A Faca Não Corta o Fogo — Súmula & Inédita
Herberto Helder
Colecção: Grãos de Pólen
208 pp.
edição encadernada
20 €
se do fundo da garganta aos dentes a areia do teu nome,
se riscasse com a abrasadura, se
em cima e em baixo mexido às escuras,
o forno com a mão a ver se ela podia
que uma púrpura em flor fosse até ao coração,
unhas e tudo,
que estremecesse, não por dito mas sabido
contra ti, e por artes
antigas trazer o ar, fazer uma
iluminação:
mudar o mundo para que o nome coubesse,
vivaz, tocado, fértil,
houvesse um dom inseparável, música, verbo:
se eu pudesse, se a terra
se atrasasse,
se pudesse em amarga língua portuguesa com o teu nome em qualquer
parte,
para eu mesmo riscar contra ti,
raiar contra ti,
sob
serapilheiras de sangue
Já disponível também no nosso site, aqui.
quinta-feira, 9 de outubro de 2008
Inédito de Herberto Helder a partir de hoje nas livrarias
segunda-feira, 6 de outubro de 2008
«Pois, como diria Peter Maynard»
«Como partilhávamos o mesmo encanto pelas coisas menores da vida, aquelas que normalmente não dão grandes carreiras e muito menos grandes romances, passámos muitas horas a falar de livros policiais e de filmes negros. Desse por onde desse, a conversa acabava sempre por ir dar ao mesmo. Ainda que tivessem caído dois arranha-céus em Nova York, ou uma onda gigante tivesse engolido a ilha de Ceilão, para nós era muito mais importante recordar o Borsalino tombado para os olhos com que o Bogart fazia, com o mesmo à vontade e praticamente a mesma gabardina, tanto de Sam Spade como de Philip Marlowe.»
Leia aqui na íntegra o texto que José Xavier Ezequiel dedicou a Dinis Machado [1930-2008]
Oiça um excerto da entrevista a Miguel Esteves Cardoso para a TSF
Miguel Esteves Cardoso é entrevistado por Carlos Vaz Marques para a rádio TSF (programa Pessoal... E Transmissível). Hoje, por volta das 19h (com repetição depois do noticiário da uma da manhã).
Oiça aqui um excerto da entrevista — Miguel Esteves Cardoso fala da imprensa e dos blogues: Get this widget | Track details | eSnips Social DNA
Relembramos que pode ler aqui as primeiras páginas da mais recente obra deste autor, Em Portugal Não Se Come Mal.
domingo, 5 de outubro de 2008
Novidade
A Faca Não Corta o Fogo — Súmula & Inédita representa o esperado regresso de Herberto Helder. Um novo volume de poesia, com todo o rigor e beleza a que nos habituou.
A Faca Não Corta o Fogo — Súmula & Inédita
Herberto Helder
Edição encadernada (208 pp)
Classificação: Poesia
Colecção: Grãos de Pólen
20 €
Engoli
água. Profundamente: — a água estancada no ar.
Uma estrela materna.
E estou aqui devorado pelo meu soluço,
leve da minha cara.
O copo feito de estrela. A água com tanta força
no copo. Tenho as unhas negras.
Agarro nesse copo, bebo por essa estrela.
Sou inocente, vago, fremente, potente,
tumefacto.
A iluminação que a água parada faz em mim
das mãos à boca.
Entro nos sítios amplos.
— O poder de reluzir em mim um alimento
ignoto; a cara
se a roça a mão sombria, acima
da camisa inchada pelo sangue,
abaixo do cabelo enxuto à lua. Engoli
água. A mãe e a criança demoníaca
estavam sentadas na pedra vermelha.
Engoli
água profunda.
sábado, 4 de outubro de 2008
Reedição
Não se trata de uma novidade, mas da reedição de um livro que, editado em Abril deste ano, foi generosamente abraçado pelo público e pela crítica: Diário 1941-1943, de Etty Hillesum (novamente disponível nas livrarias a partir de dia 9 de Outubro).
Diário 1941-1942, Etty Hillesum
Tradução: Maria Leonor Raven-Gomes
Edição brochada (352 pp)
Classificação: Diário; Religião; Holocausto
Colecção: Teofanias
22 €
«Foi novamente como se a Vida, com todos os seus segredos, estivesse próxima de mim, como se eu a pudesse tocar… E ali sentia-me imensamente segura e protegida. E pensei: "Como isto é estranho. É guerra. Há campos de concentração. Pequenas crueldades amontoam-se por cima de pequenas crueldades. Quando caminho pelas ruas, sei que, em muitas das casas por onde passo, há ali um filho preso, e ali um pai refém, e ali têm de suportar a condenação à morte de um rapaz de dezoito anos." E estas ruas e casas ficam perto da minha própria casa.
Sei do grande sofrimento humano que se vai acumulando, sei das perseguições e da opressão… Sei de tudo isso e continuo a enfrentar cada pedaço de realidade que se me impõe. E num momento inesperado, abandonada a mim própria — encontro-me de repente encostada ao peito nu da Vida e os braços dela são muito macios e envolvem-me, e nem sequer consigo descrever o bater do seu coração: tão fiel como se nunca mais findasse…»
A 9 de Março de 1941, quando Esther (Etty) Hillesum começou a escrever, no primeiro dos oito cadernos de papel quadriculado, o texto que viria a ser o seu Diário, estava-se longe de pensar que começava aí uma das aventuras literárias e espirituais mais significativas do século. Ela tinha vinte e sete anos de idade e morreria sem ter feito trinta.
A 30 de Novembro de 1943, a Cruz Vermelha comunicou a sua morte em Auschwitz.
Novidade
Uma proposta diferente: o artista auto-retratando-se. Aquilo Sou Eu é isso mesmo: uma junção dos auto-retratos dos artistas que aceitaram o desafio. Aqui se encontram, entre outros, Daniel Blaufuks, Jan Fabre, Jorge Molder, Cindy Sherman, Susanne Themlitz.
Aquilo Sou Eu, o livro, resulta da exposição com o mesmo nome, actualmente (e até 31 de Outubro) na Fundação Carmona e Costa.
Disponível nas livrarias a partir de dia 9 de Outubro.
Aquilo Sou Eu
Vários Autores
Caixa (15,5 x 22 cm)
Classificação: Arte; Auto-retrato
Colecção: Arte e Produção
25 €
Escreve Margarida Medeiros no texto publicado no livro: «O convite feito a um artista para que se coloque ao espelho e registe a sua própria imagem é um convite a demorar-se sobre essa realidade identitária que nos foge a cada minuto, na qual não nos podemos demorar muito para que possamos continuar a viver. Quando um artista é convocado, por muito informalmente que o seja, como foi no caso do gesto afectuoso de Luís Serpa, a fazer o seu auto-retrato, e o faz, mesmo que contrariado, para agradar a um amigo, confronta-se com a necessidade de exteriorizar uma auto-imagem, de construir uma representação que enuncie qualquer coisa sobre si. Mas qualquer artista sabe que apenas tem de dar qualquer coisa, e que lhe seria impossível fornecer uma imagem una, acabada, total, de si mesmo. Por outro lado, como artista, a sua marca autoral estará sempre ligada à representação que de si fizer e ele sabe-o.»
sexta-feira, 3 de outubro de 2008
Novidades
Regressam os calendários Assírio & Alvim. Vá desvendando já aquilo que o ano de 2009 lhe trará. Disponíveis nas livrarias a partir do dia 9 de Outubro, o Poemário, o Culinário e o Diário.
Poemário 2009
Vários Autores (poemas retirados dos livros de poesia publicados pela Assírio & Alvim)
Edição brochada (640 pp)
Classificação: Poesia; Calendário
10 €
[Se um comboio pode esconder outro, um dia não substitui outro, um poema não apaga outro; aconselha-se atenção redobrada para que nada do que é importante caia no esquecimento; mas, uso livre e irrestrito — dos dias, dos poemas.]
A MEU FAVOR
A meu favor
Tenho o verde secreto dos teus olhos
Algumas palavras de ódio algumas palavras de amor
O tapete que vai partir para o infinito
Esta noite ou uma noite qualquer
A meu favor
As paredes que insultam devagar
Certo refúgio acima do murmúrio
Que da vida corrente teime em vir
O barco escondido pela folhagem
O jardim onde a aventura recomeça.
Alexandre O’Neill (1924-1986)
Poesias Completas
(introdução e organização de Miguel Tamen)
Culinário 2009
Vários Autores (receitas retiradas dos livros de culinária publicados pela Assírio & Alvim)
Edição brochada (640 pp)
Classificação: Culinária; Calendário
10 €
Este Culinário é dedicado a Alfredo Saramago (1938-2008)
«A cozinha é uma arte de circunstâncias e, no tempo presente, a cozinha tradicional é horizonte de muitas procuras e desejados encontros.
A história da cozinha está ligada à história do homem, porque foi essa cozinha que, em todas as épocas da história, funcionou como matriz civilizacional.»
ALFREDO SARAMAGO, Livro-Guia do Alentejo
Diário 2009
Vários Autores (textos e imagens retirados dos livros publicados pela Assírio & Alvim)
Edição brochada (224 pp)
Classificação: Arte; Literatura; Agenda
10 €
Há alegria nalguns reencontros; existem memórias percorridas pela melancolia. O tempo — é saber antigo — voa. Hoje, o sol castiga as calçadas, amanhã, o vento torce as árvores nuas. Que mais oferecer que a entrega dos dias à recordação de algumas vozes?
Propostas, fragmentos para reter a passagem do olhar. Pretextos para desvendar o que os dias têm de efémero, onde somos visitas e viajantes.
De caminho, talvez possamos recordar a distância que separa um aforismo de uma fábula, uma fotografia da vida que a preenche, ou da realidade que inventa.
A imaginação exige espaço, o passo demorado que se alonga, procurando atrasar a passagem do tempo. Hoje uma sugestão, depois outra. Poder voltar atrás, sempre que se quiser.
quinta-feira, 2 de outubro de 2008
Miguel Esteves Cardoso na TSF
Miguel Esteves Cardoso é entrevistado por Carlos Vaz Marques para a rádio TSF (programa Pessoal... E Transmissível). Segunda-feira, 6 de Outubro, por volta das 19h (com repetição depois do noticiário da uma da manhã).
Relembramos que pode ler aqui as primeiras páginas da mais recente obra deste autor, Em Portugal Não Se Come Mal.
Apresentação do livro «História da Etiópia»
A Assírio & Alvim tem o prazer de o/a convidar para o lançamento do livro História da Etiópia, de Pedro Páez, com edição de Isabel Boavida, Hervé Pennec e Manuel João Ramos.
Dia 3 de Outubro, sexta-feira, pelas 18.00 horas na Livraria Bulhosa do Campo Grande.
Apresentação por:
- Professora Doutora Paula Morão
- Professor Doutor Fernando Cristóvão
segunda-feira, 29 de setembro de 2008
Apresentação do livro «Gatos Comunicantes»
A Assírio & Alvim e a Fundação Arpad Szenes – Vieira da Silva têm o prazer de o convidar para o lançamento do livro Gatos Comunicantes — Correspondência entre Vieira da Silva e Mário Cesariny 1952 - 1985
Dia 1 de Outubro, quarta-feira, pelas 18h30m, no auditório da Fundação Arpad Szenes – Vieira da Silva
Apresentação por Perfecto E. Cuadrado e Helena Barbas
Leitura de algumas cartas por João Grosso e Teresa Lima
Com o apoio da Fundação EDP
Leia algumas das cartas que integram este livro, aqui ou na barra lateral.
quarta-feira, 24 de setembro de 2008
Descontos durante o dia de amanhã
Aproveitando a ocasião da apresentação do Livro Vermelho dos Vertebrados de Portugal (em 3.ª edição), alguns dos nossos livros relacionados terão descontos de 20% a 50%.
- O Livro Vermelho [...] será vendido com 20% de desconto
Mas aproveite também as promoções sobre os seguintes títulos:
- A Árvore em Portugal
- O Cavalo e o Sentimento
- Nomes Portugueses das Aves do Paleártico Ocidental
- Onde Observar Aves no Sul de Portugal
- Percursos — Paisagens e Habitats de Portugal
- Polvos, Lulas e Chocos
- Tratado da Árvore
terça-feira, 23 de setembro de 2008
Em Portugal Não Se Come Mal
Disponíveis on-line, as primeiras páginas do mais recente livro de Miguel Esteves Cardoso, Em Portugal Não Se Come Mal. Na barra lateral esquerda ou aqui.
Livro Vermelho dos Vertebrados de Portugal — Apresentação da 3.ª edição
A Assírio & Alvim convida-o(a) a assistir ao lançamento da 3.ª edição do Livro Vermelho dos Vertebrados de Portugal — Peixes Dulciaquícolas e Migradores, Anfíbios, Répteis, Aves e Mamíferos. A apresentação será feita por Jorge Palmeirim, da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, e Henrique Pereira dos Santos, do Instituto da Conservação da Natureza e da Biodiversidade. No dia 25 de Setembro, quinta-feira, pelas 19.00h, na Livraria Assírio & Alvim — Rua Passos Manuel, 67B, Lisboa.
quinta-feira, 18 de setembro de 2008
Novidades
Um novo livro de Paul Bowles, Por Cima do Mundo, e a reedição d'O Marinheiro que Perdeu as Graças do Mar, de Yukio Mishima, são as novidades da Assírio & Alvim, disponíveis nas livrarias a partir do dia 24:
Por Cima do Mundo Paul Bowles
Tradução: David Antunes e Sara E. Eckerson
Edição brochada (240 pp)
Classificação: Romance
Colecção: O Imaginário
15 €
No terraço de um apartamento sofisticado sobre uma colina com vista para uma capital da América Central, quatro pessoas conversam amigavelmente. Os Slade, um casal de turistas americanos, são recebidos por um homem novo, de grande charme e beleza, que acabam de conhecer, e pela sua amante. Ali sentados, com bebidas na mão e a observar um pôr do sol invulgarmente belo, os Slade parecem estar a viver um daqueles momentos afortunados que povoam a imaginação de todos os viajantes. Mas entre a boa educação e a conversa trivial, um comentário revela-se profético — o anfitrião diz para a mulher americana: «— Não é bem o que você pensa.»
Neste romance Paul Bowles conduz-nos, com inigualável mestria, a um tortuoso labirinto de relações humanas situado por baixo de uma superfície de hospitalidade e luxo, até à constatação de que aquilo que, a princípio, parece ser um mero encontro casual, está na realidade enraizado no vício e no horror.
O Marinheiro que Perdeu as Graças do Mar
Yukio Mishima
Tradução: Carlos Leite
Edição brochada (184 pp)
Classificação: Novela
Colecção: O Imaginário
11 €
O Marinheiro que Perdeu as Graças do Mar é uma das mais breves e belas novelas da obra de Mishima. Há quem veja na sua trama uma representação simbólica da sociedade japonesa do pós-guerra conforme a radical visão do autor. Bem mais do que isso, é uma novela de rara beleza, erotismo, imprevisibilidade e de um radicalismo brutal. Noboru deslumbrou-se com a relação poética e erótica de sua mãe com o fascinante Ryuji, o marinheiro que carrega a grandeza, a glória, o brilho do mar e aquele boné com «a âncora ao centro do grande emblema em forma de lágrima [...] reflectindo o sol da tarde». Mas esta apaixonante relação sofrerá uma inesperada mudança. No exterior há um grupo organizado segundo um Chefe, com elementos precocemente militarizados. Rapidamente absorvem o confuso Noboru nos severos princípios da tradição japonesa. Não tarda que o marinheiro seja julgado por ter traído os valores fundamentais de idealismo, de beleza e de glória. Segundo os códigos do grupo, as contemplações são proibidas e qualquer cedência significaria a sobreposição do caos à ordem, como avisa o Chefe, ou, conforme diz, mais eufemisticamente, o último parágrafo do livro: «a glória, como vós sabeis, é uma coisa amarga».
quarta-feira, 10 de setembro de 2008
«Correspondências»
A exposição Correspondências — Vieira da Silva por Mário Cesariny prolongar-se-á até dia 9 de Novembro.Na Fundação Arpad Szenes - Vieira da Silva (Praça das Amoreiras, 56/58 — Lisboa).
Preço dos bilhetes: 3 €. Descontos de 50% para estudantes, reformados, professores e portadores do Lisboa Card. Gratuito aos domingos, das 10h às 14h.
Para consultar a brochura da exposição, clique aqui.
terça-feira, 9 de setembro de 2008
Cesare Pavese — cem anos do nascimento

Cesare Pavese
[09-09-1908/1950]
«Acredito no que todos os homens esperaram e sofreram. Se outrora subiram a estes cumes pedregosos ou procuraram pântanos mortais sob o céu, foi porque aí encontravam alguma coisa que nós não conhecemos. Não era o pão nem o prazer nem a querida salvação. Estas coisas sabe-se onde estão. Não é aqui. E nós que vivemos longe à beira do mar ou nos campos, essa outra coisa perdemo-la.»
Cesare Pavese, in Diálogos com Leucó
domingo, 7 de setembro de 2008
Camilo Pessanha

Camilo Pessanha
[1867-1926]
ESTÁTUA
Cansei-me de tentar o teu segredo:
No teu olhar sem cor, — frio escalpelo, —
O meu olhar quebrei, a debatê-lo,
Como a onda na crista dum rochedo.
Segredo dessa alma e meu degredo
E minha obsessão! Para bebê-lo
Fui teu lábio oscular, num pesadelo,
Por noites de pavor, cheio de medo.
E o meu ósculo ardente, alucinado,
Esfriou sobre o mármore correcto
Desse entreaberto lábio gelado…
Desse lábio de mármore, discreto,
Severo como um túmulo fechado,
Sereno como um pélago quieto.
Camilo Pessanha, in Clepsydra — Poemas de Camilo Pessanha
quinta-feira, 4 de setembro de 2008
Antonin Artaud

Antonin Artaud
[1896-1948]
«Quando vivo, não me sinto viver. Mas quando represento, aí me sinto existir.
O que me impediria de acreditar no sonho do teatro, quando acredito no sonho da realidade?
Quando sonho faço qualquer coisa, e no teatro faço qualquer coisa.
Conduzidos pela minha consciência profunda, os acontecimentos do sonho ensinam-me o sentido dos acontecimentos da vigília, onde a fatalidade completamente nua me conduz.
Ora, o teatro é como uma grande vigília onde sou eu quem conduz a fatalidade.»
Antonin Artaud in Eu, Antonin Artaud (excerto)
