Sábado, 7 d
e Junho de 2008
Pavilhão 34
55 Canções de Sérgio Godinho
Sérgio Godinho
P.V.P.: 18 €
Preço de Feira: 11 €
«Foi há tantos anos que ainda me lembro: adolescente, eram livros como este que me levaram a experimentar as primeiras (e rudimentares) formas de escrita; e, desde aí, nunca me têm largado. Ou seja, tenho-os à mão e eles têm-me à perna.
O acesso prático aos mecanismos que outros usaram para criar (ou criaram para usar) nunca deixou de me trazer luzes e dicas importantes, neste ofício intermitente da feitura de canções.
Imitamos, transformamos, inventamos, emperramos e solucionamos, mas nunca a partir do nada — há sempre, num ponto de partida, de percurso ou de chegada, o que nos foi sugerido por outros saberes. Com livro ou sem livro.
Mas é destes manuais que falamos: sabemos como em Portugal, são ainda, infelizmente, aves raras. Começam agora algumas a pousar, e serão cada vez mais bem-vindas.
Que prenda para todos que praticam estas coisas, ter um dia acesso a toda a música portuguesa (enfim, não exageremos) neste formato, ou formatos afins. Estatisticamente, o meu contributo passaria a ser muito menor, e eu com isso no maior contentamento.»
Sérgio Godinho
Pavilhão 21
Cozinha de Lisboa e seu Termo
Alfredo Saramago
P.V.P.: 60 €
Preço de Feira: 30 €
Inserida na colecção «Coração, Cabeça e Estômago / Especial», o livro Cozinha de Lisboa e seu Termo enquadra-se no conjunto de volumes dedicados à gastronomia das várias regiões de Portugal que tem deliciado os apreciadores da boa culinária.
Esta completíssima obra sobre a gastronomia da região de Lisboa apresenta em primeiro lugar uma extensa introdução de Alfredo Saramago, intitulada «Enquadramento e perspectivas históricas da alimentação em Lisboa e seu termo», na qual o autor se dedica ao estudo da história da alimentação e da gastronomia na região, desde a pré-história até aos dias de hoje, terminando com uma série de notas finais sobre o futuro da gastronomia dita tradicional. Segue-se depois um imenso e variado conjunto de receitas tradicionais da região de Lisboa, desde sopas a ovos, passando por carnes de caça, peixes de rio ou doces e bolos de fruta. Para aguçar mais o apetite dos leitores, muitas receitas vêm acompanhadas pelas lindíssimas fotografias de Inês Gonçalves, habitual colaboradora desta colecção.
sábado, 7 de junho de 2008
Feira do Livro — Livros do dia
sexta-feira, 6 de junho de 2008
Feira do Livro — Pins
Este ano, uma das grandes novidades nos nossos stands da Feira do Livro são os pins.
Com fotografias dos autores da Assírio & Alvim, divertidos ou sérios, a preto e branco, sépia ou com fundos de cores berrantes, mas também com pedaços de livros e de capas, os nossos pins estão a fazer sucesso.
Preço por unidade: 1 €
Imagem: pin de Mário Cesariny
«Momento de Poesia»
Poemas de Almada Negreiros está hoje em destaque. Aqui deixamos um desses poemas, «Momento de Poesia», pela voz de Germana Tânger.
(Retirado do livro Poemas ditos por Germana Tânger, © Assírio & Alvim, herdeiros de Almada Negreiros (2004))
Feira do Livro — Livros do dia
Sexta-feira,
6 de Junho de 2008
Pavilhão 34
A Minha Andorinha
Miguel Esteves Cardoso
P.V.P.: 19 €
Preço de Feira: 11 €
«Não há nada pior que um ajuntamento espontâneo de populares. Juntam-se muito neste país. É para ver quem morreu ou para espancar um desgraçado que matou os filhos e as galinhas. É para jogar à vermelhinha ou para comprar Lacostes da treta que, em vez de um crocodilo, têm um sardão das Berlengas. À mínima desculpa os populares, que estão maçados e anseiam distracção, juntam-se. Deveria ser proibido, fora de feiras e romarias. Bem vistas as coisas, também deveriam ser proibidas as feiras e as romarias, porque já está demonstrado que encorajam o contacto entre as pessoas. […]
Mas não divaguemos porque há muito para desbastar. Por exemplo, aqueles pedintes que, em vez de apresentar oralmente o seu apelo, no estilo tradicional, produzem um extenso texto miserabilista, escrito em português ilegível, a dizer que já estiveram melhor e que praticamente estão como hão-de ir. Aquelas senhoras que sabem os nomes de todos os bolos e fazem gala disso. Em vez de apontar com o dedo, para a montra, como os mortais comuns que têm mais que fazer, começam a recitar as suas cabalas maçónicas: “Um jesuíta, uma margarida, um charleston, um torno-mecânico-de-seis-bicos, um berimbau, um gonzaguinha e dois pastéis de nata.”»
Miguel Esteves Cardoso

Pavilhão 21
Poemas
Almada Negreiros
P.V.P.: 21 €
Preço de Feira: 13 €
Iniciou-se a obra completa de José de Almada Negreiros com a publicação de Poemas, numa edição exemplarmente organizada por Luís Manuel Gaspar, Mariana Pinto dos Santos e Fernando Cabral Martins. Incluem-se, neste volume, treze poemas inéditos como «Chez Moi», que nunca havia sido publicado em Portugal, e uma secção com poemas variantes que, por vezes, assumem a forma de fragmentos, como «O Menino d’Olhos de Gigante».
Poesia, pintura e desenho entrecruzam-se, naquilo que Fernando Cabral Martins descreveu como sendo uma «singularidade única na moderna história cultural portuguesa, das suas práticas artísticas, que têm a poesia e a pintura como faces mais visíveis e o teatro como referente último».
quinta-feira, 5 de junho de 2008
«Vencer os Medos»
no Centro de Congressos de Lisboa (antiga FIL) a partir de amanhã (sexta-feira, 6 de Junho), por ocasião de «Os Dias do Desenvolvimento»,
evento que se estreia este ano e é organizado pelo IPAD.
Veja aqui a animação feita a partir dos desenhos do livro.
Animação realizada por Miguel Rocha e Tiago Albuquerque, com música de João Bastos.
Vencer os Medos é uma história em banda desenhada, contada a muitas vozes: escrita por João Paulo Cotrim, é ilustrada por João Fazenda, Susa Monteiro, Maria João Worm, Pedro Burgos, Tiago Albuquerque, Miguel Rocha, Rui Lacas e Alex Gozblau. Maria é a protagonista. Ela, uma bicicleta e a música. Esta personagem atravessa as ruas e o mundo, para descobrir os grandes problemas com que nos deparamos actualmente: desigualdades, epidemias, doenças contagiosas, fome, guerra... Mas Maria também descobre que é possível ultrapassar as crises; antes de mais, é preciso fazer uma lista dos medos e vencê-los.
Vencer os Medos procura dar-nos conta dos oito Objectivos de Desenvolvimento do Milénio, que a Organização das Nações Unidas traçou, e que espera ver cumpridos até 2015:
- Erradicar a pobreza extrema e a fome;
- Alcançar o ensino primário universal;
- Promover a igualdade entre os géneros;
- Reduzir a mortalidade infantil;
- Melhorar a saúde materna;
- Combater o VIH/SIDA, a malária e outras doenças;
- Garantir a sustentabilidade ambiental;
- Fortalecer uma parceria mundial para o desenvolvimento.
«Correspondências»
Maria Helena Vieira da Silva,
é hoje inaugurada a exposição «Correspondências»
(Praça das Amoreiras, 56/58 — Lisboa)
Em exposição, estará a correspondência trocada entre o casal de artistasVieira da Silva / Arpad Szenes e Mário Cesariny
(até 4 de Outubro)
Feira do Livro — Livros do dia
Quinta-feira, 5 de Junho de 2008
Pavilhão 34
René Leys
Victor Segalen
P.V.P.: 12 €
Preço de Feira: 7 €
René Leys é um livro póstumo de Victor Segalen e o mais alto dos seus momentos literários. Um francês na cidade de Pequim, em 1911, interessa-se pelos mistérios da Família Imperial. Procurando alguém que pudesse ter acesso ao palácio, encontra a solução para os seus sonhos no seu tutor, René Leys, um jovem belga que aprendeu a falar fluentemente chinês e tem um lugar supreendentemente privilegiado na corte.
Neste romance fascinante, o leitor deparar-se-á com descrições notáveis da vida em Pequim, com os misteriosos círculos de poder em redor do Imperador e, não menos importante, com a resolução de um assassinato intrigante.
Pavilhão 21
Cartas
Fernando Pessoa
P.V.P.: 22.50 €
Preço de Feira: 14 €
«Lisboa 4-5-1916
Meu querido Cortes-Rodrigues:
Não lhe tenho escrito. Tenho atravessado uma enorme crise intelectual. E agora estou muito pior, com a enorme tragédia que nos aconteceu a todos.
O Sá-Carneiro suicidou-se em Paris no dia 26 de Abril.
Não tenho cabeça para lhe escrever, mas não quero deixar de lhe comunicar isto.
Claro está que a causa do suicídio foi o temperamento dele, que fatalmente o levaria àquilo. Houve, é claro, uma série de perturbações que foram as causas ocasionais da tragédia.
Ele suicidou-se com estricnina. Uma morte horrorosa. Já tencionara suicidar-se três vezes – em 3 de Abril a primeira.
Uma grande desgraça!
Naturalmente Orpheu publicará uma plaquette, colaborada só pelos seus colaboradores, à memória do Sá-Carneiro. Logo que você puder, portanto - quanto antes melhor - você mande-me qualquer coisa breve (o mais esmerado possível) á memória dele. Não se esqueça. O bom era se o mandasse pelo próximo vapor.
[...]»
quarta-feira, 4 de junho de 2008
«Portugal», de Jorge Sousa Braga
Vídeo-poema apresentado no dia 15 de Maio de 2008 nas Quintas da Leitura, no Teatro do Campo Alegre.
imagem de Pedro Guimarães
sonorização de Paulo Sousa
locução de António Durães
com o poema «Portugal», de Jorge Sousa Braga.
Feira do Livro — Livros do dia
Quarta-feira, 4 de Junho de 2008
Pavilhão 34
O Poeta Nu [poesia reunida]
Jorge Sousa Braga
P.V.P.: 19 €
Preço de Feira: 11 €
«Adão e Eva
Adão era polícia numa esquadra vizinha. Nos intervalos dos giros, subia duas a duas as escadas do atelier de Lempicka, despia a farda e o seu corpo nu e musculado pisava o soalho, como se pisasse o chão do paraíso.
Tal como o outro Adão, desconhecia o chão que pisava e seria incapaz de reconhecer esse corpo nu que arrancava na tela um frémito de prazer a uma Eva desprevenida.»
Pavilhão 21
Prosa Íntima e de Autoconhecimento
Fernando Pessoa
P.V.P.: 22.50 €
Preço de Feira: 14 €
«Interessar-nos pela vida íntima de Pessoa, longe de ser um acto de voyeurismo, com o intuito de descobrir o artista escondido por detrás da sua arte, é aprofundar o nosso conhecimento dessa arte na sua globalidade. Ler o homem é ler a obra, ou parte dela. Os textos recolhidos neste volume não servem para entender ou apreciar melhor “A Tabacaria” (não sendo sequer útil, para esse efeito, saber que é da autoria de Álvaro de Campos); valem por si, como outras peças – algumas “menores”, mas mesmo assim interessantíssimas – da obra literária chamada Pessoa.»
Richard Zenith, no prefácio a este livro.
terça-feira, 3 de junho de 2008
M.H.M. [1952-2001]

«Gosto de pensar que edito livros como quem trata de uma vinha.»
Manuel Hermínio Monteiro
[10-Setembro-1952 / 3-Junho-2001]
Feira do Livro — Livros do dia
Terça-feira, 3 de Junho de 2008
Pavilhão 34
Rosa do Mundo — 2001 poemas para o futuro
P.V.P.: 35 €
Preço de Feira: 20 €
Rosa do Mundo — 2001 Poemas para o Futuro é o título daquele que será o mais interessante projecto editorial e poético realizado entre nós. Dizemo-lo sem falsas modéstias e com a convicção que deriva de um vasto trabalho colectivo de mais de uma centena de intervenientes que, ultrapassando um ano de trabalho, conseguiram reunir muita da mais bela poesia do mundo. Um livro que nos mostra que em todos os tempos e por toda a parte sempre palpitou a energia poderosa da mais pura emoção humana que hoje podemos experimentar nas duas mil e uma pétalas que formam esta Rosa.
Pavilhão 21
Cozinha de Lisboa e seu Termo
Alfredo Saramago
P.V.P.: 60 €
Preço de Feira: 30 €
Inserida na colecção «Coração, Cabeça e Estômago / Especial», o livro Cozinha de Lisboa e seu Termo enquadra-se no conjunto de volumes dedicados à gastronomia das várias regiões de Portugal que tem deliciado os apreciadores da boa culinária.
Esta completíssima obra sobre a gastronomia da região de Lisboa apresenta em primeiro lugar uma extensa introdução de Alfredo Saramago, intitulada «Enquadramento e perspectivas históricas da alimentação em Lisboa e seu termo», na qual o autor se dedica ao estudo da história da alimentação e da gastronomia na região, desde a pré-história até aos dias de hoje, terminando com uma série de notas finais sobre o futuro da gastronomia dita tradicional. Segue-se depois um imenso e variado conjunto de receitas tradicionais da região de Lisboa, desde sopas a ovos, passando por carnes de caça, peixes de rio ou doces e bolos de fruta. Para aguçar mais o apetite dos leitores, muitas receitas vêm acompanhadas pelas lindíssimas fotografias de Inês Gonçalves, habitual colaboradora desta colecção.
segunda-feira, 2 de junho de 2008
Feira do Livro — Livros do dia
Segunda-feira, 2 de Junho de 2008
Pavilhão 34
Obra Breve
Fiama Hasse Pais Brandão
P.V.P.: 40 €
Preço de Feira: 24 €
«Ninguém entra na hermética paisagem de Fiama como em casa. Nem sequer como quem se perde, entre pânico e delícia, na floresta de um enigma levando na mão as pedras brancas do herói de Grimm. A poesia de Fiama é tão clara e obscura como o mundo onde se descobre como olhar misteriosamente in
struído pelo percurso que o solicita. Um mundo ao mesmo tempo anterior ao olhar e esperando por ele para ser decifrado. Esse mundo não é um cosmos pleonasticamente harmonioso, desde sempre votado à contemplação e a um óbvio sentido. É só um mundo escrito em hieróglifos, finito e inesgotável na sua minúcia. O poema não vem elucidar o mistério da realidade sem cessar bifurcante onde a atenção de Fiama desembarca como no mais desconhecido dos mundos: vem reconhecê-la. Um mundo anterior ao verbo que o descreve e convoca, que nunca foi nomeado fora da voz que no-lo diz. Melhor seria dizer, do poema que o cria pela sua própria
respiração[...].»
Eduardo Lourenço
Pavilhão 21
Por Teu Livre Pensamento
João Pina e R ui Daniel Galiza
P.V.P.: 30 €
Preço de Feira: 18 €
«O livro Por Teu Livre Pensamento é o resultado de 25 entrevistas efectuadas a igual número de ex-presos políticos, por dois jovens sem qualquer memória pessoal do período em questão, que pela sua acção de luta contra o Estado Novo e em prol da implementação da Democracia em Portugal, viveram experiências de privação de liberdade e maus tratos nas prisões do fascismo.
Uma das lamentações que os nossos entrevistados mais transmitiram foi o facto de, na sua opinião, Portugal ser “um país sem memória”. Se com este modesto contributo conseguirmos dar um pouco a conhecer o que era viver no Portugal de há poucos anos atrás, e lutar pela sua transformação num país melhor, a nossa tarefa está cumprida.»
Rui Daniel Galiza
«Exactamente um ano, um mês e um dia antes de a "Grândola Vila Morena" passar no Rádio Clube Português e os militares saírem à rua, morreu uma pessoa que marcou a minha vida, apesar de nunca o ter conhecido pessoalmente: o meu avô materno, Guilherme da Costa Carvalho. Ele foi o protagonista de várias histórias que ouvi, todas elas recheadas de detalhes das suas peripécias — as fugas de Peniche e Caxias, o paludismo que apanhou no Tarrafal, onde passou períodos na Frigideira.»
João Pina
domingo, 1 de junho de 2008
«Orla Marítima»
(Retirado do audiolivro «Poemas de Ruy Belo», da colecção «Sons» © Assírio & Alvim e herdeiros de Ruy Belo (2003))
Feira do Livro — Livros do dia
Domingo, 1 de Junho de 2008
Pavilhão 34
Todos os Poemas (Pack)
Ruy Belo
P.V.P.: 59 €
Preço de Feira: 25 €
«ESPAÇO PREENCHIDO
Somos todos de aqui. Basta-nos a pátria
que uma tarde de domingo nos consente
entre folhas de outono e frases de abandono
E abrem-se-nos ruas
para ir a sítios demasiado precisos
quando um só sítio se encontra
ao fim de todas as ruas e de todos os rios
Somos todos da raça dos mortos
ou vivos mais além
Mensagens de outra pátria não as traz
arauto algum que o nosso tempo vestisse
O que é preciso é dar lugar
aos pássaros nas ruas da cidade»
in Todos os Poemas I

Pavilhão 21
Poesia dos Outros Eus
Fernando Pessoa (heterónimos)
P.V.P.: 22.50 €
Preço de Feira: 14 €
«Já sugerimos, no nosso prefácio à Poesia do Eu, que a heteronímia tinha fortes raízes psicológicas, visto que Pessoa, ainda na infância, não inventava uns amiguinhos fictícios quaisquer, mas sim amigos escritores com quem fazia brincadeiras cada vez mais literárias. Com cinco ou seis anos de idade “recebia” cartas de um tal Chevalier de Pas, que ele próprio escrevia, e em 1902, quando a família veio passar umas longas férias a Portugal, assinou uma série de poemas com os nomes Dr. Pancrácio, Eduardo Lança e outros “colaboradores” dos jornais faz-de-conta que o adolescente em botão compunha com esmero [...]. Regressando a Durban, surgiu Charles Robert Anon, o primeiro “outro eu” com uma obra mais desenvolvida, que incluía poesia, ficção e ensaio. Seguiu-se o ainda mais prolífico Alexander Search, anglófono como Anon e provavelmente concebido já em Lisboa, quando Pessoa frequentava o Curso Superior de Letras. Em 1908, surgem Charles James Search (irmão do Alexander e tradutor), Jean Seul (único heterónimo francês) e Pantaleão, um aforista e autor de umas “Visões”. Ainda antes de 1910, entram em cena Carlos Otto, Joaquim Moura Costa e Vicente Guedes, todos eles poetas e não só. O primeiro assinou um inacabado “Tratado de Luta Livre” e o último tinha incumbências várias: poesia, contos, traduções e, a partir de 1914 ou 1915, a suposta autoria do Livro do Desassossego, cargo que apenas cederia a Bernardo Soares em 1928 ou 1929. Joaquim Moura Costa, republicano fervoroso, deveria colaborar com poemas satíricos em dois periódicos – O Fósforo e O Iconoclasta – a publicar pela malograda Empresa Íbis, a editora e a tipografia montada por Pessoa em finais de 1909 e quase imediatamente extinta. E havia outros como o psiquiatra Faustino Antunes, o religioso Friar Maurice e o contista Horace James Faber.
Morto o projecto da editora Íbis, que se propunha publicar várias obras assinadas pelos nomes citados, a frenética propagação de autores fictícios conhece uma pausa. O último poema, datado, de Alexander Search é de Agosto de 1910, sendo Vicente Guedes o único dos pseudo-escritores que persistirá, mas já sem grande actividade até tomar conta do Livro do Desassossego. Fernando Pessoa, no início da década de 1910, teve uma fase de intensa sociabilidade, saltitando de café em café, de tertúlia em tertúlia, mas a sua mutável identidade como ser literário conheceu três anos de acalmia, pelo menos exteriormente, antes da espantosa erupção de 1914.»
Richard Zenith, no prefácio a este livro.
sábado, 31 de maio de 2008
«Tabacaria»
Aqui deixamos o poema «Tabacaria», dito por João Villaret
Feira do Livro — Livros do dia
Sábado, 31 de Maio de 2008
Pavilhão 34
O Mundo de Ontem — Recordações de um europeu
Stefan Zweig
P.V.P.: 30 €
Preço de Feira: 18 €
O Mundo de Ontem, livro de memórias de Stefan Zweig, é o retrato nostálgico de um mundo desaparecido — o da Viena, o da Europa anterior a 1914 —, a que se contrapõe o período conturbado de duas guerras mundiais, intercaladas por uma curta época de paz e esperança no renascimento da Europa. Trata-se, pois, de uma obra que permite ao leitor inteirar-se das principais mudanças ocorridas na sociedade europeia desde finais do século XIX até aos anos quarenta do século XX. Foi durante o exílio que Stefan Zweig escreveu estas suas memórias, aqui se entrecruzando a paixão da escrita e da leitura, a generosidade filantrópica, a perda e o reencontro, o risível e o trágico.
Numa escrita esmerada, rica de contrastes, por vezes redundante e rebuscada, o autor dá voz ao seu empenhamento em prol da liberdade espiritual e ao crescente desencanto face ao esboroar do ideal de confraternização europeia, que incansavelmente acarinhou, e que a ascensão do nacional-socialismo veio abalar.
Pavilhão 21
Poesia
Álvaro de Campos (Fernando Pessoa)
P.V.P.: 33 €
Preço de Feira: 20 €
«Este volume corresponde ao propósito de Pessoa de organizar esse livro de Álvaro de Campos que ele próprio previu, para que indicou o primeiro poema, sem data mas aparentemente de 1914, e o último datado de 3/2/1935. Entre essas duas balizas situei a obra poética do Engenheiro, acompanhando a sua “evolução” que, como Pessoa diz, foi “devidamente estudada”.[...]»
Excerto de «Este Campos», por Teresa Rita Lopes (introdução a este livro).
«Ah, as horas indecisas em que a minha vida parece de um outro...
As horas do crepúsculo no terraço dos cafés cosmopolitas!
Na hora de olhos húmidos em que se acendem as luzes
E o cansaço sabe vagamente a uma febre passada.»
sexta-feira, 30 de maio de 2008
Feira do Livro — Livros do dia
Sexta-feira, 30 de Maio de 2008
Pavilhão 34
Poesias Completas
Alexandre O'Neill
P.V.P.: 33 €
Preço de Feira: 20 €
«A meio do século passado já me apercebera, confusamente, que tanto ou mais do que eu estavam doentes as palavras. Uma terapêutica, a do alambique, levaria à meditação do branco sobre o branco, e no melhor dos casos ao silêncio. A da ignição, se permitia revelações — nos teus bonitos, banais, olhos castanhos, o favor do seu "verde secreto" — carregava ainda as execráveis maiúsculas "Amor, Aventura, Poesia", e com elas a fantasmagoria do sagrado, a "vida mentirosa, mental". Outra começava em No Reino da Dinamarca, dura e feroz como a abrir nos fora dito: "diamante cruel". Supunha um diagnóstico: o destino como "solidão e mágoa", o "quotidiano não", a vida que "não vivemos", a vizinhança do grotesco normal, do vil decente, e ainda, contudo, o beijo do "jovem amor que recebeu / mandado de captura ou de despejo". Sobretudo, para quem lia ou, pior, escrevia versos, mandava romper com a "poética poesia", afastar os "cabeleireiros de palavras, / pirotécnicos do estupor", lutar contra o "bonito" para fazer "bom". Noutra aparentemente diversa circunstância, quanta merecida e salutar bofetada nos dá O’Neill. Ir, ao contrário, buscar saúde à linguagem doente, no sarcasmo e no jogo, no sem cerimónia e no impuro; e a meio, dizer serenamente algumas verdades decisivas, algumas emblemáticas: que o medo "tudo vai ter" ou o "remorso de todos nós". Mallarmé, — "a tristeza é que não há por lustro um", decerto sob o lustre – não se limitava, não se limita para nós, a reduzir o pobre mundo nosso às sobras do poema; diz-nos antes que a poesia pode e deve atravessar a realidade toda, até ao singular e insigificante, e ao impossível que lhe resiste, tipo mosca Albertina. Tornar-se livro o mundo, é tornar-se mundo o livro, e ainda, não coincidirem nunca. Com perdão das maiúsculas: dessa exigência, ética, Alexandre O’Neill é exemplo, que não segue só quem o imita.»
António Franco Alexandre in A Phala, n.º88
Pavilhão 21
Poesia (edição encadernada)
Alberto Caeiro (Fernando Pessoa)
P.V.P.: 25 €
Preço de Feira: 13 €
A Poesia de Alberto Caeiro, peça central e fundadora da heteronímia pessoana, aparece aqui numa excelente edição de Richard Zenith e Fernando Cabral Martins. Leituras melhoradas, poemas e fragmentos inéditos e posfácios de ambos os investigadores constituem um significativo enriquecimento do «corpus» até agora conhecido. A leitura destes poemas permite-nos compreender, como Caeiro, «que a Natureza existe. Verifiquei que as árvores, os rios, as pedras são cousas que verdadeiramente existem. Nunca ninguém tinha pensado nisso.»
quinta-feira, 29 de maio de 2008
Catálogo de 2008 online
Já disponível online, o Catálogo/Preçário Assírio & Alvim 2008, em formato pdf.
Na barra lateral, ou aqui.
Feira do Livro — Livros do dia
Quinta-fei
ra, 29 de Maio de 2008
Pavilhão 34
Pena Capital
Mário Cesariny
P.V.P.: 15 €
Preço de Feira: 9 €
«POEMA
Tu estás em mim como eu estive no berço
como a árvore sob a sua crosta
como o navio no fundo do mar»
Pavilhão 21
Mário Cesariny (catálogo)
Mário Cesariny; João Lima Pinharanda e Perfecto E. Cuadrado
P.V.P.: 60 €
Preço de Feira: 35 €
Este catálogo, assim como a exposição que completou o projecto em causa «pretendem suscitar o reconhecimento da produção plástica de Mário Cesariny como uma das mais consistentes do panorama nacional: pelo modo original como se insere no universo surrealista (reflectida na precocidade da ruptura por si empreendida, no contexto português e mesmo internacional) e pelo alargamento de possibilidades criativas que instaurou na realidade artística portuguesa. Tentando perceber as razões pelas quais o reconhecimento histórico destas realidades factuais e o reconhecimento crítico das suas qualidades não se concretizou no tempo próprio [...] desejamos que, exposição e catálogo, conduzam, finalmente, à consideração da simultaneidade e grandeza de Cesariny como artista e como escritor.[...]»
João Lima Pinharanda


