culinário 2009; Diário 2009 fernando pessoa; caderno fernando pessoa; poemário 2009 fernando pessoa; aquilo sou eu/that is me; myra; requiem para d. quixote; aforismos - kafka; o festim da aranha; sob um falso nome; só o amor é digno e fé; fogo frio - o vulcão dos capelinhos; segredos culinários de maria callas - histórias, receitas e sabores; atlas das aves nidificantes em portugal; lapinha do caseiro.

quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

Amadeo de Souza-Cardoso - Catálogo Raisonné

«[...] foi editado em Dezembro de 2007 o primeiro volume deste catálogo, uma Fotobiografia do artista, com vasta informação e documentação inéditas.
Por muito diferenciados que sejam os caminhos e os métodos presentes nos múltiplos modelos de catálogos raisonnés existentes, há um princípio que os une: a ambição de reunir a totalidade da obra de um artista. É este o dado que os distingue e separa de todos os outros tipos de catálogos. Assim como a perspectiva de um olhar analítico sobra cada uma das obras apresentadas.
O objectivo destas publicações é claro. Para além da inventariação e dos níveis de profundidade que se queiram apresentar, é de uma necessidade de legitimação que se trata. O trabalho do historiador exerce-se portanto em dois níveis transversais: o estimulante estudo do trabalho do artista e, articuladamente, a construção e o cruzamento de uma poderosa malha informativa, que permita filtrar e excluir obras falsas (que no caso de Amadeo de Souza-Cardoso começaram a circular com evidência a partir dos anos 70), ou outras que lhe foram indevidamente atribuídas.»
Helena de Freitas, Amadeo de Souza-Cardoso - Pintura [Catálogo Raisonné - Vol. II]

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

Louvor e Simplificação de Álvaro de Campos

Há uma hora, há uma hora certa
que um milhão de pessoas está a sair para a rua
Há uma hora desde as sete e meia horas da manhã
que um milhão de pessoas está a sair para a rua
Estamos no ano da graça de 1946
em Lisboa a sair para o meio da rua

Saímos? mas sim, saímos!

[...]

Mário Cesariny

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

Aos amigos

Amo devagar os amigos que são tristes com cinco dedos de cada lado.
Os amigos que enlouquecem e estão sentados, fechando os olhos,
com os livros atrás a arder para toda a eternidade.
Não os chamo, e eles voltam-se profundamente
dentro do fogo.
— Temos um talento doloroso e obscuro.
Construímos um lugar de silêncio.
De paixão.

Herberto Helder